Com uma trinca de episódios consistentes, a segunda temporada de Baskets não vem decepcionando os fãs. É de se imaginar, portanto, que os episódios recentes tentem recapturar a magia da excêntrica primeira temporada, apostando em dinâmicas conhecidas e já aprovadas pelo público. É pela recusa desse caminho, entretanto, que ‘Bail’ e os episódios passados acertam tanto a mão. O mais evidente, já comentado aqui, é o deslocamento de Chip, protagonista, do núcleo central da história em Bakersfield para as estradas – jornada essa que ao que tudo indica deve ter chegado ao fim. Mas essa é apenas a superfície do que os roteiristas planejam explorar aqui, apenas a premissa que bota debaixo dos holofotes esses personagens agora obrigados a conviverem com a solidão e, assim, a conhecerem-se mais a fundo, fora daquilo que lhes é seguro.
Dale é o personagem com mais tempo de tela em ‘Bail’, figura que ainda deve ser muito explorada pela série já que é sempre retratado tangencialmente. É interessante notar que embora os gêmeos sejam profundamente divergentes em espírito, noções de moral e personalidades, há muito de comum entre Chip e o irmão, ambos confinados ao despertencimento, cada um a sua maneira, Dale amarrando-se ao próprio passado, aos relacionamentos fracassados idealizados, e Chip frequentemente projetando seus desconfortos num futuro hipotético, improvisado e igualmente fabuloso. Nunca é demais destacar o trabalho extraordinário que Galifianakis faz com ambos os personagens (é uma afronta que as grandes premiações não o tenham reconhecido), essencialmente distintos mas nunca caricatos, no sentido pejorativo da palavra.
Até mesmo Christine precisa aprender a lidar com a nova configuração das vidas daqueles ao seu redor. Grande parte de seu caráter é fruto de seu papel como mãe, mentora, uma espécie de porto seguro para os personagens perturbados que clamam silenciosamente por ajuda. É lógico, então, que quando seus filhos perdem-se tanto que já não gritam seu nome – seja por estarem discotecando em turnê, vagando pelos trilhos de trem ou bebendo sozinhos em bares -, o mundo de Christine também sofre impacto considerável e, outra vez, surge a necessidade do autoconhecimento, e ‘Bail’ é muito bem sucedido nessa representação por um conjunto de elementos, dos quais destaco o roteiro delicado, a direção sutil e o sempre espetacular Louie Anderson, que encarna a matriarca com uma naturalidade ímpar.
Chip senta no banco do passageiro nessa semana, por assim dizer, e isso não é nada ruim. Muito pelo contrário, é ainda mais uma rejeição do óbvio e do previsível que essa segunda temporada faz, sendo eficaz em múltiplos sentidos: renova o ritmo, expande os temas e evita à repetição de argumentos e ideias à medida que os roteiristas descobrem novos universos em seu (extraordinário) elenco secundário. Há uma parte de mim que deseja que isso se mantenha ao longo dos sete episódios faltantes, talvez até guardando o retorno de Chip para casa para o season finale (ou para a terceira temporada, quem sabe?). Mas há também outra intrigada para assistir à inserção de um Chip novo, bastante transformado pelas experiências da estrada, naquilo que no passado foi sua zona de conforto. De uma forma ou outra, o futuro de Baskets é imprevisível, fasinamente imprevisível.















![Baskets 2×10: Circus [Season Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2017/03/Baskets-2x10-218x150.jpg)