Porque The Closer não é só Brenda Leigh Johnson.

Spoilers Abaixo:

Nos primeiros anos de CSI: Crime Scene Investigation, o maior trunfo da série era ter personagens tão bem-manejados que dependendo da figura focada o episódio mudava de tom, e até mesmo de estrutura, mas sem nunca perder sua identidade. Depois de tanto tempo é nítido que os roteiristas das séries proceduals passaram  a se preocupar mais com os objetos usados em investigações do que personagens, mas The Closer se mostra mais uma vez diferenciada por manter essa característica, que ficou em evidência nesses dois episódios.

“To Serve with Love” segue a linha cômica que a série já empregou várias vezes, usando o tenente Flynn e o detetive Provenza enrolados em um caso que inicialmente seria apenas uma visita judicial, mas se torna o assassinato de um dublê do trambiqueiro Steven Herschbaum, procurado pelo FBI (Adam Arkin é ótima performance convidada). Se esse não é o melhor episódio centrado em Provenza desde “To Protect & To Serve”, chega muito perto. Provenza é aquele tipo de policial na fase da aposentadoria que já perdeu o anseio em solucionar crimes e por isso está sempre ranzinza no trabalho de campo e tentando tirar vantagem da própria profissão, e por estar nesse modo “piloto-automático” por muitos anos, quando se encontra em alguma confusão, o efeito dominó é inevitável. Acompanhado do companheiro de todas as horas Flynn e pela primeira vez do perito Buzz, eles percorrem a cidade em busca do verdadeiro alvo do criminoso em volta de planos que dão errado e decisões desesperadas. Uma delícia.

E  como The Closer é uma série extremamente dinâmica, a tensão presente na storyline logo é introduzida no departamento de Los Angeles inteiro em todos os personagens  já que Brenda além de lidar com a incompetência dos seus subordinados precisa tirar o FBI da dianteira da investigação (e as aparições do Agente Fritz são sempre interessantes já que sempre mostra o contraponto entre a relação pessoal e profissional de Brenda com o seu marido). É um episódio perfeito em sua eficiência cômica (quem não riu com a mulher e a filha de Herschbaum na sala de investigações?) e que acertou por completo ao deixar  de lado a trama de Brenda e da Capitã Raydor, que voltou com força no quarto episódio, “Under Control”.

Alguém mais acha a Capitã Raydor… bem… desocupada? “The Closer” está entregando essa trama recorrente pouco a pouco durante a temporada, mas se isso prende o telespectador para acompanhar seu desenrolar, também confere uma certa estabilidade para a personagem de Mary McDonnell que incomoda: ela aparece por poucos minutos em um episódio, diz a Brenda que ela está com a corda no pescoço, tenta com fracasso tirar alguma coisa da colega  e vai embora para aparecer dias depois com uma nova tarefa (isso porque “The Closer” não se passa em tempo real). Ou ela é muito incompetente e não se incomoda, ou está aproveitando essa tarefa recebida da corregedoria para tirar uns dias de folga não-programados. De qualquer forma em “Under Control” tivemos o momento derradeiro do caso Shootin’ Newton, em que Brenda percebe que sua lábia não será o suficiente para que ela escape da denúncia. Ela precisa de um advogado. Está claro que apesar de Brenda e Sharon não se darem bem, Sharon Raydor é uma profissional muito respeitada para tratar essa investigação interna como uma picuinha e destruir a carreira de Brenda não é seu objetivo. Resta saber se o profissionalismo de Brenda  vai continuar intacto durante o processo, já que esse caso parece ser muito mais complexo do que parece.

E em “Under Control”  também tivemos a oportunidade de conhecer mais um personagem secundário: o tenente Tao. Conhecido apenas por ter certa dificuldade com a tecnologia forense, agora seu filho adolescente é uma das peças-chave no caso do assassinato de uma criança. Embora seja sempre bom ver a outra face de um personagem (e pelas circunstancias do caso, o lado paternal do tenente), esse segmento do episódio não teve muito impacto. Isso porque o caso da criança afogada foi um dos mais fortes de toda a série, que envolvia um divórcio mal-resolvido e a troca de ofensas entre os pais da vítima. E se os atores convidados da série podem não ser tão conhecidos mas sempre são eficientes, dessa vez Marcus Giamatti e Meredith Monroe estavam incríveis como os pais, com interpretações explosivas e centradas na dor em seu mais alto pico como os papéis requisitavam. Mais um episódio bem movimentado para a série.

Enquanto “The Closer” continua intacta em sua última temporada, uma pergunta final para quem acompanhou a segunda e a quarta temporada: qual advogado Brenda deveria escolher, Phillip Stroh de “Power of Attorney” ou Tom Blanchard de “Out of Focus” e “The Other Woman”?

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