Com Rewind a série dos Agentes da S.H.I.E.L.D. apertou o botão de rebobinar com sua melhor dupla, Fitz e Hunter.
Encarando a série como uma produção que está há 74 anos no futuro, o quinto episódio da forte quinta temporada da série funciona como um grandioso flashback, preenchendo lacunas enquanto pavimenta o caminho para o ápice de seu primeiro arco, de três, para o ano atual. Durante a estadia dentro do Framework, Leo Fitz foi o personagem que mais mudou, graças a simulação criada por Radcliffe e conduzida por Aida. Fora dela e diferente do restante dos personagens, talvez em um nível menos conturbado, May, o cientista com certeza figurou como o mais traumatizado pela experiência. E centralizado em desvendar um pouco da mentalidade de seu herói, Rewind nos posiciona dentro deste jogo mental de culpa e arrependimento.
O que o inteligente roteiro de Craig Titley faz é contar o trauma de Fitz de maneira “rápida”, apesar de arrastar por várias semanas o estado mental problemático em que o personagem se encontra. Durante boa parte de sua prisão, enquanto procura uma maneira de localizar seus amigos, Fitz se culpa por suas ações dentro do Framework, colocando-o novamente como alguém no limite. Por ter 74 anos de espaço para alavancar emocionalmente o personagem, o roteiro age de forma rápida, dentro de um espaço controlado e com objetivos simples. Leo quer encontrar os amigos porque acredita que ele mesmo possa ter feito algo de ruim com eles, graças ao lapso de memória sofrido. Até conformar-se de que não é o culpado, o herói trilha um caminho obscuro de autoflagelação e finalmente de certa paz interior.
Logo, até encontrar-se com Lance Hunter de novo, o que temos é um conjunto de cenas que trabalham unicamente para que Fitz lide com seu trauma pessoal, enquanto assiste jogos de futebol – uma inteligente sacada para trazer de volta a humanidade do homem que figurou como vilão de um arco da série, mesmo que dentro de uma simulação “E se…”. Titley, que também escreveu o fenomenal 4,722 Hours, sabe como trabalhar o isolamento e refez parte deste acumulo sentimental no episódio, em várias instâncias.
Contudo, a grande joia do episódio atende pelo nome de Lance Hunter, personagem que deu adeus a série no tocante Parting Shot, da terceira temporada, junto com sua parceira e complicado romance, Bobbi ‘Harpia’ Morse. Aqui Lance funciona não apenas para resgatar Fitz da prisão e ajudá-lo a descobrir o que aconteceu com os outros agentes, mas para oferecer uma compreensão melhor do que o cientista está lutando para tentar compreender. É possível que exista um lado negro, assim como a falta de controle, sem que a humanidade seja descartada. Logo, ver Fitz abraçando um traço mais corajoso, já expressado por ele antes (lembra quando a Jemma desapareceu a primeira vez?), é uma conclusão satisfatória para a trama que teve início quando Ward o jogou no oceano e o sentenciou a morte, junto de Jemma.

Claro que o episódio não deixa de lado a parte mitológica e traz Enoque para fechar o círculo da viagem no tempo, predestinação e apocalipse que nossos heróis estão já acostumados. É através de sua existência que também temos o retorno de Robin e sua mãe, fazendo o elo de conexão com a crescente expansão da história dos inumanos dentro da série – de uma maneira que a própria série dos inumanos não conseguiu, ou tentou. São eles que oferecem muito da explicação que precisamos ter a respeito da viagem no tempo, assim como a profecia criada e nutrida durante tanto tempo.
A volta de personagens conhecidos é ótima, mas a apresentação de novos antagonistas também. O exército está contra esses agentes, graças a atividade da LMD Daisy, que atirou na cabeça do Talbot no final da temporada passada. Contudo, a misteriosa mulher responsável pela morte de seus soldados deverá figurar como a ponte entre o vilão que a série precisará reestabelecer quando os personagens voltarem para o presente – e isso acontecerá, não se iluda. Agents of S.H.I.E.L.D. já provou que consegue andar sozinha, mas ela ainda é vista internamente como uma plataforma de divulgação para os filmes da casa e a não ser que Tony Stark e amigos terminem neste futuro desolado, o mais acertado é a volta dos agentes para o “presente”, que agora é passado, durante este futuro…
No final, a impressão que fica é a de que os nossos agentes encontrarão uma maneira de voltar no tempo, exatamente alguns minutos antes – talvez depois – da captura de Enoque, afinal não faria muito sentido termos dois Fitz existindo na mesma linha do tempo, mesmo que a série em questão seja Agents of S.H.I.E.L.D. Mas paralelos temporais de lado, criar problemas com este tema é algo exclusivo do Flash, Rewind é um poderoso episódio por ter conseguido trazer um personagem carismático de volta, um que nunca deveria ter saído da série – malditos executivos da ABC – e o inserir novamente dentro do misto de confusão e drama já característico da produção, com uma leve, porém satisfatória dose de ação. Uma coisa, contudo, ficou bem óbvia, MAoS nunca esteve tão forte e consistente em sua reta inicial e mesmo que o primeiro arco do Motorista Fantasma não tenha me convencido de imediato, aqui a segurança em algo competente e coeso já está assegurada.
Easter eggs e outras informações em Rewind:
– Na maleta que o Fitz fez com os pertences dos amigos, além do machado-shotgun do Mack, é possível ver as luvas da Daisy.
– Em determinado momento, na televisão, é noticiada que a S.H.I.E.L.D. será dissolvida, de novo. Vai ser complicado aceitar o retorno da agência agora.
– A cena em que o Fitz e o Hunter se despedem é retirada de Star Wars: O Império Contra-Ataca, quando Leia se despede do Han Solo antes dele ser congelado em carbonita com um “eu te amo”, apenas para ouvir do contrabandista um “eu sei”.
– Fitz estava a 365 milhões de milhas da Terra, algo que o coloca próximo de Júpiter.
– E se mesmo com o time no futuro a Terra ainda foi destruída, então Quake a Destruidora de Mundos não foi responsável. Pelo menos não ainda… Paradoxos temporais são difíceis de acompanhar.
– Agora resta saber qual a conexão da Robin (garotinha) com Deke, algo me diz que ela possa ser avó dele, talvez mãe…
– Toda a explicação dada pelo Hunter a respeito das aventuras dele e da Bobbi são na verdade o plano que a Marvel tinha para a cancelada Most Wanted.
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– Fitz estava contando os dias com desenho de macacos. Uma conexão com o Fitz do começo da série, que queria um macaco e também com o das histórias em quadrinhos, que chegou a ter um.
– Ainda não foi revelada a espécie do Enoque, mas tudo me leva a entender que ele seja um “Rigellian Recorders”, raça de robôs sentientes criados pelos Rigellians e que foram usados por Uatu, o Observador – que é responsável por observar momentos grandiosos, mas sem interferir.















