Agents of S.H.I.E.L.D. abusa da viagem no tempo para explicar sua trama e termina confundindo com The Last Day.

Episódios com (sobre) viagem no tempo usualmente confundem mais do que explicam. Paradoxos, regras, linhas temporais alternativas, estes são fatores arriscados de se trabalhar. Foram poucas as produções que fizeram uso deste artifício e não terminaram confundindo mais do que pretendiam. Com Agents of S.H.I.E.L.D. não foi diferente e apesar de bem mais leve em sua abordagem, a sensação de confusão não conseguiu ser aplacada, por mais revelador que The Last Day tenha sido.

Também não acho que seja impossível ver o time salvando o futuro, assim como tenho certeza de que Fitz também crê, mesmo que minimante, nesta possibilidade. Apesar de acreditar piamente que todos estão presos em uma repetição, fadados a ir e voltar no tempo eternamente enquanto o tempo passa para todas as outras pessoas, ele continua desenvolvendo as ideias para a construção da máquina do tempo. Existe fé. E foi por causa desta fé que as possíveis incontáveis viagens no tempo garantiram que May descobrisse a respeito de Flint.

Acredito que nossos agentes estavam mesmo presos em uma espécie de bolha temporal, indo e voltando o tempo todo para o passado e com o mesmo resultado. Existem alguns detalhes que me forçam a ter esta impressão. Por exemplo, a falta de memória que os personagens da linha do tempo de 2021 discutem. Por que exatamente eles perderiam a memória após voltarem para o passado? Isso aconteceu porque estávamos observando a primeira linha do tempo em que os heróis ainda não haviam voltado. Provando a teoria do Fitz de que é mesmo um trabalho hercúleo voltar no tempo e mudar alguma coisa no futuro. Contudo, a própria revelação da Robin para a May em seu último sussurro, é uma informação relevante suficiente para acreditar que era apenas uma questão de quando Robin ia conseguir ver a forma deles retornarem e obter sucesso. May não sabia a respeito do Flint porque Robin ainda não havia tido essa visão, mas Fitz já sabia que apesar de tudo, Daisy ainda tinha voltado no tempo e causado sua destruição. Ou seja, existiam lembranças de alguns eventos que só podiam ser “sobras” das primeiras tentativas.

O problema é que lidar com várias linhas e muita confusão, especialmente em Robin repetindo palavras em sentido, apresentando desenhos, deixou o episódio menos revelador do que eu gostaria. Teria sido bem mais interessante acompanhar um capítulo inteiro centralizado no pós destruição do planeta do que na fórmula empregada, que alternou presente, passado e futuro/passado enquanto também precisava lidar com o Farol e as armações dentro do Zephyr. Este gigantesco emaranhado deixou o episódio com menos informações relevantes do que pretendiam e bem mais confusão do que esperavam. Ainda não recebemos todas as informações e a sensação de aprisionamento dentro de uma trama complexa perdura. Este havia sido o momento antecipado como o revelador, em que parte das respostas seriam entregues. Bom, algumas realmente foram, mas não surtiram o impacto desejado dentro do que já fizeram até o momento. Existe muita predeterminação e uma sensação que já senti antes, em Doctor Who, mas poucas regras foram exploradas e isso é o que mais prejudicou The Last Day. A Marvel ainda não delimitou o que é e o que não é possível dentro da viagem no tempo.

A história da Robin é extremamente triste, apesar de conter vários momentos belos e de doçura, trocados entre ela e May, sua mãe adotiva. Faz sentido ver May adotando a garotinha inumana, já que este tema tem conexão direta com a sua maior dor, a morte de outra criança que lhe rendeu o nome de Cavalaria. Durante o arco Framework o arrependimento retirado de Melinda foi o momento decisivo em que ela decidiu que a morte de uma garota seria a única maneira de salvar a várias outras pessoas. Logo, tê-la desenvolvendo um relacionamento de mãe e filha, além de um lado menos agressivo e mais compreensível, faz total sentido. Além de oferecer um novo viés para uma personagem que é mais utilizada como máquina de luta.

Infelizmente The Last Day abusou demais da quantidade de tramas acontecendo ao mesmo tempo, adicionadas ao já confuso elemento da viagem no tempo, em que temos os personagens em 2022 e 2091 tentando resolver um gigante quebra cabeças temporal, sem grande sucesso. Temos alguns vislumbres sobre o que aconteceu, com Fitz e Simmons sobrevivendo, ao lado de May e Yo Yo, mas nada de Coulson, Mack e Daisy. Sem mencionar a ação de Mack, Flint e Yo Yo dentro do Farol, lutando contra as “baratas”, que apesar de ter sido interessante e garantido ótimas cenas, desviou bastante o assunto tema do capítulo.

Flint, o inumano capaz de manipular pedras, será o responsável por ajudar a equipe a voltar para o passado, obviamente usando seus poderes para remontar o obelisco de viagem no tempo. Contudo, ainda caímos dentro do que o Fitz de 2022 disse a respeito do ponto fixo no tempo e de que tudo não passava de uma repetição de coisas que eles já haviam vivido antes. Claro que existem diferenciais, como May aprendendo o nome do Flint, como mencionei acima, mas também existem detalhes que precisam de maior explicação. Será que o Fitz era o pai do Deke e por isso guardou um pedaço do obelisco? Como mencionado, ainda precisamos de mais algumas respostas, mas acredito que nem todas aparecerão até que o time realmente volte para o passado.

Até agora a Marvel só tratou de um evento de viagem no tempo, com Doutor Estranho, através do uso da joia do tempo. Logo, o tal acordo entre Coulson e um possível retorno do Motorista Fantasma conseguiria ajudar na resolução deste problema e evitar que Daisy ou qualquer outra pessoa destrua o planeta. Com um episódio um pouco confuso, mas revelador em alguns pontos, Agents of S.H.I.E.L.D. já esgotou seu motivo para permanecer naquela linha do tempo. Resta agora voltar, mais uma vez, para o Farol e lidar com Kasius e Sinara, antes de conseguir que Flint localize os fragmentos do obelisco para que o time possa, finalmente, voltar para o passado e ver um pouco da luz solar.

Easter eggs e outras informações:

– O Fitz e a Jemma de 2022 estavam ostentando suas alianças. Parece que o casamento vai mesmo acontecer.

– Adoro as cenas com a Yo Yo usando seu poder e a deste episódio com os Vrellnexians foram ótimas.

– Um dos desenhos da Robin é de uma praia, com uma palmeira. Seria Taiti?

REVISÃO GERAL
Nota:
Artigo anteriorThe Good Place 2×10: Rhonda, Diana, Jake, and Trent
Próximo artigoThe Good Doctor 1×12: Islands: Part Two
agents-of-s-h-i-e-l-d-5x08-the-last-dayAgents of S.H.I.E.L.D. abusa da viagem no tempo para explicar sua trama e termina confundindo com The Last Day.