Desde a primeira vez que as peripécias de Josh Greenberg nos fizeram sorrir em Man Seeking Woman, a pergunta que tenho a certeza que brotou na mente de cada um de nós, enquanto espectadores, foi a mesma: “Até quando isso vai ser engraçado?” Por trás de qualquer elogio feito, essa continuava sendo uma dúvida justificada e nos seus dois primeiros anos de transmissão, a série fez muito pouco para respondê-la. Nos seus dois primeiros anos. Em 2017, Simon Rich finalmente nos trouxe uma resposta definitiva e ela é tão direta e palpável quanto a própria pergunta: “Enquanto for humano, vai continuar engraçado.”
É importante entender que por maiores que sejam os parágrafos que posso escrever sobre os magníficos momentos de humor desses 10 ótimos episódios, a verdadeira qualidade compartilhada por cada um deles é sua humanidade. Nós não vivemos entre os eventos fantásticos em que Josh se perde dia após dia, mas as situações que desencadeiam essas maluquices estão dentro do escopo de experiências pelas quais a maioria de nós passamos ou esperamos passar. Isso não é novidade alguma, é claro. É a premissa de Man Seeking Woman desde o seu piloto e se não estivesse lá, certamente não teria nos tornado leais, acompanhando ela por três anos.
A diferença é que aqui a série finalmente encontra a maturidade que estava procurando desde que Josh foi jantar com uma troll. Ela se torna capaz de sacrificar piadas com enorme potencial para manter a identificação do espectador e para construir personagens e conflitos verossímeis. Me lembro das críticas que costumava fazer sobre a futilidade da vida de Josh e das pessoas que o cercavam, como tudo parecia ser uma grande caixa de papelão que existia somente para justificar gags. Se eu fosse dizer o mesmo hoje, não estaria mais distante da verdade: são as pessoas que cercam Josh e a sua rotina entediante que fizeram possível tudo que Man Seeking Woman fez de melhor. Josh tem pouquíssimas pessoas que realmente estima na sua vida e elas finalmente se tornam importantes pra nós.

Que fique claro: Lucy é a melhor coisa que já aconteceu em Man Seeking Woman. Ela é introduzida logo na premiere e, vindo de um longo arco com a chatíssima Rosa, a série se dá o direito de saltar o início da sua relação com Josh. Mas também não somos jogados tão longe no futuro que fique desinteressante ver os dois juntos. Katie Findlay é belíssima, hilária e apaixonante, o suficiente para entendermos exatamente porque Josh que estar com ela e para torcermos para que esse seja o fim da série e para que ele não volte a procurar mais ninguém.
Entretanto, isso também não significa que ela é só um totem para os desejos e sonhos de Josh. Ao fim de um ou dois episódios nós já sentimos tanto afeto por Lucy quanto pelos personagens que conhecemos desde o piloto, de tanto que ela completa esse elenco. Além de Katie Findlay e Jay Baruchel terem uma ótima química, o romance dos dois é mais complexo do que o esperado. O episódio em que Lucy conhece o garanhão aventureiro (pra não dizer logo que é o Indiana Jones) mostra bem isso. Ela começa a ter as suas dúvidas quando a relação entra num ponto de estagnação, mas abre mão da excitação de uma vida com alguém mais fascinante e atraente do que o Josh porque o ama o suficiente. Eu tive de aprender a gostar desse episódio, porque no início acreditava que enfraquecia um pouco a personagem ter instintos tão ‘superficiais’, mas o tempo me forçou a considerar a humanidade da situação e me ensinou a apreciá-lo. Enfim, o que não faltou foram cenas bem escritas para quebrar essa imagem inicial de que a Lucy é só uma boneca de porcelana feita especialmente pro Josh.

Depois de Lucy, o que realmente coroou esse terceiro ano como o melhor até então foi o salto absurdo de qualidade na montagem dos episódios. O sentido de comédia que Man Seeking Woman tinha até aqui foi completamente abandonado e alguns dos melhores momentos de humor que eu vi recentemente saíram daqui. As piadas deixaram de depender estritamente de linhas de texto e de como os atores as entregam e passaram a ter uma sinergia incrível com a narrativa estilística da série. Man Seeking Woman tomou uma atitude mais experimental, quebrando diversas vezes a própria fórmula para avançar piadas que ninguém esperava que tomassem as proporções que tomaram. Quando a camponesa imunda Methelda surge numa cena durante a idade média, por exemplo, ninguém esperava que o episódio acabasse com uma abertura de uma sitcom dos anos 90 estrelada por ela.
Foi realmente muito bacana ver tantas brincadeiras de estilo, tantas investidas ousadas por parte dos montadores. Lucy e o Dr. Watson deduzindo como Josh vai propor (e o som sendo muito bem utilizado para conduzir piadas únicas) e as piadas continuando após o fim da trama principal, como uma cena pós-créditos (como no caso do próprio Dr. Watson, que ainda se conectou a eventos prévios do episódio) foram alguns dos meus momentos favoritos. Acho que muito disso aconteceu por influência do Eric Andre. Aliás, quando eu comecei a ver a série, eu não conhecia o trabalho do ator que vive o Mike no Adult Swim. Acredito mesmo que essa temporada permitiu nesses exercícios experimentais porque mais pessoas conheceram a série através do Eric Andre e é o tipo de coisa que o público dele esperaria.
Sem se ater aos twists de linguagem, algumas das minhas piadas favoritas foram: os Joshies (os nomeados e os clipes das suas performances quase me fizeram engasgar de tanto rir); Lucy e a tentativa de homicídio de uma das suas amigas para que ela não contasse sobre o apartamento sujo de Josh; os monstros no sótã dando lições financeiras pra Lucy; a SWAT ajudando Josh a contar pra sua mãe que vai se casar; o super-poder que Liz herdou do pai de saber se as coisas prestam ou não (os algoritmos sendo projetados na tela foram brilhantes); Mike Coringa; Josh fugindo da despedida de solteiro à lá Um Sonho de Liberdade; e, é claro, aquele momento espetacular depois do casamento de Josh e Lucy em que um monstro aparece e os seus pais explicam que é algo que eles vão ter de enfrentar juntos, no que é talvez a melhor alegoria que a série já fez sobre um matrimônio. Isso só pra ser breve, porque o que não faltou nessa temporada foram piadas incríveis.

Como Liz também brilhou muito esse ano (pra variar), segue a esperança da série continuar vivendo através dela. Liz é o símbolo de maturidade dentro do elenco, e por consequência, é ela que possibilita trabalhar com alguns temas mais sérios. Os episódios dela geralmente abordam melhor o que significa ser um adulto e o dessa temporada não foi diferente. Eu diria que foi um dos episódios mais íntimos da série inteira. Ver Liz aprendendo a aceitar Tom como uma figura paterna após entender que a única coisa que compartilha com o seu pai biológico é DNA foi muito bonito. Se tivermos um Woman Seeking Man, eu estarei lá pra ver, mais empolgado do que nunca.
3 Séries Para se Ver Antes de Morrer, parte 1!Foi uma excelente temporada final, se não tivermos uma quarta. E espero que não tenhamos. A jornada de Josh merece uma conclusão sublime e é quase impossível imaginar uma que se encaixe melhor do que essa. Nós começamos Man Seeking Woman com um Josh azarado e melancólico, que caminhava pelas ruas sendo atacado por má sorte e miséria de todos os lados. Depois, nós conhecemos Lucy na mesma situação. Então não há qualquer cena que possa dizer mais sobre o quão legal e delicada essa jornada foi do que ver os dois juntos atravessando a cidade com o Sol brilhando sobre eles, e lá no fundo, mais azarados procurando as suas caras metades. Não eles.
Josh encontrou a sua alma gêmea e nós fomos sortudos o bastante para termos uma temporada inteira pra nos apaixonarmos por ela também.























