Supergirl toma algumas decisões que poderão mudar o futuro da série, em Shelter From The Storm.
Perto da reta final de sua terceira temporada, Supergirl pede uma nova chance, enquanto batalha para desenvolver o arco de sua Destruidora de Mundos, tão perto da conclusão do terceiro ano da série. Shelter From The Storm é um daqueles capítulos que entrega de tudo um pouco, aquele padrão sem foco que a produção já adotou e dificilmente irá se desprender. Temos romance, ação, aventura, suspense, mas diferente de outros episódios, porém, o décimo oitavo conseguiu se segurar mais e cometer poucos desvios de trama. Não é como em In Search Of Lost Time, em que ficamos divididos entre truques com capa e a memória do pai do J’onn e pela primeira vez o roteiro conseguiu trabalhar várias narrativas de maneira coesa, sem que o episódio terminasse como uma colcha de retalhos mal costurada.
Shelter From The Storm coloca Régia em um caminho de destruição, com um único alvo em mente, a irritante Ruby. A mais forte conexão de Sam no mundo, é compreensível que a vilã tenha decidido cortar esse laço de uma vez por todas. E até mesmo a justificativa para que ela optasse por não ir até o fim com o seu plano foi condizente com a trajetória da personagem até agora. Régia é um tipo de vilã nada complexa, mas o roteiro conseguiu trazer um pouco de aprofundamento em cima de um código que já havia morrido lá no começo da temporada, quando ela apareceu pela primeira vez e começou a livrar National City dos criminosos da cidade.
Por um bom tempo, contudo, Régia pareceu ter esquecido de sua missão principal. Perdemos Morgan Edge prematuramente e tão logo o vilão desapareceu, qualquer potencial para que a antagonista da temporada conseguisse confrontar qualquer tipo de bandido que não fosse o comum, de rua e becos escuros, sumiu. A decisão de retirar as outras duas destruidoras também não desceu bem, mas garantiu que Shelter tivesse uma abordagem menos espalhada e mais centralizada em uma personagem só. O que, no caso de Supergirl, é sempre bem-vindo.
A verdade é que esta terceira temporada está bem perdida dentro de si mesma. Tome como exemplo a saída da Legião e a permanência de Mon-El. Existiu algo ali que fizesse sentido? Parece que os roteiristas da série optaram entrar na maior quantidade de fóruns possíveis e decidir, através da opinião dos fãs, o que eles iriam fazer e o que riscariam da agenda. O primeiro corte foi com a maquiagem abismal do Brainiac, optando por deixar o ator sem qualquer pintura por alguns momentos. O segundo, a retirada das Destruidoras para manter um foco em cima da Régia. E o terceiro, a revelação de que os pods da nave da Legião tinham outros personagens, como Garoto Camaleão e que não estavam apenas vazios – uma informação que faria mais sentido lá no começo da temporada, mas que aqui, serviu para absolutamente nada além de uma resposta fácil para a trama da Pestilência. Ah, então ela morreu, mas a Régia absorveu seus poderes. O que impede a Legião de ir embora? Bom, um membro do time que estava infectado pela doença, mas que agora está bem. Alguém explica a falta de sutileza?

Outro ponto que deveria ter feito mais sentido, mas que serviu apenas para me fazer detestar mais uma personagem da série, foi a ideia de retornar a trama para Ruby e dar tanto destaque para a garota e tão pouco para a mãe dela. Teria sido bem melhor revisitar alguns momentos chave de Sam com a filha, enquanto ela está presa, do que visitar a mansão Luthor e acompanhar uma pré-adolescente irritante cometendo erros que a Alex também deveria ter antecipado. E se eu não gosto da personagem, a culpa é inteira do time criativo de Supergirl, que achou interessante fazer dela uma completa chatice ambulante.
A permanecia de Mon-El no presente é outro pronto que precisava de uma explicação melhor. Uma que fosse além das chances calculadas do Brainiac ou do discurso passivo de Imra, que decidiu que não valia a pena lutar por 7 anos de casamento, contra uma ex que chama o seu marido de amigo o tempo todo. Sabe o que é pior? A série resgatar o romance enquanto Kara e Mon-El estiverem ali, longe da Legião, apenas para forçar uma decisão lá no final da temporada. Mas confesso que esse pesadelo só será maior caso Imra não volte agora e tenha seu retorno no próximo ano, depois de já termos esquecido de sua existência.
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Supergirl está em uma fase que geralmente não é muito boa. A série que começou dando indicações de que se livraria da maldição das três temporadas recebeu todo o impacto nos bastidores, e não no roteiro, como Flash e Arrow. Tramas que não estão muito interessantes, mas que acrescentam bom dimensionamento de personagens também não fazem uma defesa boa para a série, já que J’onn e seu pai não carregam o apelo necessário para moldar o texto, não como queríamos. A esperança agora é que Supergirl e Régia finalmente possam se enfrentar, sem amarras. Já que não teremos a vilã super complexa e diferente de tudo o que o Arrowverse já fez, como prometeram, pelo menos que nos entreguem outra luta brutal como fizeram no natal. Lembra? Parece uma vida de distância.
Easter eggs e outras informações
– A mansão do Lex, cheia de armadilhas, é bem similar a do vilão em Superman: O filme.
– E como toda boa casa Luthor, temos uma versão bíblica em forma de pintura, aqui é a de São Miguel derrotando o diabo.















