Após esse final, a série pode finalmente recomeçar toda a sua história. Resta saber agora se isso é necessariamente bom.

Spoilers Abaixo:

Antes de começar a análise da trama desta Season Finale, preciso comentar logo sobre o mais óbvio dos problemas que tive com o episódio: os efeitos especiais. Um ano depois daquela explosão do jatinho digna do prêmio Framboesa de Ouro, a série, ou devido ao seu orçamento limitado ou por pura incompetência, ainda não consegue produzir uma explosão que pareça minimamente realista. Isso é realmente entristecedor e um tanto embaraçoso. Só me resta torcer para que a 3ª temporada (que com certeza existirá) consiga finalmente consertar essa falha grave na série.

Quanto a história do episódio em si, a considerei de razoável para bom. Teve seus momentos dignos, especialmente alguns que nos fazem lembrar o motivo de assistirmos a série, mas também contou com algumas inconsistências e tropeços, que deixam claro que por mais que a trama seja divertida e agradável, ela ainda precisa ser aprimorada em certos aspectos.

O grande confronto entre Neal e Adler foi apenas “ok”. Sinceramente, eu esperava muito mais. Vincent Adler, que até antes desse episódio era visto como um gênio do crime, cometeu erros atrás de erros, foi enganado por sabe se lá quem, e terminou sendo morto por Peter numa sequência terrivelmente mal conduzida. Alguém chegou a se perguntar como Peter chegou tão rápido ao lugar da explosão, sendo que os demais agentes ainda estavam chegando? Foi apenas uma das inconsistências.

Voltando a Adler, sabe aqueles vilões bestas de filmes da Sessão da Tarde? Pois é, não teve como não fazer a associação. Logo no começo, ele ainda se mostrou a frente de Neal e Peter, já tendo em suas mãos tanto o misterioso submarino nazista como a Alex. Contudo, o que se viu a seguir, foi um homem que ora se mostrava um ambicioso imoral, ora empreendia ações estúpidas. Por exemplo, ele ter ordenado o assassinato de Peter, Neal e Alex por afogamento num dique foi algo completamente estranho. Nem a desculpa de que ele tendia a atos teatrais colou. Por fim, não tenho como aceitar que alguém tenha invadido o galpão onde Adler estava escondendo bilhões de dólares em artes e jóias; roubado tudo que estava lá dentro; ter posto várias pinturas de Caffrey no lugar; ter implantado bombas no armazém; e ninguém ter visto nada. Que dizer então que o tão esperto Adler não se deu ao trabalho de colocar um ou dois capangas vigiando o local? Não tem como levar a sério uma coisa dessas.

Outro ponto que me incomodou nesse episódio foi como a história foi desenvolvida. Tudo foi indo razoavelmente bem até o momento em que Peter, Neal e Alex conseguiram sair vivos da tentativa de assassinato de Adler. Não entendi de quem foi a idéia de pisar no freio da trama, resolvendo lavar roupa-suja amorosa, seguida por um jantar entre casais, tudo na maior paz, como se nada tivesse ocorrido. Foi bem bizarro presenciar aquilo logo após a sequência tensa do submarino. Especialmente quando o tal jantar ocorria justamente quando restavam menos de 10 minutos para o fim de uma Season Finale.

Quase como compensação pelos erros listados acima, tivemos um desfecho com muito potencial a ser explorado na próxima temporada. Tudo bem que não temos a mínima idéia de quem roubou Adler e deu tudo de presente para Neal, mas vê aquele sorriso malicioso e o brilho no olhar do golpista valeu muito a pena. Todos nós, acredito, estávamos torcendo sinceramente para que o personagem se ajeitasse. Acreditamos também que ele compartilhava do mesmo desejo. Mas da mesma forma que é difícil para um viciado consegui abrir mão do seu vício, Neal terminou cedendo a possibilidade de retornar com tudo a sua vida bandida. Como fã do personagem, fiquei triste por essa decisão, mas como avaliador da série, apreciei o rumo tomado. Afinal, possivelmente teremos a chance de ver o confronto entre Neal e Peter. Se até hoje o placar está 2 a 0 para o agente, dessa vez ele não terá sua grande vantagem: o chamariz chamado Kate. Lembrem que foi apenas seguindo ela que Peter conseguiu prender Neal. Também vale frisar que um confronto entre eles agora será em outro nível: tanto o agente como o golpista aprenderam muito um sobre o outro, chegando a desenvolver novas habilidades, tudo graças à parceria firmada entre ambos. Se for mesmo esse o caminho da 3ª temporada, eu irei gostar bastante.

A única questão a qual não sei bem dizer se gostei ou não da resolução dada foi sobre o relacionamento entre Neal e Sara. Por um lado, é muito bom saber que provavelmente não precisaremos mais escutar o nome Kate. Por outro, não faço idéia do quão sincero e entregue a essa nova relação o golpista está. A cena em que ele beijou Alex mesmo foi estranha. A idéia era que ele teria sido levado pelo momento a tomar aquela atitude, mas isso pareceu um tanto forçado na verdade. Não nego que Neal tenha sentimentos pela Alex, mas não o vejo a beijando daquela forma naquele contexto. Sei que os roteiristas queriam um conflito amoroso entre o triângulo, mas o modo com isso foi arranjado realmente não me convenceu. Vamos torcer para que Sara e Caffrey consigam fomentar uma relação estável e duradoura. Mais do que isso: uma relação sincera. Ele conseguiu isso com Kate antes, portanto tem tudo para repetir o feito.

Numa Season Finale marcada por altos e baixos, o resultado final para mim ainda pende para o lado positivo. Novos arcos, novas histórias e novos golpes nos esperam na 3ª temporada de White Collar. Até lá!

Twitter: Adriel_SS

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