Entramos na reta final de uma das temporadas mais esquecíveis de Grey’s Anatomy e mesmo com o festival de plots sem sentido que vimos nas últimas semanas, tanto Bad Reputation quanto Fight For Your Mind não são de todo ruins. Não que isso os coloque numa lista de melhores episódios, mas pelo menos eles tratam das coisas com simplicidade e mais objetividade do que temos visto ultimamente.

A começar por Bad Reputation, onde temos de volta o escândalo envolvendo Harper Avery e onde vemos a coisa estourar, numa clara alusão à recente onda de revelações feitas por mulheres (e até alguns homens) que sofreram com abuso sexual e assédio nas mãos de produtores, atores e figurões da indústria da TV e do cinema. A referência é importante e mostrar que esse tipo de crime não será mais tolerado também, mas em Grey’s a coisa ficou meio solta.

Como tudo nessa temporada, a impressão é de que a inserção do tema ficou meio solta, mesmo esse sendo um dos poucos arcos plantados com um pouco mais de tempo, desde a aparição de Marie e a descoberta de Meredith. De um jeito atropelado, depois disso, Jackson aborda uma médica que sofreu abuso e tivemos que presenciar Catherine ressaltando que ele seria o responsável por destruir a família. Pois bem. Não consigo compreender como é que surgem esses diálogos sem nenhuma noção e conexão com o que a série está mostrando. Adicionando-se aí que, Catherine vira heroína por fazer os acordos, tentar levar a culpa (oi?) até se tornar, ela mesma, o nome de uma nova fundação.

Entendo perfeitamente e apoio a exaltação das mulheres negras no poder. Se tem uma coisa que essa série faz bem é trazer representatividade, mas nada disso foi muito bem amarrado. Catherine, em específico, é uma personagem extremamente delicada e que em 90% das vezes age sem ética e sem empatia por outros. Ela está sempre fazendo o melhor para ela mesma. Mas, enfim. É o que é. Está feito. E Jackson pagou a conta pelos abusos do avô e pelas decisões controversas da mãe. Se tem alguém que sai com a imagem fortalecida é ele, mais que a mulher que tentam exaltar através de Catherine.

Uma coisa bem curiosa é o modo como a Relações Públicas do hospital/fundação quer tratar o caso. Péssima mensagem sobre os profissionais da área (e eu faço parte desse clube), ao mostrar um pensamento antiquado e uma tomada de decisão baseada em total desconhecimento do momento atual que vivemos. Assisti de nariz torcido, confesso, mas deve ter muita gente que ainda cria estratégias baseadas em mentiras, como se isso fosse durar u funciona em longo prazo.

Tivemos ainda a chaníssima bad de DeLuca, Arizona percebendo a insensibilidade de Carina e Owen em sua tentativa de paternidade, enquanto Amelia tenta ajudar a mãe do bebê. Uma verdadeira salada de coisas que entremeiam uma cirurgia com Meredith e Jackson, que se tornam uma dupla dinâmica, apta a resolver todos os problemas do momento. Ah sim, isso sem esquecer a aparição de uma das antigas enfermeiras do hospital, para nos lembrar do passado não tão distante de Karev como semeador de sífilis. Mais um item nessa saladona de tudo um pouco e nada com nada que segue em Fight For Your Mind.

Aqui, Karev continua em foco, dessa vez com a complicada relação que sempre teve com a mãe. Já falaram disso tantas e tantas vezes e nunca de fato mostraram nada. Foi bacana ver o personagem lidando com uma dor do passado que ainda é tão presente. E ver também o apoio que ele recebe de Jo nesse processo todo, em que ele precisa perdoar a mãe e compreender que ela está começando a caminhar sozinha, pela primeira vez na vida.

Arizona continua a ter problemas com Sofia e é claro que a solução criada para retirar a personagem na trama segue aos poucos. A paciente com medo de enfrentar uma cirurgia que salvaria seu bebê acaba guiando Arizona para a decisão final de ir para NY, onde Callie está e onde todas podem conviver de modo mais saudável.

Meredith, por sua vez, faz o que é certo. Devolve os prêmios e mais que isso, vem à público para revelar a verdade sobre um dos maiores feitos de sua mãe e de Marie, com a vantagem de que ela não tapa o sol com a peneira, como acontece no episódio anterior com Catherine e Jackson. Ela assume que a mãe tomou decisões muito erradas e que ultrapassam a barreira da ética e, mais grave, da amizade e corrige as coisas como pode, mas sem esquecer que Marie tentou destruí-la para conseguir que a verdade aparecesse.

O que é mais bacana no episódio, no entanto, é Bailey, que se recusa a abaixar a cabeça para o erro do médico demitido e sai por cima, trazendo-o de volta, com a promessa de ser a chefe e a mestra mais criteriosa da história. Quando ele fala “desculpas, aceitas” é impossível não rir (ou sorrir, pelo menos), porque ela sabe que não pode dar a ele o poder e ele sabe que vai aprender mais agora do que jamais teria aprendido.  O lance todo de imaginar as declarações com o “Your Honor” no final também trouxe um toque de humor ao episódio e a esta altura, estamos precisando muito disso em Gey’s Anatomy.

REVISÃO GERAL
Nota:
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