DARY! Legendary!

Ok, “The Exploding Meatball Sub” não merece a empolgação de “Legendaddy”, mas ainda assim é um episódio bastante interessante. Longe de ser o melhor da temporada e longe de ser o pior, ele restaura três linhas adormecidas (o destino do Arcadian, o antagonismo entre Ted e Zoey e os sentimentos de Lily em relação ao que está acontecendo na vida de Marshall) ao mesmo tempo em que os cruza com um conto que exemplifica muito da personalidade de Barney durante a série.

Spoilers abaixo!

Essas histórias não deveriam funcionar juntas por seguirem temas bastante diferentes, mas o fato delas terem superado isso e passado as suas mensagens com clareza acaba se tornando a pequena força que sempre mantém o episódio nivelado. Plantar a semente do término ruim entre Zoey e Ted, por exemplo, é uma tarefa burocrática cujos buracos são tampados pela mudança de foco para Lily. Já essa abordagem no relacionamento entre ela e Marshall é modificada apenas o suficiente para que se torne o exato oposto de Ted e Zoey – o que permite que a série amarre tudo ainda mais com uma das suas típicas lições sobre relacionamentos. Mas mesmo assim, ela percebe que só essa “oposição” entre as visões de Ted e Lily e como eles acabam estando errados não é o suficiente para sustentar o episódio. A natureza de uma trama dessas – na qual Y precisa acontecer durante X para Z perceber que W está certo – acabaria tornando essa fita isolante em um lembrete ainda maior da burocracia temática e estrutural. E então entra Barney e a sua baguete explosiva para salvar o dia.

Existe uma compreensiva defesa da sua preguiça, e ela foi, de fato, uma ideia descuidada em várias passagens, mas esse elemento em particular permitiu que a série ressaltasse a beleza das outras tramas sem que os esqueletos das mesmas aparecessem, ao mesmo tempo em que criou um bom alívio cômico na sequência de flashbacks após a revelação final – que pela sua simplicidade e natureza boba, dá certo charme do ridículo ao desenlace do plano. Também é apropriado após o fim de “Legendaddy” por servir como um lembrete de como Barney escolheu viver a sua vida, sempre fechando os olhos, colocando os dedos nos ouvidos e gritando “lá lá lá”. Ele acabou de passar por uma experiência grande, mas vai precisar de tempo para aceitá-la. Esse é um Barney Stinson que conhecemos, ele é um Barney Stinson que odiamos. E Robin, a observadora silenciosa dessa temporada, serve como a nossa voz ao perguntar logo após saber da loucura: “What’s wrong with you?”

Não foi limpo, mas “The Exploding Meatball Sub” serviu como um exemplo perfeito do que separa as boas sitcoms das ruins. Seinfeld, Friends, Parks and Recreation, 30 Rock, The Office… Mesmo em histórias que não combinam e episódios que seriam aberrações desconjuntadas em comédias fracas, há um claro entendimento do formato e da norma, do que funciona e de como é possível fazer o que não funciona se misturar bem com o resto. Por ser parte desse grupo, o episódio se segurou bem e criou o terreno ideal para que os três grandes arcos da temporada atinjam os seus pontos de ebulição.

Outras observações:

– Bela rima narrativa: Lily quase viajando e dando um tempo na sua vida como no final da primeira temporada, novamente compartilhando esse fato com Ted.

– Sendo de longe a personagem mais problemática e desinteressante da série por causa de sua tendência controladora e falta de motivação (percebam como ela quase nunca ganha as histórias principais dos episódios e ocupa funções apenas momentâneas dentro deles), foi bom vê-la dividindo tempo de tela com o Ted. Na básica sintonia fraternal que os dois mantém, a série sempre consegue afastar os traços mais irritantes de Lily e entregar algumas das suas conversas mais sinceras no embalo.

– Apenas quatro episódios para o fim da temporada e a aposta da semana muda mais uma vez: o Arcadian vai ser destruído? Sim ou não?

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