Faltando menos de dez episódios para o fim de sua temporada, Arrow resolveu correr com sua história, conectando o que deveria ser conectado e excluindo o que já não é tão importante no momento. E foi com este objetivo que Star City Slayer, um dos grandes acertos deste ano, nos foi entregue.
Após uma sexta temporada inteira jogando vilões sem muito apelo para a audiência e uma sétima que vinha se focando principalmente no antagonismo de Diaz, Arrow conseguiu em apenas um episódio trabalhar um vilão muito mais eficiente e perturbador que os anteriores, mérito de um trabalho de direção e atuação inspiradas e muito acima da média do que estamos acostumados a ver em produções do tipo.
Desde sua primeira aparição, Stanley acionou todos os alarmes possíveis de potencial vilão, por ser o típico clichê de inocente na cadeia que esconde muito mais esqueletos que todos aqueles criminosos declarados, com tal suspeita se confirmando com The Slabside Redemption, onde já pudemos ter um vislumbre da loucura por trás da aparente fragilidade. Mas somente aqui pudemos entender mais a fundo sua psique, seu passado e suas motivações. E não havia como o resultado ser melhor, afinal, depois de todos os vilões que Oliver já enfrentou, faltava aquele que representa a pior espécie: O obcecado que acha que todo o mau que faz é justificável pelo bem-estar de seu “adorado”. A pior vertente do fanatismo possível.
Descobrimos que Stanley é o stalker que ameaçava vigilantes (e não o vilão do episódio anterior nem tão pouco alguém relacionado à Aves de Rapina), porém, para adiar a revelação de sua identidade o máximo possível, a série resolveu criar uma atmosfera que até então acredito que era inédita em seu meio: O suspense que bebia longos goles da fonte dos mais clássicos filmes de terror. E foi assim que ganhamos uma casa “assombrada”, com iluminação escassa, trilha sonora angustiante, objetos suspeitos e cortes de câmera malandros.

E, como não poderia deixar de ser, sua “entrada triunfal” foi metendo a faca no primeiro desavisado que estava à sua frente, no caso, Dinah. A personagem vem ganhando espaço suficiente em tela nesta temporada, mais do que qualquer outro coadjuvante que não seja o trio clássico, com sua posição de capitã de polícia, seu dilema entre apoiar ou não vigilantes, a descoberta de sua identidade secreta, e sem contar a importância nos flashforwards. Assim, não é surpresa que mais uma linha narrativa lhe seja atribuída, com a provável perda de seus poderes decorrente da facada que poderia matar qualquer figurante. Porém, não sei em até que ponto isso pode interferir em sua jornada, afinal, se neste ano estamos tendo muito de Dinah Drake, quase nada vimos da Canário Negro.
Stanley ter saído de cena por hora sem ter feito uma baixa importante no elenco foi um tanto quanto anticlimático ao seu título de assassino de Star City, que tanto repudia, principalmente quando vimos que no mesmo episódio Curtis se despediu. Poderíamos ter uma saída mais impactante, que ao mesmo tempo levaria mais carga dramática à série e sedimentava Stanley como grande ameaça? Sim, poderíamos. Mas dá para se entender porque a série optou por um caminho mais esperançoso para o personagem, mesmo que ele nem de longe esteja dentro do seu rol de nomes mais carismáticos. Curtis era absolutamente desnecessário e não tinha mais qualquer função na história, porém se acabasse se tornando mais um corpo para Oliver e os demais carregarem nas costas, entraríamos em mais um enfadonho looping de luto e culpa. Não escondo que ansiei pela morte dele, mas já me dou por satisfeito em não o vê-lo por um bom tempo.
E enquanto o restante do time desvendava o mistério do assassino de Star City, Oliver e Felicity lidavam com um problema muito mais familiar: William. O jovem confessou que foi expulso por brigar com um colega (o que foi uma história ainda muito mal contada e cheia de furos, mas que provavelmente não será abordada de novo, a não ser que sua versão do futuro volte ao assunto) e mostrou estar bem insatisfeito com a vida que tem levado nos últimos meses. Não vejo como culpá-lo por isso, afinal, Oliver nunca seria capaz de dar uma vida normal ao filho, como pudemos provar mais uma vez no episódio. Sempre haverá uma ameaça, uma preocupação para lidar, e qualquer pessoa sensata na posição de Oliver deveria perceber isso, e, além do mais, deixar William com os avós não é abandoná-lo, e, sim lhe proporcionar mais segurança e qualidade de vida. Quem não faria o mesmo por seu filho?
Uma pena que Oliver só percebeu isso quando Stanley invadiu sua casa e tocou o terror em sua família, em uma cena que facilmente ficará entre as melhores da temporada. Aqui, devo parabenizar o trabalho de Brendan Fletcher que imprimiu em seu personagem toda a loucura que este devia carregar, o aprofundando de tal forma que só nos resta esperar que tal evento não tenha sido isolado, mesmo que o final do episódio indique o contrário, afinal, Stanley foi preso e não deve dar as caras de novo tão cedo. Um ponto ruim para Arrow que precisa de menos vilões maniqueístas e rasos e mais ameaças orgânicas e com fortes tendências de mexer com o psicológico dos personagens e do público, tal como Prometheus um dia fora.
O resultado de tudo isso foi que Oliver e Felicity reconheceram que jamais poderão proporcionar a segurança necessária à Willian e que, uma vez que o garoto estava infeliz, o ideal seria deixa-lo partir para Central City, uma cidade que é com toda certeza muito mais calorosa e segura que Star City (risos). Aqui, talvez estejamos presenciando o início do distanciamento de Oliver com o filho e todo o efeito-cadeia que estamos lidando em 2040.
E por falar nos flashforwards, o arco do futuro nos entregou sequências tão interessantes quanto o que estávamos acompanhando no presente. Desta vez, tivemos a confirmação de Connor Hawke como filho do Diggle pela primeira vez em Arrow (haja vista que ele só havia aparecido em Legends Of Tomorrow), e, finalmente, a revelação da identidade da Black Star: Mia Smoak.
Sim, Katherine Mcnamara não foi chamada para a série a passeio, sendo assim, todos esperávamos que sua personagem iria ser de grande importância, sendo provavelmente uma Queen, mesmo que não utilizando o visado sobrenome. E por ser muito parecida com Felicity e com boa habilidade de combate como Oliver, a suspeita mais palpável se tornou verdadeira, Mia é filha do casal mais perseguido do Arrowverse.
Com isso, tivemos uma nova formação que nos remete aos tempos clássicos da série. Mia, William e Connor ocupam com precisão o posto que outrora foi de Oliver, Felicity e Diggle, contando ainda com o apoio de Zoe, como a Canário Negro da nova geração. Mais um indicativo que a série possa estar ensaiando uma mudança de foco, colocando o novo elenco cada vez mais aos holofotes. E estou cada vez mais ficando ansioso para o que esta turma pode nos oferecer, pois percebo que a nova empreitada de Arrow pode estar dando certo e que estes novos nomes não devem sair de nossa tela tão cedo. Assim, só nos resta torcer para que a série saiba o que está fazendo.
Ao fim de todas as informações jogadas na nossa cara, nos deparamos com a bomba no colo que é Felicity grávida, justamente em um momento tão sensível quanto o da despedida de William. Como será que o casal irá se adaptar com esta nova mecânica de um bebê vindo pela frente? Oliver optará por pendurar de vez o manto do Arqueiro Verde? Mia conseguirá ter a educação e base familiar equilibrada que o irmão não teve? Bom, se levarmos em conta o futuro de 2040, já sabemos o que esperar.
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Star City Slayer termina cortando a gordura e reorganizando a série, em um episódio competente, mas que acaba ficando um tanto quanto isolado dentro da narrativa da temporada. E já é hora de Arrow decidir o caminho que quer tomar.
Flechadas:
– Sempre foi meio óbvio que Felicity não está morta no futuro. Resta saber qual será o papel dela nesta linha temporal. Nêmesis ou salvadora?
– A saída de Curtis se deu pela própria vontade do ator Echo Kellum, que acertou tudo com os produtores desde a temporada passada. Algo semelhante ao que ocorreu com Willa Holland.
– Arrow entrará em um pequeno hiato, voltando no dia 04/03 com Brothers & Sisters. Pelo título, já dá para se ter uma boa noção do que o episódio tratará…














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