Shadow Hawk Takes Flight, o segundo capítulo da história de Danny Rand, mantém uma estrutura bem mais organizada que seu antecessor, Snow Gives Way, mas mesmo com uma considerável melhora, o que Punho de Ferro continua fazendo pode ser considerado como um erro gritante de balanceamento entre ritmo lento e estrutura narrativa perdida. Até agora sabemos muito pouco, quase nada, do personagem principal e o que a série inseriu neste momento não é agradável o suficiente para torcer por ele, mas de certa maneira é bom o suficiente para torcer contra o antagonista, o que já é alguma coisa. Não é mesmo?
Bom, pelo menos o personagem principal e o ator Finn Jones compartilham da mesma característica base, ambos não sabem como se relacionar em sociedade e a responder perguntas sem dar respostas estranhas. Esta não é apenas uma observação boba e cômica para a crítica, mas reflete um protagonista extremamente enervante, com um comportamento que beira ao ridículo. Sim, Danny esteve confinado em um monastério por 15 anos, vivendo através de meditação e conselhos de sabedoria, mas seu lado menos atrativo, apesar de compreensível, apenas transforma o personagem em alguém bobo, inocente e bem longe da realidade – qualquer realidade. É extremamente questionável que um homem, mesmo uma espécie de ermitão, irá confessar para um psiquiatra que ele veio de outra dimensão, sendo que parte de sua vida se desenvolveu naquele mesmo mundo cético em que ele agora está.
De certa forma é compreensível que Danny seja inocente o suficiente a ponto de confiar em qualquer pessoa que demonstre estar confiando nele e no que ele diz, mas alguém que consegue identificar malícia nos outros, é porque tem pelo menos um pouco dentro de si. Neste ponto a série não está fazendo um trabalho bom o suficiente para salientar como seu protagonista realmente pensa. Logo sua abordagem frente ao mundo cruel em que ele se encontra termina levantando mais perguntas do que respostas. Quem é Danny Rand? O que aconteceu com ele durante estes anos na mística Kun Lun? Compreendo que responder perguntas tão vitais em dois episódios é pedir muito, mas algum tipo de informação nova precisa surgir, alguma que ajude a compreender quem Daniel é.
A trama de Shadow Hawk Takes Flight, centralizada em mostrar um Danny preso e sem muitas opções é boa até certo ponto. A partir do momento em que o personagem principal é deixado a deriva, sem a benção da ação que a série tanto precisa, o resultado é novamente decepcionante. Talvez o grande problema tenha sido na abordagem de tratar a retomada de Danny e seu sobrenome como o único foco dos primeiros episódios. Talvez uma abordagem mais parecida com a de Imortal Punho de Ferro de Ed. Brubaker teria sido algo mais adequado para uma série do personagem, mas por enquanto o que temos está bem longe de ser classificado como o ideal para um personagem que mantém em seu status a transformação do próprio corpo em uma arma. Que arma? É preciso ter conhecimento destes ponto pois ele é parte integral do personagem e também o diferencial da série dentro do que já foi apresentado em Demolidor, Jessica Jones e Luke Cage.

Do outro lado da equação temos personagens melhor conectados a trama de Danny e com uma representação melhor dentro da série do que o próprio protagonista. Este papel de definir com tons mais complexos a relação entre Ward e Joy é basicamente a fundamental estrutura dos episódios até agora. O teste com os M&M é um tipo de comportamento que ajuda a impulsionar a complexidade de Joy e até mesmo a desmistificar a imagem de vilã que ela recebeu ao drogar Danny e enviá-lo ao hospital psiquiátrico no episódio anterior. De maneira similar funciona Ward e o seu relacionamento com o pai. É uma matemática estranha essa de aproximar o telespectador dos antagonistas primeiro enquanto deixa o protagonista e herói isolado, mas pelo menos este lado da história está mais atraente.
Até mesmo Colleen em dois episódios já tem uma história traçada com mais afinco e tons mais marcantes do que Danny. E mesmo que a professora esteja centralizada em um grande jogo de manipulação, a função de Jessica Henwick ao interpretar Colleen é bem melhor conduzida do que a de seu colega de série, Finn Jones. Ainda é cedo e talvez a crítica esteja dura demais com uma produção que ainda está em seu segundo episódio, de treze, mas se a fórmula da Marvel Netflix se provar determinante como foi com as outras três antecessoras, então este não é ao menos o período mais lento de Punho de Ferro e isso é sim preocupante.
As informações estão começando a surgir, assim como a inserção do Tentáculo, o grupo de ninjas que deu trabalho para o Demolidor em sua segunda temporada. Este elo é essencial para o personagem, mas até agora não tivemos absolutamente nada que gire verdadeiramente ao redor desta trama. Em se tratando de Marvel Netflix é fácil de entender o ritmo mais lento, mas até mesmo Demolidor mostrou em seus primeiros episódios que seu personagem era, no fundo, um grande lutador. Enquanto Danny está centralizado unicamente em sua vida como herdeiro do império Rand e no reconhecimento de seu nome, Punho de Ferro permanece como uma série opaca. Para se relacionar com o protagonista é preciso ter uma missão que o telespectador consiga se relacionar e tenho certeza de que ninguém aqui é um garoto bilionário que sofreu um acidente e foi treinado por monges em uma cidade mística que só aparece neste plano de 15 em 15 anos. E sim, ninguém aqui é um advogado cego, mas pelo menos Demolidor queria salvar Hell’s Kitchen e isso é um feito nobre.
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Easter eggs e outras informações de Shadow Hawk Takes Flight:
– Aparentemente a conversa de comprar galpões no Brooklin é algo que conecta Demolidor a Punho de Ferro. É uma conexão fácil de fazer, especialmente por causa do gigantesco buraco construído pelo Tentáculo em Nova York.
– Em determinado momento o Doutor Paul Adams menciona o incidente. Incidente é a maneira que as séries da Marvel Netflix encontraram para fazer referência a invasão Chitauri de Vingadores. Porque ninguém diz invasão alienígena, eu não sei, mas vamos continuar com essa nomenclatura “pé no chão”.
– Quando ele menciona pessoas dizendo que tem poderes, poderia esta ser uma conexão ao surto de óleo de peixe e inumanos de Agents of S.H.I.E.L.D.?
– “Ward Meachum sends his regards” é uma conexão fácil com Game of Thrones, certo? Mas também poderia ser com o Poderoso Chefão – entretanto o ator principal esteve em Game of Thrones, então…
– Temos Danny fazendo menção ao Imortal Punho de Ferro, melhor série do personagem nos quadrinhos. Recomendo a leitura para quem está gostando da série e também para quem acha que poderia ser melhor. Spoiler alert: poderia ser melhor.
– Kun Lun, conforme Danny menciona, é uma das cidades do paraíso. Nas histórias em quadrinhos, nesta saga que mencionei acima, existe uma batalha entre cada uma das sete cidades, onde a vencedora recebe o poder de cruzar com o plano terrestre em uma ordem cronológica favorecida. Este tema também pode se conectar a ‘Ordem da Crane Mother’, mencionada pelo personagem, já que na nona arte esta personagem se afiliou a Hydra para tentar invadir Kun Lun. Poderia a Hydra aqui ter dado lugar ao Tentáculo?
– Existem teorias que conectam a Madame Gao a Crane Mother. Resta saber se Punho de Ferro proverá a prova para este tema que anda sendo discutido desde a primeira temporada de Demolidor, lá em 2015.
– Finalmente o Punho de Ferro, senhoras e senhores. Para uma série chamada Punho de Ferro eu pensei que este seria introduzido logo no primeiro episódio, mas tudo bem, paciência é uma virtude.















