Louis C.K., premiado ator, roteirista, diretor e produtor, muito conhecido no mundo das séries, fez um pronunciamento sobre as acusações de assédio envolvendo seu nome. Em matéria publicada pelo New York Times na última quinta-feira, cinco mulheres relatam diversas situações nas quais o ator teria se masturbado diante delas ou insinuado isso em conversa. As narrativas envolvem acontecimentos que datam de 2002, quando o fato ocorrera diante de duas comediantes, Dana Min Goodman and Julia Wolov.

As acusações não são de hoje e há diversos rumores circulando na indústria há certo tempo. Em agosto, por exemplo, a comediante Tig Notaro declarou publicamente que romperia relações de trabalho com Louis na série One Mississippi (Amazon), devido às diversas acusações a respeito de seu comportamento.

Diferente do ano que ia tendo até aqui, que inclui nomeações a premiações e a aclamada recepção da segunda temporada de Better Things, as consequências para a matéria do New York Times, principalmente após sua declaração, envolvem uma manifestação de sua parceira de trabalho, Pamela Adlon, que chamou seu comportamento de “abominável”. Outras ações incluem o rompimento com seu empresário, Dave Becky e a agência 3 Arts Management, o publicitário, Lewis Kay, e a agência APA. O canal TBS anunciou a suspensão da produção de The Cops, uma animação co-criada por ele e o canal FX cortou laços com Louis e sua produtora, Pig Newton, afirmando que ele não atuará mais como consultor ou na produção executiva de nenhuma série do canal. Isso significa o cancelamento da sua premiada comédia Louie, que estava em hiato desde 2015 com a conclusão da 5ª temporada e mais nenhuma participação criativa em Better Things e Baskets, outras duas comédias da emissora, produzidas por ele. Além disso, há o cancelamento de eventos que incluíam sua participação, como a pré-estreia do filme I Love You, Daddy.

Louis e seu ex-empresário fugiram das acusações durante anos. Depois da matéria publicada no dia 9, no entanto, ele decidiu liberar uma declaração para os jornalistas. A nota segue abaixa, traduzida por nós e completa:

“Eu quero me pronunciar quanto às histórias contadas ao New York Times por cinco mulheres chamadas Abby, Rebecca, Dana, Julia, que se sentiram à vontade para revelarem seus nomes, e uma que não se sentiu.

Essas histórias são verdadeiras. À época, eu disse a mim mesmo que não tinha problema o que eu fizera porque eu nunca mostrei meu pênis para uma mulher sem antes pedir permissão, o que também é verdade. Mas o que eu aprendi mais tarde na vida, tarde demais, é que quando você tem poder sobre outra pessoa, pedir para que elas olhem para seu pênis não é um pedido. É um dilema para elas. O poder que eu tinha sobre essas mulheres era a admiração sentida por mim. E eu manejei esse poder irresponsavelmente.

Eu tenho me inquietado com minhas ações. E eu tenho tentado aprender com elas. E fugir delas. Agora, eu tenho noção da extensão do impacto das minhas ações. Eu aprendi ontem a extensão do quanto eu deixei essas mulheres, que me admiraram, sentindo-se mal consigo mesmas e cautelosas com outros homens que jamais as colocariam nessa posição. Eu tirei vantagem, ainda, do fato de que eu era admirado na minha e na comunidade delas, o que as desqualificou para compartilhar suas histórias e trouxe sofrimento a elas quando tentaram, porque as pessoas que me estimavam não queriam ouvir. Não imaginei que eu fazia tudo isso porque minha posição me deu a possibilidade de não pensar a respeito. Não há nada a respeito disso sobre o qual eu desculpe a mim mesmo. E eu tenho que conciliar isso com quem eu sou. O que não é nada comparado com a incumbência deixada com elas.

Eu queria ter reagido à admiração delas por mim sendo-lhes um bom exemplo como homem e dando-lhes direcionamento como comediante, até porque eu admiro o trabalho delas.

O pior arrependimento para se conviver é o que você fez e que machucou outras pessoas. E eu sequer consigo imaginar o alcance da dor que eu lhes trouxe. Seria um descaso, da minha parte, excluir a dor trazida às pessoas com quem eu trabalho e trabalhei, e cujas vidas profissional/pessoal foram impactadas por tudo isso, incluindo projetos atualmente em produção: o elenco e equipe de Better Things, Baskets, The Cops, One Mississippi e I Love You Daddy.

Eu me arrependo profundamente que isso tenha trazido uma atenção negativa para o meu empresário Dave Becky, que somente tentou mediar a situação que eu causei. Eu trouxe agonia e sofrimento às pessoas do FX, que me daram tanto; The Orchard, que acreditaram no meu filme — e qualquer outra entidade que apostou em mim durante os anos. Eu trouxe sofrimento a minha família, meus amigos, minhas crianças e à mãe delas.

Eu passei minha longa carreira falando e dizendo tudo o que eu queria. Agora, eu irei me afastar e passar muito tempo ouvindo.”

> Novas Séries Fall-Season 2017, parte 2!

Além de tudo isso, a Netflix confirmou que não vai mais produzir o segundo especial de stan-up de Louis, que estava em seu cronograma e a HBO removeu o comediante do especial, A Night of Too Many Stars.

Artigo anteriorYoung Sheldon 1×03: Poker, Faith, and Eggs
Próximo artigoStar Trek: Discovery 1×08: Si Vis Pacem, Para Bellum
Welson Oliveira
Ator e escritor. Fascinado por horror, literatura brasileira e conteúdo televisivo.