
Com mais dois episódios, Happy Endings continuou sua evolução e dá mais indicativos que poderá ser uma surpresa desse final de temporada.
Spoilers Abaixo:
“Your Couple Friends & Neighboors” foca no casal composto por Brad e Jane. Tarefa complicada, já que o humor de casais é um modo de humor um pouco difícil de ser realizado, mas que consegue ser bem efetuado.
Vemos neste capítulo o casal em um encontro com dois amigos, Carl e Diane, que se segue por um pedido de Jane para que Brad tente se aproximar de Carl, mesmo não sendo muito bom em construir novas amizades. No processo, descobrimos que o casamento de ambos não é tão perfeito quanto aparenta.
O fato é que o rompimento de Dave e Alex ainda deixou marcas no casal, que se sentiu isolado em um grupo composto por solteiros, o que ao mesmo tempo alimentou o espírito controlador de Jane a procurar sozinha por um terapeuta de casais e, posteriormente, por outro casal para que ambos pudessem se abrir. Foi uma trama, além de engraçada, interessante do ponto de vista de exploração dos personagens ao ser tecida com o objetivo de fazê-los perceber que precisavam se abrir mais um com o outro. A força da trama ainda é reforçada pelas boas atuações de Eliza Coupe e Damon Wayas Jr.
Os outros personagens possuem um foco menor, mas que consegue com pouco tempo de tela divertir. Max e Dave na trama que começa com a tentativa de descobrir quem está fazendo um assalto noturno na geladeira e que acaba com a revelação de um residente do teto. Enquanto isto, Alex descobre que esta pronta para conhecer novos homens e arranja um encontro com o pintor Malcolm… Justamente o sujeito que mora no teto de seu ex-noivo.
O encontro das duas tramas, entretanto, deixou um pouco a desejar. Desde que Dave mencionou sobre ter gostado dos quadros do pintor eu já imaginava que eles teriam sido feitos com inspiração em seu sofrimento ao ser largado no altar. Mesmo assim, ainda conseguimos umas boas risadas com a revelação sobre o código de ética de Malcolm que, ao mesmo tempo em que rouba a comida da geladeira dos outros e mora no teto deles sem permissão, se recusa a sair com Alex por seu envolvimento com Dave.
O capítulo também desperdiça outra fonte de boas piadas, ao passar de forma rasteira pelo sonambulismo de Dave, fato que reconhece ao colocar o tema como cena adicional, mas este aspecto de sua personalidade surge suficientemente interessante para ser melhor aproveitado no futuro.
Apesar de alguns problemas, Happy Endings mostrou mais um bom capítulo e que continuou me deixando suficientemente interessado em acompanhar a série, apesar de achar que alguns pontos precisam ser melhorados. E afinal, como achar ruim um episódio aonde logo em seus momentos iniciais é feita uma referência completamente orgânica a “O Senhor dos Anéis”?
Desde o início da série, o grande destaque em termos de humor é o personagem Max, que consegue fazer o papel do amigo gay e, ao mesmo tempo, fugir dos estereótipos que se figuram sobre o tema. Portanto, desde as primeiras impressões esperava ver como ele funcionaria sendo o foco da narrativa no futuro. Felizmente, “Mein Coming Out” consegue mostrar que Max tem força para segurar um capítulo sozinho nas costas se necessário.
A trama é bastante simples: Os pais de Max estão chegando à cidade e ainda não sabem que o filho é homossexual, portanto ele precisa de alguma mulher para fazer o papel de “barba” e disfarçar a homossexualidade para os pais. Papel que era usualmente desempenhado por Penny, mas que não pode por estar em um encontro às cegas.
Desde o princípio, já é divertido ver Max tentando desviar o foco das atenções para a falsa homossexualidade de Dave, e o desconforto do amigo na cena tentando dizer que Max tinha uma coisa para contar e recebendo em resposta “Dave is gay” já vale o episódio.
Enquanto isto, Jane tenta fazer o papel de “barba”. Ver os esforços dela para tentar comprar a afeição dos pais de Max é outro grande momento. Desde os beijos em público, que resulta em uma cena hilariante entre a mãe de Max e Dave, até sua tentativa de fazer comentários para os pais judeus do amigo.
Enquanto isso, Penny faz uma trama paralela em que conhece um rapaz chamado Doug (fãs de Community o reconhecerão como um personagem da série). Mas acaba descobrindo que o sobrenome do pretendente é Hitler. Nessa trama, devo confessar, a série me pegou de surpresa. Enquanto eu esperava uma série de piadas a respeito do sobrenome e que faria com que duvidássemos do caráter do sujeito, acaba acontecendo algo bem diferente e o próprio sujeito dispensa Penny devido à sua obsessão pelo sobrenome. Final que mostra à personagem o quanto a natureza obsessiva dela consegue prejudicá-la.
Em dado momento, todas as tramas se encontram, e é justamente nesse momento que Max resolve “sair do armário” e revelar a preferência sexual. Numa cena mais sentimental, e com certa dose de clichês, sobre os pais falando o quanto o amam e apóiam sua sexualidade.
E claro que não poderia deixar de faltar um comentário sobre a divertidíssima cena adicional de Max e Jane no country club. Talvez tenha sido a maior gargalhada que eu dei durante toda a série, o que é um ótimo sinal.
Em linhas gerais, podemos dizer que Happy Endings consegue ser uma série bastante eficiente, apesar de alguns problemas apontados. Cabe ressaltar que a evolução dela continuou nessa segunda semana, o que pode ser um indicativo bom do que está por vir.













