Loss apresentou um dos filmes mais fracos, porém maduro, de Digimon Adventure Tri até o momento.
Essa semana tivemos acesso a Loss, o quarto filme de Digimon Adventure tri. Diferentemente de seus antecessores, Loss se passou quase que inteiramente no Digimundo, trazendo o foco ao brasão do amor, com um drama envolvendo a relação de Sora e Biyomon. Apesar de diversos pontos positivos (os quais citarei abaixo), a quarta parte foi uma das mais fracas do anime até o momento, apelando mais uma vez na utilização do atributo nostalgia, mas sem pensar com cuidado no roteiro e em suas cenas de luta.

Loss apresentou-nos a tentativa dos digiescolhidos em reconstruírem os laços com seus respectivos digimons, após o reboot ter apagado suas memórias por completo em Confession. O filme explorou a relação de cada um, mostrando que esse não seria um passo fácil, sendo diferente de tudo o que eles já tinham enfrentado no passado. Foi interessante vê-los tendo novos contatos com seus parceiros, relembrando-nos dos primeiros episódios de Adventure, mostrando a força do reboot, que de fato ele não traria suas lembranças e momentos de volta.
Eles, os digiescolhidos, teriam que se contentar em reconquistar a confiança de seus digimons um passo de cada vez. Todos entenderam a nova perspectiva em que estavam inseridos, menos Sora, que agiu exatamente como Biyomon faria numa situação dessas. Sora se entregou de cabeça, sem pensar nas consequências e no medo que a sua parceira estava sentindo com esse novo mundo. A relação das duas, do início ao fim, foi o ápice de qualidade do filme, fazendo jus ao que o significado do amor representa.

Digimon Tri conseguiu, pela primeira vez, explorar uma relação de forma madura, com uma simples, porém significativa, mensagem. O amor, assim como os outros brasões, não surge do nada, muito menos pode ser cobrado. Todos os outros símbolos, incluindo o de Sora, são como uma semente que precisa ser plantada, alimentada e cultivada com carinho e respeito. Sora botou seus sentimentos à frente de sua consciência, exigindo o amor que Biyomon sentia por ela no passado, deturpando tudo o que o seu brasão representa.
No momento que ela percebeu isso, que ela teria que proteger Biyomon sem querer algo em troca, num gesto de puro amor, o seu laço com ela encontrou um novo e belo caminho. Isso foi além de uma simples ligação entre digiescolhida e digimon, foi uma verdadeira lição de vida, abordada com cautela, mostrando toda a problemática do caso, e de forma bela, madura e empolgante. No meio de tanto defeito e decepção em Loss, foi inteligente dos roteiristas explorar logo a relação de Sora e Biyomon, uma das mais fortes da franquia. O restante foi mal elaborado, mas ao menos nisso o filme acertou em cheio.
A evolução da trama
Tirando o drama de Sora e Biyomon, um dos únicos pontos positivos de Loss, é possível dizer que o resto foi extremamente decepcionante. Minto, as mega evoluções de Patamon e Biyomon foram eletrizantes, assim como a cena de abertura, uma surpresa que os roteiristas inseriram no quarto filme. Sempre nos foi dito, desde a primeira aparição de Gennai (o verdadeiro, não essa versão macabra e, vale lembrar, desnecessária – por ter lambido a Meiko) sobre os cinco digiescolhidos do início, os portadores dos primeiros Digivices.
Loss não apenas mostrou a batalha na qual os Guardiões Digimons nasceram com a força dos primeiros digiescolhidos, como também deu nome aos bois. Nishijima e Himekawa faziam parte do grupo. É desse ponto que surge o objetivo de Digimon Tri, com Himekawa planejando o reencontro com Tapirmon, seu antigo parceiro que morreu na luta contra os Dark Masters. A trama evoluiu consideravelmente ao apresentar essa história, mas, infelizmente, ainda falta muito para se tornar perfeita. Algumas respostas surgiram, com a revelação do Dark Gennai e Yggdrasill, o envolvimento de Himekawa e sua intenção com o reboot.
No entanto, grande parte da trama continua uma incógnita, prejudicando demais o desenvolvimento do anime. Onde estão os digiescolhidos de 02? Porque os Dark Masters estão sem consciência? Qual o verdadeiro objetivo do Dark Gennai? Como, porque e quando ele se tornou essa versão maligna? Porque Himekawa não foi escolhida? Meiko morreu? Porque Meicoomon é considerado uma arma? A quantidade de respostas que tivemos trouxe mais uma leva de dúvidas, que nós sabemos que possuem pouca chance de serem sanadas. Principalmente ao levarmos em conta que resta apenas mais um filme (corrijam-me se eu estiver errado) pela frente…
De que adianta o retorno com os famosos digiescolhidos de 01 se o resto fica, desculpem-me pelo termo, cagado da forma que tem ficado? É de fato decepcionante ver isso acontecer com uma história que tem tanto potencial. Como eu disse em reviews anteriores, os roteiristas precisam enxergar que Digimon Tri não precisa ser apenas uma comemoração nostálgica. Ele pode e tem a capacidade para ser bem mais do que isso, com os personagens que tanto gostamos, com uma trama poderosa e empolgante como nunca visto antes na franquia.

Não caiu nada bem…
A nostalgia de ver Tai e os outros digiescolhidos mais uma vez é incrível, realmente atinge nossos sentimentos e lembranças de uma forma absurda, mas, infelizmente, o resto não caiu nada bem. Minhas analises agora são feitas de forma geral, como de fato o filme é visto lá fora. No entanto, assim como todos vocês, nos foi mostrado numa divisão de quatro episódios, então desse momento em diante os citarei por partes. Dito isso, eu pergunto: quem é que quase dormiu nos três primeiros? Ninguém vai ser julgado aqui, eu juro, assim como eu espero não ser…
A “ação” mesmo só se deu na quarta, e última, etapa do filme, pelo amor de Seraphimon! Qual a necessidade disso, eu lhes pergunto? Ok, Loss falou sobre uma reconexão entre os digiescolhidos e seus parceiros, então é normal vê-los apenas conversando e conhecendo o outro, sem necessariamente lutar e evoluir. Mas, a meu ver, tudo isso foi muito propício e conveniente. A nova franquia é extremamente fraca no quesito de batalhas, revelando um abismo de diferença em comparação com o Adventure original. Os filmes anteriores tiveram pouquíssimas cenas empolgantes de luta, então, infelizmente, não é novidade ver o mesmo acontecer com Loss…
Mas, mesmo assim, é triste ver que um dos atributos mais fortes de Adventure não está sendo valorizado. O anime antigo era um primor nesse quesito, com batalhas pequenas, mas épicas. Os golpes eram anunciados (o que, brincando, diferencia Digimon de Pokémon) e dava para sentir a dificuldade que eles tinham contra seus inimigos. Os digimons não evoluíam à toa, tudo tinha sentido e motivo. Tudo o que a nova franquia tem feito é exatamente o oposto, se intensificando em Loss, com absurdos inimagináveis na própria mitologia de seus personagens.
Patamon evoluiu para Seraphimon, sem anunciar seu ataque (vale lembrar), como se isso fosse a coisa mais fácil do mundo para TK e seu parceiro. O anime original sempre abordou a dificuldade de ambos nesse ponto, o que tornava o momento da sua evolução ainda mais magnífico e simbólico. E o que Seraphimon fez? Nada, só serviu de pilar para Phoenixmon, sendo humilhado e deixado de lado totalmente. Até mesmo a luta contra Mugendramon foi estúpida, diminuindo não apenas Seraphimon, mas Phoenixmon e Herculeskabuterimon, mostrando três megas contra um.
> Logan é o Melhor Filme do Universo Marvel?
Como assim, meu povo?! Porque Wargreymon luta de igual para igual com um dos Dark Masters e os outros, os coadjuvantes que sempre foram em Adventure, precisam se unir para enfrentar apenas UM?! Estranho, não? Principalmente ao levarmos em conta que um dos motivos do retorno de Adventure ser a chance de “redenção” e poder dos digiescolhidos excluídos de outrora. Preciso nem falar da nova maneira de evoluir uma mega, não é? Se transformar em todas as formas, ao invés da criança para a mega como antigamente, come tempo (sete minutos aproximadamente, contando-se Sora, TK e Izzy) demais de uma ação já decadente… Enfim, erraram feio, roteiristas, erraram rude!
Nostalgia que caiu bem
O artifício da nostalgia, revivendo momentos impactantes da franquia antiga, apesar de apelativo, tem sido a arma mais forte do anime até agora. Tendo em vista todos os defeitos que vem me incomodando desde o seu início, arrisco dizer que esse atributo é um dos únicos motivos que me faz continuar assistindo o Tri. Primeiramente, quem é que não vibrou com a cena de abertura, com o retorno dos quatro Dark Masters (além do confronto de Metalseadramon e Mugendramon contra Tai e os outros) e a batalha dos primeiros digiescolhidos da história?

Digimon Adventure tri. – Loss
Segundo, com Biyomon finalmente alcançando sua mega forma e se reconectando com Sora num dos momentos mais lindos da série?

Digimon Adventure tri. – Loss
E ver que Seraphimon também deu às caras no filme, revelando toda a sua superioridade em apenas alguns segundos?

Digimon Adventure tri. – Loss
Por fim, qual será o destino de Meiko e Meicoomon? Qual será o papel dos digiescolhidos no próximo, e último filme? Será a vez da Kari Tailmon brilharem? Qual a aposta de vocês: Ophanimon ou Magnadramon? Não esqueçam de comentar as suas opiniões e teorias na review, até a próxima, pessoal!












![Digimon Adventure tri. Sexta Parte: Our Future [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2018/05/Digimon-Adventure-218x150.jpg)

