E se não houvesse o retorno de Elena?
I’m back. Ou vocês acharam mesmo que eu viria até aqui na série e deixaria de descer a lenha nela em seus últimos momentos? Não, mesmo! Vamos, juntinhos, de mãos dadas – queimando igual as bruxas da linhagem Bennet – até a season finale, quando, enfim, tomaremos a cura e nos despediremos de TVD. Bom, como nunca antes na história dessas reviews, tive que fazer um ménage à trois de episódios e tentarei fechar um contexto que os envolva o máximo possível, sempre ciente de que os ganchos dos que já foram exibidos há tempos, estão, em sua maioria, respondidos. Então, vamos lá, amiguinhos!
Pois bem, em primeiro lugar, precisamos comentar o plot que só não é a pior coisa que TVD já inventou na vida, por motivos de travelers da quinta temporada: o bendito sino dos antepassados de Matt. Gente, tudo que já envolve os Donovans já é um dilúvio de marasmo e pouco entretenimento, imagina quando a gente descobre que, na verdade, a culpa disso tudo é de um doppelganger do Matt. Dá vontade de chorar, mas ao mesmo tempo explica o porquê disso estar tão ruim. Ninguém se importa com esse sino, e ele, provavelmente, já perdeu toda sua função na série, já que suas duas grandes funções – eliminar as sereias e abrir a porta do inferno pra Cade passar – já foram exemplarmente cumpridas com apenas 11 badaladas. Não dá pra confiar em uma história que, a cada momento, tem uma regra nova, que surge do nada, sem nenhuma explicação. São 12 badaladas, não onze, nem onze meio, nem 12 quase completas, nem vale bater com a cabeça. 9,9 não é 10, já diziam meus professores. E se não bastasse isso, sempre vem aquele estagiário-zumbi, explicar um monte de coisa que a gente não entende, ou citar nomes de gente antiga que a gente nunca entende, ou explicar a origem de algum instrumento que a gente nunca entende. E não queremos entender. As sereias já se foram, Cade já voltou, o sino já tá lá mortinho do lado da outra morta viva, bola pra frente, Deus no comando, joga esse sino no fundo do rio de novo, peloamor.
Aproveitando a regra de que a cada badalada a porta do inferno se abria um pouquinho e que na décima primeira o shape de Cade permitiu que ele passasse – the monio fitness – tivemos, enfim, o verdadeiro vilão dessa temporada na área. Demorou só 11 episódios de 16? Demorou. Mas tinha tanta história incrível pra contar antes: sereias super vilanescas, correria pra todo lado, que nem deixou a gente sentir falta dele, não é mesmo? Não é não. Na verdade, os roteiristas andam tão indecisos, que, de primeira, fazem os personagens conjecturarem diversas possibilidades de como matar o capiroto, cogitando até mesmo a cura, para, no episódio seguinte, lançarem outra história, mas agora envolvendo um livro que explica como atingir esse feito. No final das contas, perdeu-se o livro, perdeu-se a cura, perdeu-se nosso tempo. Aliás, por mais que eu ache que a presença de Cade impõe certo impacto na série, ainda penso que ele nada fez como vilão. Tudo, de certa forma, é obra de Damon e Stefan e, mesmo que ele seja aquele cara que comanda e vomita ordens, nada impede que ele também faça algo com as próprias mãos. Legitima a personagem e ainda descontrói a visão de que ele não cumpre as consequências danosas de seus acordos. Pois, pensem, se eu fiz um acordo com dois seres imortais, de serem meus escravos por 365 dias, se eles encontram uma brecha, como capeta bem bravo, bem louco que sou, eu não os liberaria, mas sim os mandaria para o mais profundo vale do fogo do inferno. Muita benevolência e pouca destruição.
A questão que é uma incógnita na série desde quando surgiu na sexta temporada é a cura, the cure, the cicatricure. Por óbvio, as explicações sobre o funcionamento da cura não vieram por conveniência de roteiro, ou seja, quanto menos a gente souber, mais eles podem inventar e mais a gente é feito de trouxa. Algo muito delimitado não deixaria que a série “surpreendesse” seu público. De todo modo, a questão mais controversa disso tudo, foi o fato da série fixar que as porções da cura eram únicas e, por isso mesmo, restrita àqueles que a tomassem, para, agora, permitirem essa farra do boi de transfusão de sangue e tal. Quando Elena se tornou humana, surgiu especulações no sentido dela ser drenada por Damon e envelhecer somente uns três anos, diferente da rainha Kath, por exemplo. Mas, dessa vez, tiraram apenas uma dose do seu sangue, e deixaram tudo bem vago, bem aberto. Pra variar. Não consigo sequer ter certeza de que Stefan não pode ser drenado. Se puder, que virem todos humanos, então, e deixem Matt feliz.
Falemos agora sobre a morte de Enzo e o retorno de Kai. Um sobe, um desce, mas a origem desse vai e vem é, sempre, a mesma: o medo que TVD tem da morte. Suponho que o passado da equipe da série não seja dos melhores. Não há espaço na série para mortes de personagens principais, a não ser, por óbvio, quando a personagem pede para sair. Nem sempre foi assim, mas agora o é. Não sinto que era o momento de Enzo sair, nem queria, afinal, por mais piegas que as cenas com Bonnie podiam ser, o script estava funcionando direitinho, eu acreditava naquele casal. Mas, é no detalhe que a morte de uma personagem funciona: ou você mata no ápice ou na completa inutilidade, mas nunca no meio termo. Como não o fizeram quando ele não fazia diferença pra gente, limpando o cast, que o fizesse quando a gente sentisse algo. Foi triste, rápido e na medida. Permaneceria assim, se não fosse o tal portal que Bonnie abriu. Eu jurei que aquele descolamento de ar significava o retorno dos poderes de Bonbon, mas a série sabe como desconstruir suas cenas de impacto no instante seguinte. Enzo voltará e fim de papo. #CasalBozoAtéoFimLiteralmente
Já quanto a Kai, só tenho a dizer: Oiiii sumido rsrsrs. Se não fosse a necessidade de Kai tirar o feitiço de Elena sem que Bonnie precise morrer, eu apostaria que Kai retornou apenas pelo amor que Plec nutre pelo ator. TMZ feelings. Foi um belo de um tiro na gente, mas nada que já não estejamos acostumados em TVD e que já não tenha sido dito no parágrafo aí de cima. O retorno dele deve ter sido financiado pelas 11 badaladas do sino, somado ao fato dele ser o vampiro-bruxo mais fodástico de sua linhagem, além dele ter sugado alguma magia disso tudo. A dúvida que fica: se o demônio morre, o inferno some e todo mundo volta tocando terror? Deveria ser assim, mas essa série é sobre mocinhos e não vilões.
Estamos a q-u-a-t-r-o episódios do final, totalmente dependentes de uma resolução competente para o retorno da protagonista, que, até agora, vem sendo balizada por uma história fraca, sem rumo, cheia de brechas e informações mal explicadas. Então, nada mais interessa, a não ser Elena. Como sempre foi.
P.S: Bonito. Que bonito hein. Que cena mais linda teria sido ver o corpo de Enzo em chamas, lá na quinta temporada.















