“Que eu sempre conserve as melhores tradições de meu chamado… e que eu possa experimentar a alegria de curar aqueles que buscam minha ajuda.”

Code Black sempre foi uma série muito interessante em sua abordagem sobre a medicina, utilizando de uma criatividade e ousadia grande para entrelaçar casos médicos com temas sociais necessários e importantes de se discutir. Entretanto, o erro da série sempre foi a de ser às vezes fria quanto aos seus personagens, não mostrando muito de seus lados vulneráveis e focando mais em suas faces profissionais. “The Devil’s Workshop” veio para arrebatar qualquer coração e qualquer crítica que qualquer um já tenha feito sobre a falta de conexão com os personagens.

“Vertigo” finalizou seu episódio com um cliffhanger que indicava Ariel como o foco de todos os problemas da próxima semana e essa sensação se manteve durante um tempo, já que sua discussão com Leanne sugeria que algo de ruim aconteceria com sua “fuga”. Todavia, tão rápido e assustador foi visualizar uma cena de exorcismo no depósito de um supermercado; foi difícil digerir o plot twist jogado na nossa cara quando Heather foi mordida e a infecção foi descoberta. Ficou claro nos olhos de Willis que nada estava bem e que provavelmente nada ficaria bem, porém, como trouxa que sou, continuei firme e forte acreditando que no último segundo a noite terminaria bem, afinal Code Black não é da Shonda ou do George R. R. Martin.

Entretanto, a aflição gerada por esse episódio perdurou durante seus 40 minutos, revelando notícias ruins atrás de notícias ruins e colocando cada hora um personagem contra a parede. Se no início parecia que Ariel estava em perigo e logo depois o foco se mudou para Heather, com mais uma reviravolta Mario, Malaya e Sugar Bear passaram a correr risco, deixando no ar a ideia de que ninguém ali estava salvo. Esse jogo de ameaças e a constante mudança de foco entre os personagens possibilitou vermos a vulnerabilidade no olhar daqueles que estavam na quarentena e tentavam lutar contra a vontade de desistir, e daqueles que estavam do outro lado, se sentindo impotentes e até mesmo com um sentimento de culpa, como mostrado por Angus.

Além da infecção, CDC e todo o caos instalado no Angels, o episódio ainda conseguiu nos apresentar um caso emocionante e interessante do outro lado do hospital. A dança no meio do corredor, em silêncio, mostrando todos os sentimentos através do movimento do corpo e das lágrimas nos olhos foi apenas a cereja do bolo para nos deixar prontos para o que estava por vir.

A morte de Heather foi extremamente rápida, não dando tempo para digerirmos ou aceitar o que estava acontecendo, relembrando um pouco da dor que sentimos quando Charlotte se foi. Porém, diferente de Charlotte, Heather viu sua morte se aproximar e mais do que isso, seus colegas e amigos não puderam fazer absolutamente nada para evitar. Depois de evoluir bastante e começar a se tornar uma incrível médica, sua morte mostrou o quão efêmero a vida é, e citando Pequeno Princípe, que “o essencial é invisível aos olhos”. Dra. Pinkney morreu fazendo o que fazia de melhor, cuidando daqueles que precisavam e pediam por ajuda, olhando para eles como seres humanos doentes e não como doenças, e fazendo arte, porque a medicina é uma arte.

Heather vai fazer falta, mas adepto que sou da teoria de que a morte pode ser um grande personagem, o legado dela e o seu falecimento gerarão efeitos que não pararão por aqui. Com essa morte poderemos ver muito mais do lado pessoal dos personagens e nos conectar com eles, poderemos entender melhor o que acontece quando essas infecções são reportadas nos jornais e, por fim, poderemos ver o quão humilde e nobre é dar sua vida para salvar outras todos os dias.

Porém, Code Black não está para brincadeira e essa morte parece ter sido apenas um aviso de que “o gigante acordou”. Com um cliffhanger incrível, fomos deixados com a angústia e aflição do que poderá acontecer não só ao Mario, Malaya, Elliot e Ariel, mas também a todos os outros que continuam sendo contaminados pelo paciente zero. “The Devil’s Workshop” apenas começou e estou empolgadíssimo para ver Code Black me levar do céu ao inferno.

Black Tag:

– ”Primeiro nao faça nenhum mal. Respeite aqueles médicos em cujos passos eu ando e compartilho de bom grado tal conhecimento com aqueles que seguem. Lembre-se que eu não trato um gráfico ou uma doença, mas um ser humano doente. E se eu cuido adequadamente deles, que de sua família também. Lembre-se que há arte na medicina, bem como ciência e que o calor, simpatia e compreensão pode superar a faca do cirurgião ou a droga do químico. Trate com cuidado questões de vida e morte. Esta grande responsabilidade deve ser enfrentada com grande humildade e consciência de minha própria fragilidade. Que eu sempre conserve as melhores tradições de meu chamado… e que eu possa experimentar a alegria de curar aqueles que buscam minha ajuda.” – Dra. Heather Pinkney

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