Fargo segue sua narrativa linear, ainda que dê uma pisada no freio em termos de ritmo esta semana. Depois da morte de Ray, não restava dúvida de que o episódio abordaria as consequências desse ato. E aqui a narrativa se divide entre Emmit e Nikki, e seus respectivos núcleos.
O principal ponto que move The Law of Inevitability é o contraste entre os personagens. Da astúcia de Gloria e Winnie à estupidez (ou má vontade, ou ainda, os dois) de seu chefe, da frieza de Yuri à covardia de Mashman, do nervosismo de Emmit ao controle absoluto de Varga, tudo é um jogo de opostos. Os comportamentos vistos em tela nada mais são do que traduções dos principais antagonismos visto na temporada.
E este contraste não é apenas percebido na forma como os personagens agem. A própria atmosfera do episódio colabora para isso. Embora ela seja mais carregada com o peso da morte de Ray, há momentos de quebra para dar lugar ao humor negro característico de Fargo, como no momento em que Winnie vai avisar Emmit e ele já chega falando de seu “álibi” e que Nikki tinha motivos, quando a policial nem mesmo tinha mencionado assassinato. O comportamento suspeito do assassino foi algo muito engraçado de se ver. Além disso, os planos usados pelo diretor Mike Barker também alternam entre enquadramentos fechados e abertos, como Emmit dentro de casa ouvindo a história de Varga sobre o homem torto, cada um em lado opostos da tela, sendo que a cena logo anterior era um plano fechado dele e Sy dentro do carro.

O episódio também se destaca por nos mostrar a evolução de seus principais personagens. Seja Varga cada vez mais sombrio ou Gloria cada vez mais determinada, seja em personagens mais secundários, como Yuri, que também surge cada vez mais ameaçador. Apesar de ter poucas falas, Nikki também se destaca no episódio, por sua frieza. A característica é salientada. Seja na forma como encara a morte de Ray, seja em sua determinação enquanto está na prisão. É claro que a personagem tem informações relevantes sobre o caso, mas como boa jogadora de Bridge, deve esperar o momento certo para agir.
The Law of Inevitability possui um ritmo mais lento que os dois episódios anteriores, porém não a ponto de ser considerado monótono. Possuindo menos cenas, porém mais longas, o roteiro de Noah Hawley, em parceria com Ben Nedivi e Matt Wolpert consegue segurar o espectador, seja pelos diálogos muito bem escritos ou pela tensão muito bem executada, não tendo como antecipar o que iria acontecer, como a cena de Yuri e Mashman na delegacia/biblioteca, por exemplo. O fato é que mesmo tendo menos ação, a história é muito bem conduzida, guiando o espectador a cada minuto de cena.
Fargo entra em sua reta final com a trama bem encaminhada, apresentando bom desenvolvimento de personagens e as reais consequências das ações apresentadas até aqui deverão ser logo mostradas. Esperamos para ver logo o confronto direto entre as partes envolvidas nos acontecimentos.
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Em tempo 1: O personagem que está sentado ao lado de Nikki no ônibus é Mr. Wrench, da primeira temporada. Será que há um motivo para ele estar lá ou é apenas um easter egg?
Em tempo 2: Há uma cena pós crédito ao final do episódio, envolvendo Gloria. Ainda não sei o que dizer sobre. Aguardarei o próximo para ver se haverá relação.
Palavra final: Fargo apresenta mais um bom episódio, com cenas de bastante tensão e suspense, ao mesmo tempo que trabalha os antagonismos apresentados de forma eficiente.















