O Time Arrow se prepara para fechar sua bem estruturada 5ª temporada com Honor Thy Fathers.
Mas será que o ritmo está bom o suficiente? Após uma sequência de episódios com surpresas, cenas de ação grandiosas e algumas montagens superiores a tudo o que a produção da série já fez, Arrow parece ter optado por diminuir um pouco sua energia antes do grande final. E não existe nada de errado com a essa abordagem. Nada.
Honor Thy Fathers é muito mais sobre a união do time e em como é possível todos trabalharem juntos do que sobre a presença do pai de Oliver e Thea. Mesmo que a batida principal tenha girado ao redor do assassinato de Robert, Arrow permanece extremamente hipócrita e sem muito respaldo cronológico quando o assunto é lidar com a própria mitologia e trajetória criadas pela produção. Robert Queen matou um homem na frente do filho, enquanto estavam no bote salva-vidas. Contudo hoje Oliver assume, com toda pompa, que seu pai não é um assassino. Desculpe senhor prefeito, mas seu pai cometeu suicídio após matar, friamente, outro homem – com família e futuro, também.
Exatamente por esse motivo o episódio é muito mais sobre como o time já aprendeu a trabalhar em união do que em cima da história de manipulação de Adrian. Tanto é que o desfecho final, com o vilão sorrindo para a câmera após ser preso, soa como parte do plano. Logo, se é parte do plano todo o discurso e também surpresa com a revelação de que o pai de Chase iria desonra-lo, se torna irrelevante. É ótimo dentro da construção momentânea do momento, mas termina, novamente, dando um poder muito grande para o antagonista.
Ter um vilão poderoso e inteligente é sempre muito bom, mas é preciso que existam alguns limites. Até o momento o time Arrow não conseguiu ganhar nada, já que qualquer vitória, por menor que tenha sido, soou como uma armação de Chase. É essa armação que faz do pupilo de Tália um ótimo vilão, mas também deixa sua presença dentro da série um pouco exagerada. O que o time terá que fazer para conseguir superar este adversário e que não poderia ter feito antes? Este será, definitivamente, o teste de fogo da temporada para decidirmos, de uma vez por todas, que este é um ano muito mais maduro e superior que os quatro anteriores da série.
Se não estava claro o suficiente que este quinto ano da série estava se inspirando com muita força no primeiro ano, fechando assim o ciclo que começou quando Oliver atirou aquela flecha em uma fogueira, este vigésimo capítulo tem o mesmo nome do segundo episódio da primeira temporada de Arrow – com exceção de ter acrescentado um pai a mais no nome. E com os flashbacks, bem mais resumidos dessa vez, já podemos começar a comemorar a conclusão desta história que começou em 2012.

Arrow também mostrou, pela segunda vez, que é possível trabalhar pequenos vilões meta humanos sem deixar sua trama bagunçada ou sem conexão com o clima geral da produção. Mesmo que o vilão não tenha enfrentado Oliver, seu uso contrabalanceado pela presença da Dinah, Cão Raivoso e Curtis, além daquele ótimo pequeno e Incrível momento, colocam a força novamente na existência do grupo, um diferencial bem grande entre o herói e o vilão. Chase não mantém uma escola de afiliados do seu lado e com exceção da desparecida, mas nunca esquecida, Tália Al Ghul, suas opções são bem limitadas. E é exatamente neste ponto que toda a trama da atual temporada e da construção de um time se fecha.
É também graças a esta nova versão da série que temos um Oliver bem mais maduro e centrado. Sua relação com a irmã oferece um tipo de padrão bem mais atraente para o protagonista de uma série que precisa, obrigatoriamente, encontrar um ponto de balanço entre sua vida pessoal, profissional e heroica, mantendo sua sanidade em todas as instâncias. Oliver não trata seu pai com tanta surpresa, ele está muito mais focado em permitir-se enxergar o bem que Robert fez e como ele amou sua família, sem desprezar seus delitos, do que simplesmente acreditar que aquele homem havia sido um vilão por toda sua vida, como Thea faz após comparar a atual situação com a do seu relacionamento com Malcolm. E é essa divisão entre Oliver e Thea que garante dois avanços necessários. O Arqueiro Verde é finalmente sacramentado como um homem emocionalmente estável, uma vitória após tantos anos de vai e vem. Já Thea, como é bom ter a Willa Holland voltando, expõe mais uma vez toda a aura de negatividade e possível vilania que a personagem já havia exposto antes.
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Arrow nunca esteve tão bem posicionada frente sua trama e desenvolvimento pessoal de personagem. Mesmo com alguns novatos, não está existindo uma trama sem aproveitamento. Por enquanto ainda preciso de mais da nova Canário Negro, mas o trabalho feito em cima de Lance e Rene está forte o bastante para satisfazer a necessidade de uma história menos conectada ao contexto geral de loucura e destruição de Adrian. No final as restrições orçamentárias que forçaram Arrow a limitar seu elenco neste quinto ano surtiu um efeito muito bom. Sem tantas tramas paralelas e mais centralizada em seu trio fundamental, o Arqueiro Verde está tendo bem mais espaço e destaque em cima de temas que operam de maneira melhor para a proposta da série. E depois de dois anos amargando finais insatisfatórios, finalmente estou ansioso para uma conclusão.
Easter eggs e outras informações em Honor Thy Fathers:
– Tanto o fator ‘time’ tem sido essencial e importante para a temporada, que o próximo episódio estará centralizado no isolamento de Oliver. Adrian e sua trama estão caminhando para uma conclusão muito bem feita.
– Não entendi bem porque o Adrian tinha uma televisão de alta definição em sua cela transparente. A ARGUS não dá a mínima para a lei e procedimentos legais, mas pelo menos oferece um TV a cabo. Será que é premium?
– O vilão não sente dor. Ok. Mas mesmo assim após 4 tiros no peito o pulmão perfurado e a perda de sangue deveriam, no mínimo, surtir algum efeito. Certo? Ele vai morrer sem sentir dor, mas vai morrer.
– Então a barba do Oliver no piloto era falsa? Que surpresa.
– A cena com o close no rosto da filha do Rene me fez esquecer o fato de que ela parece grande demais para ser filha do Rene.














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