O que deu nos roteiristas para dar tanta importância para Jane? Esse foi o terceiro episódio em que ela recebe mais destaque que as outras. Não que eu desgoste dela, mesmo com sua personalidade controladora e umbiguista, mas isso está começando a me incomodar. Não é o Jane Show, poxa…
A pobre Sutton, por exemplo, está crescendo profissionalmente, recebendo a oportunidade de substituir Oliver enquanto ele está viajando. Porém, em questão de desenvolvimento de narrativa, a coisa não está andando. Nada de realmente emocionante vem acontecendo com a fashion expert. Nem o negócio da Brooke deu em muita coisa. O envolvimento com Alex também, parece que nunca aconteceu. Enfim, pelo menos ela está brilhando ao provar ser competente em resolver problemas e comandar um photoshoot sozinha. Bem difícil de acreditar que só com 233 dólares ela conseguiu recriar um bar inteiro. Mas a gente engole o ceticismo e deixa o orgulho pela nossa assistente tomar conta. E que venha Paris! Espero que esse plot renda bons momentos.
Mais uma vez The Bold Type retorna a um episódio da temporada anterior. Desta vez foi The Breast Issue o sexto episódio da temporada inaugural da série. Para quem tem memória ruim como eu, nele Jane descobre que tem uma mutação no gene BRCA, o que significa que há uma grande chance de ela desenvolver câncer de mama, a mesma doença que matou sua mãe quando ela era criança. Pois bem, ao visitar sua médica por estra sentindo efeitos colaterais da pílula do dia seguinte, sua médica a alerta sobre a necessidade de começar a pensar sobre a maternidade.

Ter uma mutação nos genes BRCA não afeta a fertilidade, porém alguns métodos de prevenção e tratamento ao câncer sim. A médica de Jane diz que ela pode precisar passar por uma ovariectomia, que é a remoção de um ou ambos ovários. Isso significa que Jane precisa ponderar suas opções e o que ela quer para seu futuro. Ela é nova e acabou de começar a namorar Ben. Ter um filho é algo que ela poderia querer, mas ela não achava que precisaria considerar isso tão cedo. Eu entendo o porquê de ela ter ficado abalada.
Nós sempre achamos que teremos muito tempo até precisarmos tomar grandes decisões na nossa vida. Coisas que vêm (ou deveria vir) naturalmente, enquanto envelhecemos e amadurecemos. Mas e quando tempo é tudo o que você não tem? E quando essas grandes escolhas batem na sua porta sem você estar preparado para elas? Tendo perdido a mãe tão cedo, a maternidade é um tema bem sensível para Jane. Tão sensível que ela não consegue encontrar palavras para escrever um artigo sobre mães jovens. Achei interessante como o roteiro trouxe Sutton e Kat brincando no parquinho e chamando Jane, que não poderia se juntar às amigas porque estava segurando o bebê de uma das entrevistadas. Isso deu para Jane um vislumbre do que seu futuro poderia parecer se optasse por ter um filho agora. Pesquisando, descobri que a cirurgia não elimina 100% as chances de Jane engravidar. Ela poderia tentar in vitro. Ou ainda congelar seus óvulos. É algo que muitas mulheres nessas condições optam por fazer. Mesmo assim, são opções que não está pronta para ponderar.
Mais uma complicação toda nessa história é Ben. Achei prudente de Jane compartilhar com ele o que vem acontecendo com ela, mas não culpo o rapaz por surtar um pouco. É muita pressão para um relacionamento tão novo. Até porque ele é médico e sabe exatamente o que a condição de Jane significa. Será que isso desestabilizará a relação deles? Ryan está ali, sempre por perto, como um amigo, mas algo me diz que pronto para receber Jane em seus braços.
Kat não recebeu tanto espaço no episódio quanto Jane, mas teve uma participação marcante. Cleo ataca novamente e dá oportunidade para a diretora de mídia de fazer um merchandising básico para promover uma linha de cosméticos, que segundo ela são produtos inclusivos e ecologicamente corretos. Kat teria sido a escolhida para ser o rosto da marca Whole Spa por ser uma influencer. A mais jovem diretora de um departamento da Scarlet é alguém com quem a empresa quer se associar. Kat obviamente fica lisonjeada e aceita.
A pegadinha? Toda essa história era balela. Só queriam Kat para limpar a reputação da empresa, já que um escândalo estava prestes a eclodir de que o CEO da Whole Spa doava dinheiro para grupos racistas e anti-LGBTQ. Isso me lembra muito os casos de empresas brasileiras que publicamente apoiam causas sociais, LGBT e tal, ao mesmo tempo em que apoiam candidatos racistas/homofóbicos/misóginos e demitem funcionários LGBT. Também me lembra a polêmica que tomou conta da internet esses dias quando um cantor lançou um clipe beijando outro homem na mesma semana em que divulgou uma foto com um candidato que já disse publicamente que se tivesse um filho gay o curaria à pauladas.
Precisamos estar sempre atentos à real intenção das grandes marcas e artistas e apoiar quem merece, quem não explora as minorias para conseguir dinheiro, mas que na verdade está lutando contra seus direitos. Felizmente Kat não é nada boba e ao descobrir tudo isso deu um jeito de contornar suas obrigações contratuais e deixar claro o real caráter da campanha. Cleo não gostou nadinha disso, mas Jacqueline estava lá, pronta para defender a integridade de Kat e da revista. Não é a primeira vez que Cleo se faz de bem-intencionada, mas se mostra uma bela pedra no sapato. Será que ela vai tentar se livrar de Jacqueline por tanto contrariá-la?
Isso e muito mais descobriremos nos próximos episódios da temporada, que já está se encerrando. Não está sendo lá uma temporada tão empolgante, na minha opinião. Mas ainda é bom ter algo leve e empoderado para assistir.
> KILLING EVE, eu entendi errado! feat. Carol Moreira!
The Bold Note: achei bem interessante o ângulo que Jane ia seguir no seu artigo sobre filhos estarem se tornando mais um símbolo de status. Queria uma maior discussão sobre isso.
The Bold Note 2: o Freeform liberou no spotify a playlist oficial com as músicas que tocam na série. Ela é atualizada toda semana. Para conferir é só clicar aqui.
The Bold Note 3: meio off-topic mas vocês precisam conferir o cover maravilhoso que a Melora Hardin (Jacqueline) fez de “Never Enough”, canção do filme The Greatest Showman. Cadê um episódio musical?? Podem providenciar, roteiristas!






















