Não é novidade que “Jane the Virgin” trabalha sua narrativa em pequenos arcos narrativos isolados que em sua totalidade compõem a trama principal da temporada. Com o fim da questão da memória de Michael, a série caminha agora para uma fase de reconstrução.
Jane vai ter de aprender a lidar com as consequências de suas escolhas. Essa convergência de problemas que culmina no seu aniversário de trinta anos é como se fosse uma representação narrativa do ponto de virada da personagem. Com isso ela começa a lidar com a decisão, com a escolha entre os dois possíveis candidatos, ao mesmo tempo que mais um indicativo do final solo da personagem começa a aparecer. Essa maturidade de assumir que há ainda uma afeição por Michael e também por Rafael é o óbvio motor do triângulo amoroso, mas também será o combustível para o novo livro da vida de escritora dela. É sempre dos momentos mais marcantes e complicados que ela encontra motivações para escrever, usando sua vida como modelo para a ficção.
Outra personagem que também tem de lidar com as consequências de suas escolhas é Petra. Já comprovamos que a personagem é uma das mais esforçadas da trama e não poupa esforços para conseguir o que almeja, mesmo que tenha de passar por cima de qualquer um. Ao mesmo tempo que é bacana ver ela lutando por JR, os percalços soam falsos e deslocados do contexto (como Milos continua dando ordens no hotel de dentro da prisão? Apesar que Rose continua também…), como se qualquer motivo fosse o suficiente para separar mais uma vez Petra de um interesse amoroso. Claro que o lado de JR também pesa, por ter passado por uma situação complicada por nossa loira favorita e ter perdido bastante coisa no caminho, mas começa a cansar essa repetição de padrões no plot.

Se houve essa renovação em alguns núcleos, outros os roteiristas parecem não ter aprendido nada com a estruturação da série até aqui. Essa “possível” retomada da fase “bêbada” de Rafael condiz com o sentimento do personagem, mas é bem fraca em comparação com o que o personagem já conseguiu conquistar (só falta trazer o câncer novamente nesse ritmo).
Correndo por fora tivemos o retorno de Darci, Esteban e Baby, que em conjunto com Rogelio e Xo espelharam a situação principal das escolhas e suas consequências. Achei até estranha a naturalidade que Rogelio aceitou em “deixar” Baby ir, principalmente por ele ter perdido os principais momentos da infância de Jane, mas pelo menos não tivemos drama excessivo (não mais do que o novelesco característico desse núcleo de personagens).
“JtV” vai continuando com seu planejamento até aqui e mesmo não aparentando ser um dos melhores, as coisas voltaram a um patamar mais interessante do que o da semana passada. Espero que definam logo o triângulo e não fiquem cozinhando muito essa resolução até o final da série. Os personagens e o público agradecem. Até a próxima semana!
> GAME OF THRONES: DESPEDIDAS E IMINENTE GUERRA (Comentários do episódio 8×02)
PS 1: Esteban consegue mais canastrão e impagável que Rogelio.












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