Irreconcilable Differences foi responsável por reunir em um único episódio praticamente todos os principais arcos que vieram sendo trabalhados nesta temporada. A premissa soou boa, no entanto, o roteiro não conseguiu manter o nível que se esperava de um momento tão importante no ano.

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Os episódios que marcam o fim da primeira parte da temporada geralmente trazem grandes embates entre o Arqueiro e seu antagonista da vez, momentos de explodir nossas cabeças e a criação de uma maré de expectativa para os episódios pós-hiatus. Já vimos Oliver caindo de um desfiladeiro para a morte, já vimos Felicity sendo alvejada, já vimos o Arqueiro sendo induzido a matar um inocente e já vimos até mesmo o Flash nascer. Todos esses momentos, querendo ou não, marcaram a história da série e trouxeram grandes reviravoltas de roteiro, por isso mesmo é lamentável perceber que, por mais que a série tenha se esforçado, não conseguiu entregar nada de memorável neste que devia ser o grande momento da temporada até aqui.

Após nos brindarem com uma temporada inteira sem dar atenção para o relacionamento entre Oliver e Felicity, os roteiristas acharam que seria já um ótimo momento para juntá-los de vez e enervar aqueles que defendem que o casal foi o começo da derrocada da série. Não dando atenção para o fato de Oliver estar enfrentando um seríssimo processo ou do filho pré-adolescente ter perdido a mãe há menos de um ano. Entendemos que Willian aceita Felicity, mas um pai jamais deve aparecer casado da noite para o dia, deixando o filho, que está sob sua custódia, no escuro. Tal decisão deve ser comunicada, conversada, afinal, Felicity não será mais uma simples namorada, mas sim um novo modelo de mãe para um garoto traumatizado. Não tivemos nenhuma cena para aparar estas arestas, e sim um pedido esdrúxulo de casamento no meio do casamento alheio e uma festa recheada de “vocês nasceram um para o outro” e drama de personagens com quem pouco nos importamos (aqui falo diretamente com você, Curtis).

O casamento, hora ou outra, definitivamente iria acontecer, porém, o timing aqui foi equivocado e só deixou a impressão que poderíamos estar vendo coisas mais importantes (e urgentes) do que tudo aquilo que nos foi mostrado nos dez minutos iniciais. Mas agora, com o leite derramado, só nos resta torcer que o casal fique junto e feliz pelo resto da série para sermos poupados de presenciar novamente todo o drama da separação. Entre deixar Oliver com Felicity ou acompanhar novamente um Oliver amargurado por perder a amada, eu prefiro, com certeza, a primeira opção.

O episódio, infelizmente, consegue piorar ainda mais após a sequência da festa e ainda estou com sérias dificuldades para assimilar e entender porque mais uma vez a equipe criativa da série resolveu usar a carta da traição para tentar mexer um pouco a panela. Apesar de ter proporcionado um espaço maior para os três novatos no time, inclusive com uma boa oportunidade para os atores mostrarem seu trabalho, o arco envolvendo a falta de confiança de Oliver foi extremamente cansativo, ainda mais sabendo que ele já enfrentou e superou esse seu problema anteriormente. Não precisamos de, mais uma vez, ver alguém dizendo para Oliver que ele precisa aprender a confiar nas pessoas.

Espionar os membros do seu time, e ainda por cima, com o apoio de Diggle e Felicity (que só por serem membros antigos, sempre parecem estar acima de qualquer suspeita), é coisa de gente que não está acostumada a trabalhar em equipe, caso que Oliver não se enquadra. Como líder e, acima de tudo, amigo daquelas pessoas, Oliver deveria ser maduro, sincero e direto e não sair atacando alguém só por manter contato com um ex. Seu senso de autoritarismo ali falou mais alto e só mostra que, apesar de já estar acostumado, o Arqueiro nunca conseguiu realmente se enquadrar em uma dinâmica de equipe.

Arrow 6x09: Irreconcilable Differences
Arrow 6×09: Irreconcilable Differences

Podemos ainda elencar outras incoerências no arco em questão, como Oliver ter posto na cabeça que o traidor estava entre Dinah, René e Curtis, quando outros membros que já passaram pela equipe estão pelo mundo e mereciam uma investigação. A traição do Cão Raivoso teve um motivo que tentou ser justificável, mas que, se analisarmos mais a fundo, foi apenas artifício de roteiro para separar a equipe inteira e tentar contar uma nova história quando a série retornar ano que vem. Mesmo com a ameaça de perder a filha, René sempre se mostrou muito mais íntegro do que uma Evelyn Sharp da vida, e não parece concebível que ele aceitaria tal imposição sem tentar uma saída com a equipe. Repetindo, saída fácil de roteiro para que a série possa dizer que gosta de se reinventar.

Enquanto Oliver tinha problemas de relacionamento com a equipe inteira, Lance tentava ter um relacionamento com a “evil Laurel”. Confesso que gosto da dinâmica entre os dois, e as falas de Lance aqui foram muito mais dentro da realidade do que algo do tipo “não importa de que terra seja, ela é minha filha”, mas tal aproximação me preocupa por vislumbrar um caminho de redenção para a Sereia Negra, o que é tudo que a série não precisa no momento. Transformar a Laurel da Terra-2 na Laurel na Terra-1 é cuspir mais uma vez no túmulo da antiga Canário Negro e a série deve entender que se tratam de personagens completamente diferentes e que muita coisa pode ser feita com esta Laurel sem precisar apelar para o arco da vilã que encontrou o amor e o amparo familiar. Se se propuseram a trazer Katie Cassidy de volta, que deem a atriz um material completamente diferente para trabalhar.

Outra questão que Arrow deixou clara que não consegue trabalhar com precisão com Irreconcilable Differences é o arco de seu vilão da vez. Tudo que envolve Cayden James já está começando a se tornar cansativo, e isso porque temos apenas uns três episódios com o personagem até agora. Cada aparição do hacker parece a mesma, com o mesmo discurso, os mesmos trejeitos, o mesmo cenário, as mesmas ações. James não é um personagem que funciona bem em Arrow porque se sustenta muito em ameaças tecnológicas e pouco em embates diretos e crus com o protagonista como estamos acostumados a ver, talvez por isso mesmo a série tenha optado por criar sua própria Legião do Mal, com cada um ali provavelmente tendo uma função diferente no grande plano de desestabilizar a equipe do Arqueiro.

O time de vilões, mesmo contando com peças bem desinteressantes e aleatórias como o Dragão, é uma ideia que pode funcionar se manterem todos em pé de igualdade e não apenas um “Cayden James e seus capangas”, mas, ao mesmo tempo, é a confissão da série de que não conseguiria criar um outro vilão à altura de Prometheus, e por isso precisou reunir vários. Resta saber se todos esses personagens receberão um tratamento digno e multifacetal.

Irreconcilable Differences não foi um bom episódio de midseason finale de uma série como Arrow, principalmente se compararmos com os episódios que as outras séries da CW entregaram durante a semana.

Flechadas:

– René será testemunha contra Oliver (até agora), mas ainda não ficou claro se ele está por trás de todas as informações que o FBI vem colhendo, inclusive a foto da premiere. Meu palpite aqui ainda é alguém do time de Cayden James.

– Na cena final deu para sentir uma certa ligação entre a investigação que Oliver está sofrendo e os planos de James, talvez a teoria de alguns esteja certa e Watson seja cúmplice de tudo isso. Pessoalmente, não queria que a narrativa seguisse esse caminho.

– Thea fez menção à Roy (que deve fazer uma participação nesta temporada), e ao ex-namorado DJ que quase a matou na terceira temporada.

– Arranjar espaço para citar Thea apenas nas observações finais é uma prova de que a personagem, infelizmente, perdeu muito espaço na série. Será que podemos torcer que Speedy retornará com a quebra da equipe?

– Arrow retorna agora apenas no dia 19 de Janeiro. Boas festas para vocês e até lá!

REVISÃO GERAL
Nota:
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arrow-6x09-irreconcilable-differencesArrow tropeça em Irreconcilable Differences e não consegue entregar um episódio à sua altura.