
Por que The Mentalist comete erros tão primários?
Spoilers Abaixo:
The Mentalist é uma série agradável de se ver. Nunca foi uma produção genial, e nunca se propôs a isso. Desde sua primeira temporada, a ideia sempre foi divertir o espectador com episódios leves, se apoiando em um protagonista com habilidades muito bem estruturadas desde a primeira linha de roteiro. Mas, se em seu primeiro ano a série conseguiu atingir em cheio essa proposta, as temporadas seguintes mostraram que uma fórmula pode se desgastar de maneira muito rápida, criando o enorme desafio para os roteiristas de fazer com que The Mentalist fuja da mesmice sem perder sua essência. É nesse clima que chegamos à terceira temporada, e, consequentemente, a este Rhapsody in Red. Com ele, a prova de que os roteiristas ainda não conseguem amadurecer o suficiente seu texto para que The Mentalist volte a brilhar.
Nessa semana, The Mentalist conta a história do assassinato de Eleanor Artega, integrante de uma orquestra, encontrada morta em um ponto de ônibus. A equipe da CBI é chamada para a investigação, e, na cena do crime, Cho tem seu carro roubado por um menino. Seu nome é Anthony Rome, e ele logo é apanhado pela polícia de Sacramento, deixando o garoto aos cuidados de Cho. A verdade é que o menino está tentando tirar seu pai da cadeia, acreditando que ele não cometeu o crime pelo qual está sendo julgado. Além disso, Anthony possui informações relevantes sobre o assassinato de Eleanor, e as utiliza para tentar se livrar de sua escolta.
Quem acompanha minhas reviews em outras séries sabe o quanto insisto em dizer que um season finale é um episódio especial que deve ser preparado de maneira diferente dos outros. No caso de um procedural, essa necessidade não é tão forte, mas o capítulo anterior precisa, mesmo assim, causar no espectador alguma expectativa pelo que vem na semana seguinte. Rhapsody in Red sequer tenta atingir esse nível, limitando-se a narrar uma investigação comum de meio de temporada, sem sequer inserir em segundo plano algum plot que prepare o terreno para o season finale. Será que todos os season finales de The Mentalist sofrerão desse mal? As duas primeiras temporadas tiveram essa mesma característica, e é impossível não definir essa reta final como “mais do mesmo”. É verdade que o arco principal será retomado semana que vem, e a série terá duas horas para desenvolvê-lo de maneira apropriada, mas será que os roteiristas conseguem criar um texto para tanto tempo de tela?
Apesar de não ser apropriado para essa situação, o desenvolvimento do caso de Rhapsody in Red consegue ser eficiente, conduzindo a investigação de forma divertida, procurando torná-la menos repetitiva. Mesmo investindo em uma grande enrolação por maior parte do tempo, o roteiro consegue ser competente ao fazê-lo, aproveitando para fazer com que o espectador conheça mais da vida da vítima, e apontando que qualquer um ali poderia tê-la matado. Aliás, é esse o motivo de a enorme quantidade de personagens introduzidos não causar tanto cansaço visual quanto em outras situações. Aqui, eles conseguem se interligar de maneira mais inteligente. Lembrou-me um episódio da temporada passada que um chef foi assassinado, cujo nome me foge no momento.
Já o desfecho, muito repentino e socado, decepciona. Aliás, não é a primeira vez que isso acontece, o que de certa forma é uma grande incoerência. Se a série passa grande parte do tempo enrolando, por que encerrar sua trama de maneira tão mal trabalhada? Dessa forma, o espectador se sente traído pelo roteiro, uma vez que aguardou mais de meia hora para ver uma resolução sem maiores cuidados. É esse tipo de inconsistência que assombra The Mentalist.
Ainda comentando sobre a investigação, é importante notar como Jane cresceu nos últimos episódios, no que diz respeito ao que ele mais sabe fazer. Em Rhapsody in Red, ele consegue usar suas habilidades exatamente da forma como Bruno Heller (criador da série) as concebeu: como um artifício para resolução de casos, que intrigue o espectador a ponto de esse admirar o que está vendo. É exatamente isso que acontece na cena em que Jane manipula os músicos, fazendo-os pensar que Vincent abusara de Eleanor. Uma sequência simples e sem firulas, além de não parecer repetitiva, mesmo sendo uma estratégia já vista outras vezes. The Mentalist não precisa se reinventar a cada episódio para não cansar o espectador. Basta explorar suas características de maneira mais inteligente.
Na mesma medida que o episódio acerta com seu protagonista, erra feio com todos os outros coadjuvantes, completamente perdidos na trama. Talvez como uma forma de dar maior destaque a eles, surge o garoto Anthony. E, na tentativa de criar cenas de humor, os roteiristas tornam os agentes da CBI, principalmente Rigsby, caricaturas de verdadeiros policiais, trombando-se como amadores em treinamento. O problema não é Anthony conseguir enganar agentes profissionais, e sim que isso seja feito de maneira tão infantil, tornando a sempre esperta equipe da CBI extremamente incoerente. Além disso, o plot não tem propósito algum, a não ser a fracassada tentativa de criar comédia.
No último episódio da série antes do seu season finale, The Mentalist ignora princípios básicos de desenvolvimento de roteiro, força situações e acaba ofuscando os momentos bem elaborados, principalmente no caso da semana. Não há dúvidas de que o final de temporada terá outra abordagem, mas, será suficiente?














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