Por mais que os personagens secundários tenham sido a âncora que impedia o enredo de Bates Motel às vezes continuar, era necessário ter Visiting Hours, um episódio sobre eles.
A vida de Dylan nunca foi fácil. Nascido de um incesto e não conseguindo ter uma relação próxima com ambos os pais, é totalmente compreensível ver seu estado de choque ao descobrir que o irmão matou sua mãe, sua sogra e outras pessoas. Vejo Dylan como o personagem mais próximo de nós telespectadores e com o mesmo conflito que possuímos na cabeça às vezes, com a única pequena diferença que ele precisa tomar decisões e nós podemos apenas assistir.
Embora Norman tenha feito “supostamente” coisas horríveis, Dylan lembra muito bem da natureza do seu irmão e dos problemas psicológicos já constatados. Se em nossos sofás, sem qualquer ligação com Norman, vários de nós sente dificuldade em culpá-lo e continua torcendo para ele se dar bem, é mais do que compreensível ver o irmão ficar desorientado em que postura tomar. Se por um lado não há justificativas para os assassinatos e não se pode pedir compaixão daqueles que perderam seus entes queridos, é injusto pedir que aqueles que conhecem Norman do jeito que ele verdadeiramente é, joguem pedra e apoiem ou fiquem estáticos assistindo esvaziarem seus olhos de vida.
Madeleine estava certa em uma afirmativa. Dylan sabia. Entretanto, não poderia discordar mais de sua atitude. Sua postura de Sherlock Holmes paraguaio, enganada apenas algumas semanas foi patética e ilusória. Ela deveria saber muito bem como Norman pode ser persuasivo e pode enganar as pessoas, tendo em vista que o único motivo dela saber a verdade está no fato dele ter confessado e dado um olhar psycho na delegacia. Como uma pessoa que fingia não ver as suspeitas do marido estar fazendo algo errado, ela deveria compreender que o amor nos cega. Há um grande salto entre traição e assassinato, mas a questão é que os sentimentos deturpam nossa visão independente do grau de periculosidade da ação. Talvez o amor não nos cegue, ele apenas nos dá esperança de que tudo aquilo é mentira ou que há uma justificativa para o que aconteceu e todo mundo sabe, a esperança sempre encontra um jeito de continuar existindo.
“O amor não é cego.
Vê sempre as pessoas queridas tais quais são e as conhece, na intimidade, mais do que os outros.
Exatamente por dedicar-lhes imenso carinho, recusa-se a registrar-lhes os possíveis defeitos, porquanto sabe amá-las mesmo assim.”
– Autor Desconhecido

E se existia uma pessoa que precisava reagir a tudo o que aconteceu, essa era Emma. Diferente de Dylan, a garota dos problemas do pulmão conseguiu fazer um feito que mais ninguém conseguiu, nem mesmo Romero, conquistar cada um da família Bates. Se antes ela não possuía uma mãe ou algum ambiente que remetesse a uma família, com todos seus altos e baixos, dramas, fofocas e alegrias, no Motel ela era mais uma integrante na família e quem olhasse de fora poderia muito bem acreditar que ela era realmente algum parente. Emma amava Norma como uma mãe e tenho certeza que a recíproca era verdadeira. Assistir finalmente o luto da menina pela morte daquela que foi uma figura materna e a ajudou tanto foi emocionante e mostrou que essa relação não foi esquecida. Muito mais do que isso, os roteiristas conseguiram mostrar uma evolução de Emma que não esperava acontecer. Aquela menina frágil, apreensiva e que abaixava a cabeça para os outros não existe mais. Com um semblante triste, mas firme, em poucas palavras a personagem nos deu chutes no estômago e arrancou nossos corações ao mostrar que ela possui a consciência da insanidade de Norman, mas não se sacrificará mais pela família Bates.
O diálogo na delegacia foi uma despedida e daquelas que você só percebe depois de um tempo. Não tivemos apenas a cremação da mãe da Emma e seu pedido de desculpas combinado com um adeus a Norma. Além da morte de uma mãe biológica e uma mãe de coração, tivemos a morte do melhor amigo/irmão/ex crush. Quando Emma dá o recado de que está com saudade de Norman, ela não passa em nenhum momento o semblante de que aquilo é um “até logo”. Sua vida mudou, suas responsabilidades cresceram e se ela pediu para Caleb se manter afastado de Katie, não há possibilidade de que ela envolva sua família em toda essa confusão, pois será impossível não sair machucado de qualquer alternativa que venha a acontecer.
Emma provavelmente não voltará e embora seu fim tenha sido tocante e lógico, é triste saber que a menina precisou enterrar 3 pessoas da sua vida e ainda não possui a possibilidade de despejar sua raiva em alguém, afinal, como ela percebeu no final, a responsável por tudo que aconteceu não se passa de uma doença, sem corpo, sem forma e sem qualquer chance de ser tocada ou vista.
Despeço de Emma triste, mas satisfeito com seu desenvolvimento e com a mulher que ela se tornou. Como um telespectador que torcia por ver Norman sujo de sangue, possivelmente ela foi a única de quem nunca quis ver um machucado se quer e brilha meus olhos ver a força que ela ganhou ao longo dos anos. Seja feliz, seja uma grande mãe, uma grande mulher e que sua vida seja completa Emma, adeus.

Por fim, por mais que ainda seja meio sem pé nem cabeça, Romero continua tendo seu momento Rambo. Ainda sem muita explicação de como chegou a esse ponto, o ex-xerife não se importa com nada, nem ninguém, a não ser com sua missão. Independente de quem seja, se alguém estiver no seu caminho ele passará por cima e fará de tudo para atingir seu objetivo. Porém, me pergunto, quem é Alex Romero?
Embora nunca tenha agido por meios muito ortodoxos, o personagem nunca foi uma pessoa ruim ou que não se importava em machucar inocentes, justificando os meios para chegar ao fim. Passando por diversas tramas mais perigosas e que possuíam mais em risco, nunca vimos o ex-xerife tomar uma atitude que colocava em risco a vida de uma pessoa, entretanto agora Romero parece não ter mais os mesmos valores que norteiam suas decisões. É meio complicado entender como a morte de Norma o levou a mudar de tal forma, visto que dois anos se passaram e tivemos um total zero de cenas em que vimos a vida de Romero na cadeia, porque sim, aquela cena dele apanhando não conta.
Se seu desejo por assassinar Norman era tão gigantesco ao ponto de cometer todas essas atitudes que ele vem cometendo, por qual motivo Alex esperou dois anos para fugir da cadeia. Ele precisava por acaso que seu enteado esfregasse na sua cara como ele se safou de ter matado a mãe? Por mais que eu tente formar uma linha de raciocínio, não consigo aceitar a trama de Romero. Se Bates Motel vem acertando consecutivamente nos outros aspectos, toda vez que o ex-xerife aparece, fico perdido tentando entender o que o levou até ali e o que ele fará agora.
Como a segurança dessa cidade é uma piada a parte, deixei passar que ninguém ficou vigiando a casa e, assim, ninguém escutou o tiro de Romero em Chick, porém continuo procurando o motivo de tal ação. Todavia, finalmente consegui entender uma ação de Alex até agora. Sabendo por Chick que Norma não está enterrada e nem no Motel, ele não foi capaz de matar Norman, sabendo que ele é a única pessoa capaz de proporcioná-lo o máximo de reencontro com o amor da sua vida e possibilitá-lo de se despedir finalmente dela. Se eu critico tanto Romero, é porque sei que ele pode ser bem mais do que está sendo e preciso admitir quando algo que ele faz seja relevante.
A retirada de Norman da prisão com certeza será essencial para o final da série. Ainda não sei se Romero matará o enteado, se o padrasto sairá na pior ou até mesmo se ver Norma morta de novo fará com que Norman entre em um colapso e acabe se suicidando, porém tenho certeza de que essa visita ao túmulo será um ponto chave na conclusão da estória. Muitas possibilidades ainda existem, podendo até mesmo acontecer de Norma(n) dar a volta e culpar Romero de algum jeito por tudo que aconteceu e é esse leque de opções que deixa uma ansiedade e uma apreensão pelo que está por vir.
Bates Motel possui todos os elementos para finalizar de maneira épica, nos dando um futuro de Norman Bates diferente de qualquer um já visto e que fará tanta lógica quanto a adaptação da cena do chuveiro. Faltando um episódio apenas, só tenho a pedir, vá a loucura somente mais uma vez Motel dos Batistas, somente mais uma vez.
Outros comentários sobre Visiting Hours:
– Adoro como a trilha sonora da série, principalmente no início dos episódios comunica bem com o clima da trama no momento. Ao som de “Call Me Irresponsible”, vamos finalizando nossa estória vendo como Norman é irresponsavelmente louco por sua mãe.
– Apenas esperando para ver se Dylan descobrirá que seu pai também está morto. Não sei se ele consegue aguentar mais uma morte e isso pode ser a derradeira para ele caso confronte seu irmão.
– Como eu sou apaixonado pela edição e a montagem de cenas dessa série! Que perfeição na mudança entre Norman e Norma. É simplesmente incrível quando a série dialoga consigo mesma, modificando a pessoa de acordo com o momento e o que está sendo falado.















