Grimm está entrando na sua reta final gradativamente, nos entregando ótimos momentos de humor no meio disso, mas ainda assim, talvez a calmaria esteja grande até demais.

Mas antes de entrarmos na crítica dos episódios, uma breve explicação: eu fiz as reviews de Grimm aqui no SM da 2ª até a metade da 4ª temporada. Depois, tive que abrir mão das reviews em função de faculdade, trabalho, entre outras coisas. Porém, comecei a sentir falta das reviews da série por aqui recentemente, principalmente se tratando da última temporada e agora, estou aqui de volta, para comentar os episódios finais.

Dito isso, gostaria de comentar sucintamente a minha percepção sobre essa temporada de Grimm até o momento. Acredito que esse último ano (que infelizmente só tem 13 episódios) começou de forma alucinante, com três primeiros episódios excelentes, que começaram com o nosso protagonista fugindo da polícia e culminou na (merecida) queda de Renard, em um acordo entre os dois.

Depois disso, as coisas esfriaram um pouco. E pelo que tivemos em The Son Also Rises nessa última semana, talvez tenham esfriado até demais. Não me entendam mal: não tivemos nenhum episódio ruim. Porém, desde o episódio 4 para cá, acho meio preocupante que nessa temporada de 13 episódios, seja gasto tanto tempo com os tradicionais casos da semana, enquanto a trama principal — que por sinal, está interessantíssima e cheia de potencial — se desenvolve em segundo plano e a passos lentos.

Minha principal preocupação é que essa trama grandiosa seja desenvolvida e finalizada com correria, algo que, no caso de Grimm, seria inaceitável, já que os produtores tiveram a oportunidade de planejar antecipadamente essa temporada, e não foi um caso de “cancelamento inesperado”. Só restam mais 5 episódios de Grimm e acredito que o ideal seria que, nessa reta final, o foco se voltasse para a trama principal, buscando terminar de forma satisfatória a história desses personagens que acompanhamos há seis anos.

Decidi fazer uma review dupla só para poder comentar sobre Blind Love, que é, sem dúvidas, o episódio mais hilário da história de Grimm. Acredito que a intenção dos roteiristas era nos dar um momento de descontração e celebração entre os personagens. Foi excelente ver toda a dinâmica de Nick, Adalind, Juliette, Monroe, Rosalee, Hank e Wu no hotel, tanto nos momentos em que eles eram si mesmos, quanto, principalmente, com os efeitos da poção do amor.

A ideia do funcionário que era filho de um wesen que Nick prendeu há tantos anos foi completamente avulsa, mas não deixa de fazer sentido, afinal, vida de policial é assim mesmo. O antagonista funcionou perfeitamente, e o seu final também foi merecido, além de nos mostrar que, mesmo grávida de trigêmeos, Rosalee ainda consegue ser imbatível.

Todas as cenas de “declaração de amor eterno” foram absurdamente hilárias. Destaco que Nick e Monroe foram os mais bem interpretados, pois a obsessão dos dois por suas respectivas amadas era quase tangível. Também não podemos ignorar os efeitos da poção em Hank. Nada mais irônico do que pegar o personagem que muitas vezes fica avulso no meio desse grupo de amigos e fazê-lo apaixonar-se por si mesmo.

O humor do episódio, entretanto, não ficou só por aí. Diana jogando o tenente pelos ares como se ele fosse um boneco de pano foi épico. Até Renard estava numa boa e se divertindo, afinal, por que alguém deveria se preocupar com a filha sendo sequestrada se ela é uma bruxa superpoderosa?  Além de hilário, esse plot também serviu para fechar as pontas dessa história entre Sean e o tenente de uma forma que mesmo sendo inusitada, foi satisfatória.

GRIMM -- "The Son Also Rises" Episode 608 -- Pictured: (l-r) David Giuntoli as Nick Burkhardt, Bitsie Tulloch as Eve -- (Photo by: Allyson Riggs/NBC)30

Porém, acredito que a única falha do episódio também envolve Diana. A garota não é nem um pouco burra, muito pelo contrário, então o fato de ela começar a desenhar os símbolos que Adalind pediu para que ela não contasse sobre, é simplesmente uma idiotice. Foi só um jeito bobo dos roteiristas fazerem Renard ficar sabendo sobre os símbolos e em breve estar se debatendo novamente com Nick, ou talvez, quem sabe, trabalhando junto com ele.

E aí eu já engato em The Son Also Rises, no qual, com apenas uma ligação para o exterior, Renard consegue descobrir em algumas horas tudo aquilo que o grupo de Nick demorou semanas. Até agora, sabemos que a profecia indica um grande acontecimento wesen no dia 24 de Março, ou seja, no penúltimo episódio da série. Estou muito curioso pra saber no que todo esse mistério vai dar, porém, a única coisa que podemos fazer até lá é aguardar. E também espero que não fiquem só nos enrolando com casos semanais, e mudem o foco para o desenvolvimento do desfecho da série e dos personagens.

Digo isso mais uma vez porque o episódio dessa semana foi sem dúvidas o mais fraco da temporada até agora, e o problema foi justamente o caso semanal. O mais interessante de tudo foram as referências à Frankestein e os dilemas entre a ciência e o sobrenatural. A temática em si era bacana, mas o desenvolvimento foi em alguns pontos bem previsível e não muito interessante. Pelo menos o velhinho que vendia corpos serviu para proporcionar um toque de alívio cômico.

Tirar Nick do caso também foi um ponto que não ajudou. Talvez tivesse sido mais interessante se tivessem explorado a dinâmica entre Hank e Wu de alguma forma diferente, mas foi tudo muito comum e sem novidades. Talvez os roteiristas quisessem mostrar que Hank e Wu são competentes em solucionar casos “anormais” sem Nick, e aí cogito a possibilidade de que isso seja uma dica de que Nick possa morrer (talvez se sacrificar) no último episódio. Espero estar errado.

Outro plot que desponta nesses dois episódios é a caveira de olhos verdes nos espelhos. Não faço ideia do que está acontecendo, mas certamente não envolve apenas Eve, e provavelmente isso se relacionará com o evento da profecia. Aliás, Eve, no momento, é um mistério. Não consigo captar qual é o objetivo dos roteiristas com a personagem, e com apenas 5 episódios restantes, tenho medo de não conseguirem dar a ela um desfecho coerente.

Já uma coisa que considero realmente problemática é Nick se referindo à Eve como Juliette e ficando no Hospital relembrando momentos dos dois. A quinta temporada da série se dedicou a construir uma relação entre Nick e Adalind, e tentar inventar um triângulo amoroso à essa altura do campeonato seria um tiro no pé gigante. Espero que essa não seja a intenção dos roteiristas, até porque, convenhamos, não faria nenhum sentido. Nick e Juliette nunca tiveram muita química juntos, e depois de tudo o que aconteceu e a transformação dela em hexenbiest, esse casal acabou de vez. Nick já havia seguido em frente, e se resolverem trazer “sentimentos antigos” de volta seria um baita retrocesso para o personagem.

Por fim, concluo que Blind Love foi um episódio ótimo e divertido, que mostrou como sentiremos falta desses personagens. Já The Son Also Rises foi mediano, e em minha opinião, a melhor cena do episódio acabou sendo o sonho maluco de Monroe com Rosalee tendo sete bebês (provavelmente mais se ele não tivesse acordado).

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