Foi dado o início à temporada de caça.
Não é todo dia que se completa 15 anos de série e sabemos que não é nada fácil manter um elenco – nesse caso, mesmo que pequeno – para compor as histórias nem fidelizar um público durante tanto tempo. Quando a história vai se esticando muito, os impacientes começam a perder a cabeça, os que são muito críticos começam a levar tudo para o lado negativo e a magia daquilo tudo acaba sendo algo superficial e sem sentido.
Pouco após os atores da série confirmarem o grande fim e com isso, prometerem que o roteiro traria um final grandioso, lembrei muito de como fiquei frustrado ao assistir o episódio 300. O que acontece é que não podemos esperar nada de grandioso de SPN, por questões de orçamento da emissora que não é tão grande e pelo próprio elenco que ao ser reduzido, reflete num número mínimo de personagens, diminuindo os meios, as opções que o roteiro tem de promover essas grandes reviravoltas e fan-services que vemos muito por aí. E justo esse ponto sobre expectativa foi que ficou ainda mais claro ao assistir essa Premiere, que com uma leve falta de conteúdo, apelou para o emocional dos fãs, trazendo alguns dos monstros das primeiras temporadas. Algo já é certo. Se chegamos até a 15º temporada é porque somos fãs, por esse motivo pode apelar para a nostalgia como quiser? Pera lá SPN, vamos com calma!
Primeiramente, acho que o episódio ficou muito em sua zona de conforto, apostando em algo que já é tiro certo. Qual o empenho nisso? Nostalgia por nostalgia para mim não funciona. Referências como as vistas essa semana são ótimas, principalmente para quem e fã, mas quando têm um sentido, são bem colocadas ou têm um contexto próprio. Por isso já fiquei meio assim, mas também já vi temporadas começarem bem piores e terminarem dignamente. Portanto, vamos dar tempo ao tempo porque o fim está só começando e a review também.

Sinceramente, eu especulava dois caminhos para que os irmãos e Castiel se vissem salvos dos fantasmas no cemitério. A primeira era de que alguma forma, Miguel recém fugido da jaula surgiria e usaria um teletransporte para resgatá-los. No mínimo, surgiria alguma conversa interessante o pontapé inicial para a participação de Adam-Miguel nesse ano já seria dado. Isso sim seria combinar nostalgia com ação e conteúdo.
O segundo ponto era que Billie os salvasse. Como agora as portas do inferno foram abertas e bilhões de almas estão à solta, o equilíbrio foi posto em perigo. E como os irmãos representam poderosos instrumentos no que diz respeito a salvar o mundo, poderiam ser de grande ajuda à Morte e quem sabe tivéssemos um final de uma premiere já com um acordo selado entre ela e o grupo para que juntos todos concordassem em caçar Deus.
Nenhuma das alternativas acima, mostrando mais uma vez que o episódio seguiu uma linha mais simplista. Em SPN, somos tão acostumados a esperar aparições improváveis, retornos mirabolantes de personagens que acabamos esquecendo que o mais óbvio era mesmo o grupo de heróis correrem até achar abrigo, o que acabou nem sendo tão óbvio assim.
Gostei do Belfegor principalmente por nos proporcionar uma experiência diferente com o Alex Calvert esse ano na série. A apresentação do personagem foi bacana, embora tenha sido um daqueles deus ex-machina bem safados. Pelo menos tentaram disfarçar, não colocando ele como primeiro recurso para salvar o dia. Foi puramente lógico Sam ter tido a ideia de todos escaparem por algum tipo de tubulação, dado que estavam cercados. Tentaram e como previsto, não deu certo. Ao menos esse ponto específico da sequência foi pertinente. Se me perguntarem o porquê de eu ter sido tão detalhista, digo que num episódio em que não teve muito conteúdo, são detalhes como esse que fazem toda a diferença.
Apenas depois o demônio entrou em ação, apresentando-se e por meio de um feitiço cuja lista de ingredientes foi para lá de conveniente (terra de cemitério e sangue de anjo – de todos da série, esse feitiço foi o mais sem noção), salvou todos. Eu realmente não sei o que aconteceria se eles não estivessem num cemitério e Castiel não estivesse lá prontinho para fornecer o sangue. Provavelmente dos quarenta, só teríamos dez minutos de entretenimento e os Winchester teriam morrido de fome.
Não podemos negar que a cota de humor do episódio ficou por conta desse demônio. Mesmo sabendo que ele – assim como todos os demônios na série – agem por subterfúgios, tá sendo legal ver sua interação com Dean. Inclusive, segundo a mitologia, Belfegor era considerado um dos príncipes do Inferno, o “príncipe da preguiça”. Como não sabemos quais são suas reais intenções – espero que ele não faça juz ao seu título e se mostre logo – será bom ter alguém como Castiel, alerta e atento aos seus passos.

Aparentemente quando Chuck trouxe os monstros de volta à vida houve uma mudança em todos eles. Agora não é mais necessário chamar bloody Mary 3x diante do espelho e ela aparece não só em espelhos, mas em qualquer superfície refletora como o próprio espelho d´água; você não precisa ter necessariamente traído sua parceira com a mulher de branco para ser atacado por ela e talvez nem convidar o palhaço para que ele entre em sua casa. Achei isso um ponto interessante, embora tenha me feito lembrar um pouco dos monstros de Miguel na temporada passada, que receberam um upgrade e logo também perdi o entusiasmo com a ideia. Evidentemente, não apenas eu porque essa mudança nos monstros foi algo que passou despercebido pelo episódio.
Um dos pontos de suspense ainda não solucionado foi sobre a ferida da bala de Sam. Até agora não há nada em vista que o cure disso. Interessante ver que quando Castiel tocou no ferimento, tivemos a sensação de ter visto o Sam possuído por Lúcifer lá na finale da 5º temporada e após isso, o corpo de alguém caindo. De primeira, pensei se tratar de Lúcifer abandonando o corpo já sem vida de Nick e possuindo Sam, mas no mesmo momento escutamos Dean implorando algo para Sam e caindo morto em seguida. Pesado, hein?
E ficamos praticamente na mesma ao ver esse episódio. Dentre algumas conveniências de roteiro, como Xerifes que acreditam cegamente em agentes do FBI e evacuam uma cidade como se fosse algo simples e corriqueiro (me perguntei quantos habitantes a cidade tinha para todo mundo caber numa escola), portas que não são trancadas por fora quando as pessoas saem, fantasmas que se teletransportam, mas de uma hora para outra precisam correr atrás de suas vítimas. Aliás, para os que defenderam esse episódio com unhas e dentes em nome da nostalgia, fico me perguntando se as primeiras temporadas eram assim tão carentes de lógica e conteúdo e se elas apenas jogavam situações como Castiel e Belfegor – teoricamente seres poderosos hierarquicamente falando – temendo irrelevantes ataques de fantasmas. Digo isso também porque aquela cena de Bloody Mary, O palhaço e os outros monstros correndo no meio da rua foi bem anticlímax. Senti mais vontade de rir do que medo mesmo. Ou seja, se aproveitar de um conjunto de personagens icônicos não representa bem o bom uso de referências como as citadas e sem contar que o miolo dos episódios de antigamente era composto mais por investigação, estratégia e inteligência no momento de acabar com o monstro e isso não foi visto aqui.

No final do episódio, valeu um momento de reflexão para os irmãos. Dean, que soube segurar bem as pontas, otimista quanto ao plano de conter os fantasmas (mesmo com os comentários de Belfegor), indagou o irmão sobre como seria a jornada dos dois dali para a frente. E Sam, movido por uma superioridade que eu nunca vi antes, respondeu que fariam de tudo para acabar com o máximo de monstros que puderem, pois depois de conseguir isso estariam “livres” de Chuck.
Eu esperava que Sam fosse ficar um pouco mais mexido com a morte de Jack, pois dos três ele é o mais sentimental. Inclusive se vocês pararem para pensar, houve uma inversão de papéis nisso tudo. Castiel assumiu o lugar de Dean demonstrando revolta e ataques de ira. Dean por sua vez, ocupou o lugar de seu irmão, mais compreensivo e sempre perguntando antes e atirando depois ao dar brecha para Belfegor e Sam ocupou o lugar de Castiel, na completa neutralidade e inércia. Levaram a sério mesmo aquilo de você ser a média das pessoas com quem você anda.
Com a última cena, ficou mais que claro que a intenção do roteiro é promover uma nostalgia relembrando ângulos e cenas de antigamente. Antes a motivação eram as mortes de Mary (a primeira), Jess e a busca por John e agora, qual seria? Porque se for a morte de Jack, isso não ficou tão claro. Só para dar o troco em Chuck, seria legal ver um dos irmãos jogando a toalha e cagando para tudo. Mas ainda estamos a 1/20 e a estação de caça está apenas começando. Aguardo vocês aqui na próxima semana!
Observações:
- Bizarro a câmera ter dado aquele zoom inverso no rosto de Jack sem os olhos no início;
- Só fico me perguntando se Chuck ainda não está testando os irmãos, se esse não seria “O” teste.















