“Tô quase acabando o livro que você me emprestou e não entendi porque você gosta tanto dele. Mas tem uma frase que me prendeu: Ela diz que ‘amadurecer é perder o orgulho e perder o orgulho é poder sofrer tanto quanto poder amar e declarar esse amor’. Eu achei bonito. Eu fiquei pensando: qual de nós dois é imaturo? Quem tem mais medo de sofrer? Quem tem mais medo de viver o amor? Pra mim é tempo de criar coragem. É tempo de perder o orgulho. Vamos? Eu sei que juntos a gente consegue. Eu te amo! Fica comigo!

Seu, Marcelo.” 

Se na semana passada, Segunda Chamada começou com um pé d’água, como personagem principal, no quarto episódio, da primeira temporada, uma bomba caseira de desodorante foi o estopim da “Sob Pressão da Educação”. Contudo, antes de chegarmos nesse ápice da trama, voltemos algumas cenas:

Tudo começa com Cleiton da Silva (Willian Costa de Pico da Neblina), morador de uma comunidade, na zona periférica da maior cidade do Brasil, no caso, São Paulo. Enquanto estava lá, curtindo um churrasco com seu irmão, Gerisson da Silva – mais conhecido como Gero (Sidney Santiago de A Vida Secreta dos Casais) – sua mãe, Maria da Silva (Vilma Melo de Avenida Brasil), aparece e o repreende, afinal, ela quer ver o filho longe da criminalidade, da violência. Não é uma tarefa fácil, pois, atualmente, a juventude é convencida, tanto pelo dinheiro quanto pelas drogas a permanecer nesse caminho tão triste. No caso de Cleiton, o segundo item assumiu esse papel e, infelizmente, dentro da sala de aula e de novo, por sinal. Marco André ficou com o coração na mão. Mas antes – que mania chata a minha de falar as coisas pela metade, né?! Peço as minhas sinceras desculpas, leitores. Prometo parar com isso! – vamos ressaltar outros aspectos:

Eu não posso continuar essa review sem antes dizer sobre as cenas calientes vividas por Jaci e por Lúcia. Para tudo, Brasil! Que nudes foi aquele da Débora Bloch (Caminho das Índias), hein?! Chocado, ficamos, com certeza! O Twitter zerou! A Internet foi a loucura com as cenas mostradas! Os dois estavam bem à vontade com o momento e devo destacar que o casal está bem apaixonado. Sem contar o fato de eles terem bastante química. Shippo demais o nosso #Jacia, ao contrário de Leonardo, que não “engole”, de jeito nenhum, os dois. Outra pessoa que, caso soubesse do envolvimento amoroso do casal, não iria gostar nenhum pouco é Alberto. Se não bastasse ele ter tido um Acidente Vascular Cerebral (AVC) no velório do próprio filho, Marcelo (Arthur Volpi), há um ano e meio, ele teve um problema em sua pressão, tendo que ir ao hospital, novamente. Como será que Lúcia dá conta de segurar essa situação, hein?! Vou ficar com essa pulga atrás da orelha igual Eliete, a professora de Matemática. Enquanto não temos a resposta para esse questionamento, Leonardo vai em busca de respostas, pois, no final do episódio antecessor, ele gravou um vídeo, em que o diretor da escola está aos amassos com a professora de Língua Portuguesa. Golpe baixo da parte dele, não é mesmo?! Entretanto, a problemática de eles viverem um romance proibido como se fossem adolescentes, também é demais, oras. A gente entende ou, pelo menos, tenta entender os questionamentos feitos por Léo, mas vamos aos fatos: “à César o que é de César”: Lúcia não está se dando ao respeito, nem para com os seus alunos, quiçá para com o seu marido dentro de casa. Todavia, isso não é motivo para que o jovem rapaz ameace Lúcia de expô-la na internet com a filmagem. Se o ranço para com ele era evidente, agora, ele se concretizou ainda mais, viu! Quem dera se o plot dele tivesse ficado só por aqui… Ele insistiu e da pior forma possível, infelizmente. Vamos aos envolventes da explosão:

Javier (Gabriel Rafael Diaz) e Alejandra (Rosalva Cardona) são um casal (de irmãos ou de namorados? Eu não consegui captar essa parte. Me ajudem, por favor, leitores), que saem de seu país de origem, a Venezuela, no caso, e vêm para o Brasil, na tentativa de melhorarem de vida. Porém, com a frase Não Comprem comida de Venezuelanos, eles são recebidos com bastante desrespeito pelos colegas de sala. Além de representar um ato de xenofobia, ou seja, aversão ao imigrante, isso é um ato de intolerância. E tudo foi idealizado por quem mesmo?! O próprio: Leonardo. Ao lado de Aline (Ingrid Gaigher de Rio Heroes) e de Joelma (Ariane Souza de Segundo Sol), que também vendem comida durante os intervalos entre as aulas para angariar um dinheiro extra, eles aprontam para cima dos “gringos”. Aqui vale ressaltar dois pontos: o primeiro diz respeito ao esquecimento dos personagens de que o Brasil é um país “receptivo” e “caloroso” para com com os imigrantes. Uai, será que eles não vivenciaram a Copa do Mundo, em 2014, ou as Olimpíadas do Rio de Janeiro (capital), em 2016, não?! Já o segundo, se refere ao fato de que “gringo”, a gente logo pensa em turistas ricos, principalmente, aqueles vindos dos Estados Unidos da América (EUA) ou dos países da Europa, né?! Muito pelo contrário: ao pesquisar o significado da palavra no “tio Google”, o termo se refere a qualquer pessoa vinda de outra nação. Pela ignorância do desconhecimento da minha parte, eu cheguei até a pensar que as alunas estavam erradas, o usarem esse adjetivo. Se bem que elas estavam, uma vez que falaram pejorativamente.

Na tentativa de resolver essa situação conflituosa, Lúcia dá um belo discurso para os seus alunos, ao enfatizar o fato de que eles, tanto Javier quanto Alejandra, necessitam de acolhimento. É bonito de se ver esse amor e esse carinho para com os alunos. Uma curiosidade: arepa, a comida vendida, é uma massa de pão, que significa milho, podendo ser recheada com queijo ou com peru. Vai do gosto do cliente. Vale ressaltar, também, que os venezuelanos enfrentam, não só na ficção, como na vida real, a dificuldade de não conseguirem um emprego fixo, isto é, o de Carteira Assinada. Respeitar o coleguinha é mais do que a nossa obrigação, é um dever. E esse dever não foi, devidamente, praticado por Léo, afinal, o jovem rebelde, resolveu criar uma bomba caseira com desodorante. O mais engraçado é que na cena em que ele oferta essa possibilidade às suas colegas, Jaci o repreende, dando a impressão de que ele ouvira o que o seu filho havia dito. Muito pelo contrário: depois é que é revelado quem foi o autor da ação. Será que, realmente, pareceu que Jaci havia captado a ideia do seu filho ou isso foi só uma impressão errônea da minha parte? E que ideia de jerico a dele, né?! Longe de mim estar desejando o mal para o garoto, mas a queimadura no braço dele foi o de menos. Além de ter sido expulso da Escola Estadual Carolina Maria de Jesus, Leonardo deveria ter pago pelas perdas materiais que os venezuelanos tiveram em seus pontos de venda. Pelo menos, Joelma e Aline “pagaram o pato” e nada mais justo, uma vez que elas, apesar de não terem praticado o ato em si, foram cúmplices. Ainda bem que no final, a paz, à princípio, aparentou reinar no local e, a partir de agora, o respeito estará presente entre os alunos, sejam brasileiros, sejam venezuelanos. Por falar nesses últimos, fiquei feliz de eles decidirem permanecer na escola, pois é um direito os personagens ocuparem esse espaço. Resta saber se Leonardo, de fato, ficará expulso mesmo e terá que arcar com os custos em uma nova instituição de ensino ou voltará atrás, pedindo perdão ao pai por tudo o que fez. Vamos torcer para que a segunda opção aconteça. Todo mundo merece a sua redenção, um dia.

Por falar em redenção, quem está precisando de uma, com direito a um beijão na boca é a professora de História e de Geografia, a Sônia. O clima dela, juntamente ao Marco André só aumenta a cada episódio, como muito bem observado e postulado pela leitora Amanda Moreira na review anterior, pois eu havia me esquecido – Obrigado, De nada! – dando a perspectiva de que serão um ótimo casal, com certeza. Ela, coitada, está precisando de novos amores, porque a sua vida pessoal está indo de mal à pior: marido desempregado e folgado, moradia na casa da sogra, muito trabalho, confundindo, até mesmo, a matéria que irá lecionar dentro da sala de aula… Em fim, não me admira o fato de ela estar com a saúde péssima, com tremedeira, tendo, além da automedicação, o cigarro de maconha, como fuga de escape para os seus problemas.

Seguindo essa linha de raciocínio do cigarro de maconha, Sônia só o utilizou, pois o encontrou no armário da Sala dos Professores, tendo sido deixado por Marco André. Isso ocorreu, devido ao fato de Cleiton ter fumado durante a sua aula. Mais uma falta de respeito sendo demonstrada na realidade brasileira. Sem contar a ameaça de morte que o aluno fez para com o professor de Artes, não é mesmo?! Marco André havia sido orientado pelas suas colegas de trabalho em ficar longe disso, uma vez que elas já conheciam a peça e nada poderia ser feito. Mas ainda bem que alguma coisa foi feita sim e por Sônia, inclusive. Ao ser coagido pela dupla de irmãos na porta da escola, durante a saída do expediente, a professora defende Marco ao relembrar à Gero as aulas em que ela lecionava para ele sobre a história de negros. Olhem para vocês verem a importância da educação como ferramenta de transformação de vidas! Que maravilha! Depois que tudo se acalma e Gero promete que seu irmão Cleiton irá retornar à sala de aula, a partir do próximo dia, o futuro casal vai embora rindo de orelha a orelha. Enquanto os dois não se beijarem, eu não vou escrever o nome do shippe, hein?! Adiantem o serviço aí, Sônia e Marco André! Queremos shippar vocês dois, oras.

Já em relação ao contexto das aulas de Artes, que na verdade, são de Teatro, como eu havia solicitado nas Pautas Escolares do terceiro episódio, Marco André irá montar uma peça teatral abordando a história do aluno Maicon Douglas. Vocês se lembram lá do piloto, em que o motoboy foi levado ao hospital por passar mal? Então, ele, apesar de ter levado os atestados médicos comprobatórios sobre o atendimento, é demitido, ficando ele desempregado e com um filho para sustentar, além da esposa. A vida não está nada fácil para Maicon, infelizmente. Quem sabe depois dessa peça, apareça uma oportunidade de emprego? Não que teremos um olheiro na plateia que irá oferecer uma vaga em aberto, mas vocês entenderam o que eu quis dizer, assim espero. Foi bacana e inspirador vendo os alunos disputando pelos papéis. Eu não tenho dúvidas de que será uma ótima apresentação! Estamos mais que ansiosos para assistir, obviamente!

Por fim, Jaci se sente um fracassado, em relação ao seu filho Leonardo. Também pudera: ele só sabe aprontar. Vamos ver se o personagem vai ter a sua redenção antes da metade da temporada que se aproxima, com os episódios cinco e seis, ou se isso será abordado mais para o final, em dezembro. No caso de Lúcia, ela continua tendo os flashbacks, no que diz respeito ao fato de seu filho Marcelo ter morrido, ainda mais depois de ter recebido de Russo (Rodolfo Mesquita de Insensato Coração), uma carta, escrita à mão pelo jovem, antes de falecer. Linda as palavras que abriram os trabalhos dessa publicação, não é mesmo?! Quem aí não se emocionou junto dela, hein?! Todos nós! Não me esqueci da palavra da semana, não. Acolhimento é a que resume todos os acontecimentos desse episódio.

PAUTAS ESCOLARES: 

p.s.01: Achei divertidíssimo o plot de Eliete, dando match no Tinder, aplicativo de relacionamento. Quer dizer, então, que ela não é fraca nada, tendo a pegação como parte de sua vida. Eu gosto é dessas! Tomara que apareça um bom partido para a Eliete. Pessoas boas merecem ser felizes;

p.s.02: Fiquei, novamente, com a sensação de que o episódio foi curto. Não gosto disso. Mas longe do episódio ter sido cansativo ou chato. Muito pelo contrário: mais uma vez, a Rede Globo, juntamente à O2 Filmes, mostra que a televisão brasileira tem potencial para entregar produções de alta qualidade;

p.s.03: Leonardo Bittencourt, intérprete do personagem de mesmo nome, disse que as atitudes de Léo só pioram o relacionamento para com o seu pai na trama. “Mostra que a relação entre os dois nunca foi de conversa. O Léo tem uma carência de atenção e quer conquistá-la da pior maneira possível. Acredito que Jaci já estava amando outra pessoa, essa separação já deveria ter acontecido antes, o erro é a falta de conversa. O Léo não deveria obrigar o pai fazendo chantagens (…)”, ressalta o ator, no site oficial do seriado, no Gshow;

p.s.04: Além disso, na mesma publicação, Leonardo fala curiosidades da cena em que ocorre a explosão da bomba, tendo muita precisão ao ser gravada. “(…) Tivemos todo o cuidado para que ninguém se machucasse, acompanhados de profissionais de efeitos especiais. Agradeço à direção e à maquiagem que dão todo o clima para quem está assistindo achar que tudo ali era de verdade”, agradece Leonardo;

p.s.05: Já os atores, Gabriel Rafael Diaz e Rosalva Cardona revelaram que não imaginavam contracenar com grandes nomes da teledramaturgia brasileira. Eles, que saíram da Venezuela em momentos distintos, buscaram no novo território, uma oportunidade de recomeço. Se na série eles estão sendo alvo de preconceito, nas “terras tupiniquins”, eles estão sendo acolhidos. “(…) Dois vizinhos de diferentes famílias foram sequestrados, de repente. Pensamos que, a qualquer momento, o mesmo poderia acontecer com a gente, sem qualquer razão. Então, tivemos que partir”, contaram, em uma entrevista ao site oficial da Organização das Nações Unidas (ONU), no Brasil, por meio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR);

p.s.06: No que quesito Audiência, o seriado apresentou um aumento nos números, com 21,4 pontos no Ibope, na Grande São Paulo (capital), de acordo com informações do site Notícias da TV, do UOL. Vamos torcer para que esse índice aumente cada vez mais;

p.s.07: Tivemos, como de costume, no final do episódio, depoimentos de ex-alunos de escolas públicas do Serviço Social da Indústria (SESI). É sempre bom ouvir esses relatos de histórias de vidas marcantes;

> Quando Está Ozymandias? Teoria Watchmen!!

p.s.08: Para quem é assinante do Globoplay, o quinto episódio, da primeira temporada, já se encontra disponível no catálogo do serviço de streaming da Rede Globo. A trama central abordará a história de vida de Rita (Nanda Costa de Segundo Sol), que, após tomar um abortivo, descobrirá, no hospital, que estará grávida, mais uma vez. Não percam!

REVISÃO GERAL
Nota:
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segunda-chamada-1x04-episodio-04A série, a cada semana, está conseguindo concretizar o seu perfil, sendo um Serviço de Utilidade Pública, em relação à Educação, direito constitucional que, infelizmente, está sendo defasado pelos nossos governantes.