
Por que sou um Série Maníaco foi o meu primeiro texto opinativo neste blog. Tentei ali expressar o quanto me considero um grande apaixonado por séries. De fato, no momento, eu assisto 35 séries, todas com formatos e temáticas diferentes uma das outras. De lá para cá, se passaram (rápidos) 9 meses, e algumas descobertas e impressões foram bem formadas sobre o trabalho realizado aqui por mim e por meus colegas.
Assim como o tempo de gestação normal de um bebê, acredito que não dá mais para adiar uma questão fundamental sobre este blog e seus colaboradores. No intuito de ser o mais didático possível com os leitores, resolvi tratar cada questão difícil ponto a ponto. O resultado dessa reflexão segue abaixo:
1) Sobre este Blog
“O Série Maníacos existe desde 2006 e é um dos pioneiros desse nicho de reviews de episódios, notícias e colunas sobre séries. Na época o Eric Fernandes e o Anderson Vidoni se juntaram para começar o Série Maníacos depois de terem colaborado em outros sites e blogs. Pouco tempo depois eu (Michel Arouca) fui convidado para fazer parte da equipe. Com tempo fomos “recrutando” novos colaboradores e o blog foi crescendo cada vez mais e hoje é um dos maiores blogs independentes sobre séries do Brasil. Em Novembro de 2008 o Eric Fernandes sofreu um acidente e faleceu. Ele foi um grande amigo e um dos responsáveis pela popularização dos blogs de séries no Brasil. Se hoje o Série Maníacos é o que é muito se deve ao Eric. Com o falecimento do editor do blog e com os compromissos diários do Anderson Vidoni, acabou meio que caindo no meu colo o cargo de editor do Série Maníacos, e até hoje estou aqui junto com a fantástica equipe do blog levando o melhor conteúdo de séries para os fãs.”
O trecho acima foi retirado de uma entrevista dada pelo editor-chefe do blog, o Michel Arouca, ano passado (leia a entrevista completa aqui). Em outra entrevista, no mesmo ano, a idéia básica sobre o que é este blog foi posta novamente em destaque:
“O Série Maníacos está no ar há quase cinco anos. Começamos no Blogspot, passamos para o WordPress e hoje temos o domínio próprio. Somos um dos maiores blogs independentes sobre séries do Brasil. O blog surgiu pela simples necessidade de um espaço para comentarmos entre amigos sobre nossos episódios favoritos. Nenhum colaborador do blog recebe salário. Todos escrevem porque são fãs. É feito de fãs para fãs.”
A informação principal que pode ser tirada destas respostas é que esse sempre foi um blog informal e independente. Tudo começou como um hobby entre amigos, que com o tempo acabou tomando proporções fantásticas. Foi um “sonho não sonhado” que se realizou.
2) Sobre o que Realmente Fazemos
Não sei o que vocês leitores pensam, mas, por mais surpreendente que possa parecer para alguns, nós colaboradores (neste momento em que vós falo somos no total 40), realmente nos esforçamos para trazermos constantemente nossas análises e opiniões dia após dia para serem expostas neste blog. É praticamente um trabalho, mas um que é feito voluntariamente.
Lembro de um comentário dado certa vez pelo colega Mateus Borges sobre o que fazemos aqui. Reproduzo:
“Para mim, não é uma questão de simplesmente colocar a minha opinião e compartilhar com as outras pessoas, de trocar figurinhas. É de analisar os episódios, entender o porquê de nós gostarmos ou odiarmos determinadas séries, de pesar as qualidades, defeitos e tentar descobrir qual exato ponto da trama ou da trajetória de um personagem levou a essas posições. Também é, acima de tudo, uma maneira de criar um diálogo saudável com os leitores e descobrir outros pontos de vista.”
Infelizmente, costumamos presenciar na área de comentários, local onde temos contato direto com os leitores, ofensas pessoais e críticas cujos argumentos não contribuem para o debate que tanto desejamos. Pessoas assim existem em todo o lugar. Contudo, para o terror destes, isso não significa que temos que aceitá-las.
3) Sobre a Questão da Imparcialidade
Sejamos claros: não existe essa tal imparcialidade. Sim, seja lá quem te vendeu essa idéia te enganou. Aliás, um blog é, por sua característica, uma ferramenta de opinião. Portanto, aqui não tentamos nem almejamos ser imparciais. Na verdade, somos todos parciais (“Oh, que horror!”). Todos nós temos preferências, gostos e opiniões divergentes. Por mais óbvio que seja afirmar isso, todo mundo também é assim.
Somos essencialmente discriminadores. Aqui cabe uma nota de explicação: ao contrário do consenso geral, discriminar é bom. Quem discrimina exerce nada mais do que sua liberdade de escolha. Em suma, é alguém com gostos. Discriminar é saber distinguir entre o ruim, o medíocre, o bom e o excelente. Ouso dizer que esse ato é um direito básico dos indivíduos. Afinal, quando discriminamos, estamos tendo a liberdade para demonstrar exatamente quais são as nossas preferências.
Todas as decisões que tomamos implicam a rejeição de outras possibilidades. Quando temos de lidar com o desafio de escolher uma dentre várias opções, um processo discriminatório resolve o problema. Se preferimos A a B, estamos discriminando B.
Quando se “pede” para ser imparcial, o que realmente está se fazendo (muitas das vezes sem que o próprio pedinte perceba isso) é dizer a alguém o que ela deve pensar e fazer. No nosso caso em especial, o que se deve escrever. Isso não passa de autoritarismo. É uma visão que zela ou pela nulidade da opinião ou pela crítica enviesada, carregada de ambigüidade e “outro-ladismo”.
Na verdade, todos deveriam agradecer a existência dos discriminadores. Aliás, foi graças a eles, que hoje podemos contar com as mais variadas opções de entretenimento no que tange especificamente as séries. Tem pessoas que preferem sci-fi, outras que gostam de produções policiais, outro grupo adora uma comédia, e outro aprecia dramas mais pesados. Todos estão discriminando. Todos estão tomando partido. E não há nada de errado nisso.
Obs: Todos nós somos livres para discriminar da forma que bem entendermos, seja para o bem ou para o mal, seja por meio de quais critérios quisermos. O que não devemos é impor a força nossas preferências sobre os demais. O que não podemos é sermos mentirosos quanto a nossas reais opiniões, princípios e gostos. Quando se tem um choque de idéia deve-se, no máximo, tentar persuadi o outro quanto a validade da idéia defendida por você.
4) Sobre o Poder de Influenciar
Algumas críticas que vem sendo feitas por certos leitores desde que foi anunciado aqui que, nós tornamos em 2010, o maior blog independente sobre séries no Brasil, são mais ou menos as seguintes:
Vocês tinham que ser mais imparciais;
Vocês não deveriam se deixar levar por gostos pessoais em seus textos;
Vocês têm que serem cuidadosos, pois muita gente acompanha esse blog e considera a opinião de vocês na hora de fazer escolhas ou comentar sobre séries.
Antes de tudo, pergunto-lhes: quem aqui realmente se considera livre do que sabe, do que não sabe, da sua formação, da sua visão de mundo e dos seus preconceitos? Sinceramente, qualquer resposta em tom positivo nesse sentido é flagrantemente mentirosa. Somos quem somos e ponto final. Dar nossa opinião consiste em deixar claro quem somos como pessoas e, por conseguinte, tudo que isso acarreta.
Em segundo lugar, nossa única responsabilidade com os leitores é de sermos sinceros o tempo inteiro. Nosso único dever é com nossas próprias consciências. Como o leitor recebe nossa opinião, de forma receptiva ou não, cabe somente a ele decidir. Quando dizemos que gostamos ou detestamos algo esta é a impressão que temos do que vimos (no caso das séries). Quando o objetivo de um texto começa a ser agradar a maior parte dos leitores, ao invés de ser a representação fiel de uma opinião pessoal, o escritor termina se tornando um escravo de consciências alheias.
No mais, ninguém é obrigado a visitar este blog. Não forçamos ninguém. E, curiosamente, foi exercendo toda essa parcialidade e discriminação que chegamos onde estamos. Se muitos confiam em nossos julgamentos, é porque eles acreditam piamente neles, isso após terem refletido e concordado com as conclusões aqui expostas. Aliás, essa atitude não é algo para se envergonhar nem se criticar. Saber em quais pessoas e opiniões se pode confiar é um trabalho difícil. Árduo, na maioria das vezes. Mas no fim é gratificante.
Portanto, se você não concorda com algo, deixe isso claro; se concorda, faça o mesmo. No entanto, jamais cobre, por meio de ameaças e ofensas, alterações de opiniões dos escritores por considerar a sua mais correta ou superior. Como já disse antes, tente apenas convencê-lo de que a sua é melhor.
Conclusão
Este continuará a ser um blog “de fãs para fãs”, com análises parciais, apresentando nossas opiniões e análises sem medo das correntes enfurecidas de opiniões. Seja com muitos leitores ou com poucos, não abriremos mão jamais de não só dizermos o que pensamos, como de defender o que pensamos. Até hoje essa linha editorial tem funcionado muito bem e nos orgulhamos dela.
Fica a minha dica ao indivíduo que não concordou com nada do que foi dito aqui: Você é livre; a internet é vasta; com certeza haverá alguém em algum lugar dizendo justamente o que você pensa e defende. Portanto, exerça a sua liberdade de escolha. Discrimine e seja feliz!










