Baseada em um drama sul-coreano, The Good Doctor apresenta um piloto divertido e com potencial, mas que peca no meio de clichês, diálogos preguiçosos e uma semelhança muito grande a outras obras.

Em busca de uma maior representatividade na televisão e a quebra de preconceitos, felizmente estamos sendo agraciados cada vez mais com séries que possuem protagonistas ou temas que abrangem assuntos pouco discutidos ou até mesmo desconhecidos. Aliado ao autismo, síndrome um pouco mais conhecida, fomos apresentados a Síndrome de Savant, um distúrbio psíquico em que a pessoa detém défices intelectuais, como a dificuldade de se comunicar, porém possui uma inteligência acima da normalidade em outros aspectos, como a memorização, habilidade artística e de cálculo.

Considerando a dificuldade cotidiana tanto reclamada por neuróticos em relação a relacionamentos, busca por emprego e outras situações estressantes da vida, The Good Doctor me conquistou ao mostrar desde o início que a realidade para pessoas psicóticas é em grande parte dos momentos cruel e extremamente exclusiva. O preconceito enraizado na população em geral, taxando todos que possuem uma síndrome como incapazes é de uma ignorância absurda e o momento para aprender com os erros cometidos por tantos anos chegou. Independente da qualidade do roteiro, das atuações ou outros aspectos cinematográficos, a série merece um espaço e uma atenção, pois Dr. Shaun com certeza nos ensinará muito mais do que medicina.

The Good Doctor
The Good Doctor

A junção do nome David Shore com a temática médica não é de hoje e com certeza é um dos motivos para muitas pessoas terem assistido esse primeiro episódio. Criador de House M.D., foi impossível durante o piloto não assemelhar condutas de Murphy com House, ainda que os dois possuam estórias e motivos totalmente diferentes para se portarem de tal forma.  A clara superioridade intelectual, duvidada por outros médicos, apenas para ficarem no final com cara de taxo, é praticamente o cerne do sucesso de David, o que não acredito ser um problema em The Good Doctor, mas uma possível complicação caso a série utilize demais de tal situação, tornando a trama cansativa e nada original.

Do outro lado da tela, temos outro queridinho talentoso da televisão que mais uma vez mostra que domina a arte da atuação, Freddie Highmore. Independente da obra e do papel, elogio Freddie e é inegável seu talento, entretanto, com tão pouco tempo desde o fim de Bates Motel, é impossível não nos lembrarmos de Norman o tempo todo durante o episódio. A semelhança e lembrança de outras obras não é algo necessariamente negativo e que vá a prejudicar a série, porém espero que de alguma forma The Good Doctor consiga se distanciar e criar uma personalidade própria, pois se permanecer a sombra de outras obras, será difícil atingir sucesso e marcar seu nome.

The Good Doctor
The Good Doctor

O piloto conseguiu introduzir bem os personagens, apresentando as características básicas de cada um, seus relacionamentos prévios e suas formas de lidar no âmbito pessoal e profissional, não obstante, o problema foi que esse primeiro episódio se limitou a isso, delimitar quem é quem e qual é sua opinião em relação ao novo membro da equipe. Com exceção de Shaun e talvez de Claire, não foi possível criar empatia com os personagens ou até mesmo lembrar-se de todos seus poucos nomes no final do episódio, o que é uma decorrência direta de um roteiro falho.

Se por um lado as cenas de Shaun com seu irmão foram repletas de significados e conseguiram transmitir mensagens pelo simples olhar ou abraço; por outro lado, a discussão entre quem é superior e subordinado, quem está ali por nepotismo e por mérito, soaram muito exageradas e gastaram tempo desnecessário. Com o fim do episódio conseguimos extrair, a título de exemplo, que no conselho há um médico impetuoso e incompreensível, e que o chefe da equipe é arrogante e preconceituoso, sem qualquer motivação ou explicação do porquê, tendo em vista que Murphy acabou de salvar uma vida e se mostrou extremamente capaz. O que me soa no final do piloto é que ele foi feito em sua totalidade para mostrar barreiras e preconceitos contra Shaun a todo o momento, acompanhado sempre de músicas melodramáticas, por mais forçoso que parecesse.

Todavia, ressalvadas tais questões, o saldo de The Good Doctor foi positivo, apresentando um protagonista extremamente fácil de apegar e uma perspectiva de contar o enredo bem interessante. Para aqueles que acham interessante assistir em Greys Anatomy, por exemplo, a exposição dos órgãos, buscando entender um pouco que seja do que está sendo discutido pelos médicos, em TGD a mente de Shaun fascina e lembra até mesmo Sherlock em seu palácio da mente, mostrando figuras e esquemas capazes de nos dar a sensação de estarmos dentro da cabeça do personagem e compreendê-lo, nem que seja por um minuto.

O potencial de The Good Doctor existe, basta esperarmos para ver se ele prosperará ou se será, infelizmente, um flop.

Good points:

“You are very arrogant. Do you think that helps you be a good surgeon? Does it hurt you as a person? Is it worth it?”. Pisa mais que está pouco!

– Adorei o diálogo do Shaun com a Claire, perguntando em quais dos momentos ela foi falsa, como se necessariamente um deles não fosse verdadeiro, por contradizer suas ações. São esses momentos, essa visão diferente que torço para aparecer mais na série.

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– Chorando rios pela morte do irmão dele. Ele foi uma lição de vida em tão poucas cenas e partiu o coração vê-lo morrer, porém é muito bonito assistir Shaun  usar sua memória para continuar acreditando em si e ignorar os outros.

REVISÃO GERAL
Nota:
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