Se traduzirmos visualmente a temporada de The Alienist em um gráfico de linha, este seria como o trilho de uma montanha-russa, repleto de de altos e baixos. Felizmente, esse penúltimo capítulo joga a expectativa lá em cima, trazendo uma qualidade e tensão necessários para o desfecho de todo o mistério na finale.
Ficou bastante óbvio o caminho que a série deve seguir neste encerramento. De um lado temos o fatídico confronto com o assassino serial que aterroriza a cidade e do outro temos a vingança contra Connor e o time de supressores da investigação que ficaram marcados após a morte de Mary. Esse artifício de roteiro não foi lá o mais bem trabalhado, mas conseguiu surtir efeito em um viés social que a série propôs lá no começo. Connor além de ser um escroto de marca maior, se utiliza da autoridade ou das conexões nela para assim calar suas vítimas. Ele foi até o ponto do assassinato para calar Mary e ameaçou prontamente a vida de Sara quando necessário. O padrão não poderia ser mais moderno: um homem munido de poder, ameaçando alguém mais fraco, geralmente uma mulher (paralelos com fatos recentes em terras brasileiras é mera coincidência).
O luto de Kreizler ironicamente acabou alavancando a investigação e trazendo mais informações com a equipe formada na ausência dele. Parece que o doutor, com toda sua mania de controle e suas fúrias pessoais em meio aos problemas analíticos das pistas, atrapalhava mais do que ajudava. Sara, John e os Isaacson conseguiram montar o complicado perfil do assassino e descobrir seus modos e seu passado. Com isso finalmente sabemos quem está cometendo os crimes, mas ainda não temos um rosto para a figura: John Beecham.

Seguindo a cartilha das origens da psicopatia, ele utilizou uma situação traumática da infância como estopim para seus atos hediondos em idade adulta. Violentado quando criança, ele assume o nome do agressor como uma lembrança doentia e assim perpetuar suas frustrações em outros. Cada pedaço da mente perturbada do assassino remete às suas falhas, aos momentos em que ele foi humilhado (na infância pela sua deformidade facial, na vida adulta pelos mesmos fatos). Humilhações essas que servem como motor para o desejo sexual deviante do personagem e numa mistura sádica de prazer e dor, inflige o mesmo a garotos inocentes, lembranças vivas dos conflitos paternos que eles carregam em comum. Finalmente a carga de tensão que tinha sido apresentada no começo da série é tinha lentamente se apagando retornou aqui. A sequência final em que ele assassina sua última vítima, com os sons abafados da facadas e cortes na carne jovem, o corpo sendo arrastado contra o azulejo frio da casa de banhos foi uma das coisas mais poderosas que a série apresentou até então.
Assim, pavimentado com sangue, o caminho para a finale cria o clima necessário e deixa o espectador na ponta da cadeira, na espera para o derradeiro combate em ambas as frentes. Até a próxima semana com o finale!















