Iniciativas, decisões e consequências.

Em seu segundo episódio do ano de 2017, Teen Wolf sustenta o bom ritmo, mantendo a crocância do sucesso adolescente da MTV.

Heartless já se inicia em ritmo frenético, utilizando-se do recurso “sonho dentro de vários sonhos” tão bem feito no filme Inception. Só não me ficou bem claro o objetivo da sequência, além de passar o sentimento de culpa de Theo por ter matado a irmã quando mais novo. O fato aqui é que o personagem, que retornou no episódio da semana passada, ganhou bastante destaque no capítulo dessa semana.

Ao que parece, o velho dilema da confiança será bastante explorado nas relações de Theo com os demais componentes do pack de Scott. Fazer cara de inocente o menino faz bem e sou obrigado a concordar com Malia com relação a constante desconfiança do rapaz. A verdade é que, no final das contas, irei “confiar” que ele irá sempre priorizar seus próprios interesses. Não obstante, surpreender o telespectador com uma boa virada faz parte da estratégia de qualquer bom contador de histórias, A.K.A. roteirista.

Gostei da missão paralela de Malia com Melissa de fazer um acordo com Peter e resgatá-lo no episódio. Só achei muito repentina a cura, ainda que já devidamente introduzida com o Argent na semana passada, ter recuperado até o cabelo dele (!). Agora se o personagem irá mesmo ajudar nossos heróis a resgatar Stiles, acho pouco provável.

A missão principal da semana, de capturar um Ghost Rider vivo para interrogatório, por mais perigosa, improvável e absurda que parecesse, acabou dando certo. Para tanto, envolveu o esforço da maioria do elenco principal, sendo uma boa maneira de o roteiro reunir todos esses personagens de maneira orgânica. Foi reforçado que os Cavaleiros Fantasmas são realmente maus e só querem capturar cegamente pessoas, sem um propósito maior.

Além disso, a missão serviu para mostrar Liam tentar tomar as rédeas da liderança do grupo, ainda que capitaneado por Scott. Outro destaque protagonizado por Liam é que foi dele a decisão de desenterrar Theo para ajudar o grupo. Foi interessante ver o crescimento do personagem, que teve de se impor para poder defender sua escolha, que pode parecer equivocada futuramente.

Porém, a maior função desse plot foi mostrar que Parrish, finalmente de volta, pode se comunicar com os Cavaleiros Fantasmas, apesar de duas vezes que todos puderam entender em inglês o que ele dizia, para depois voltar para a língua que só o hellhound entendia. Achei um furo de roteiro e/ou edição bobo que poderia ter sido evitado, com uma solução mais elegante. Além disso, tive a impressão que o cavaleiro capturado pode, de certa forma, hipnotizar e controlar Parrish por um momento, o que pode ser bastante perigoso para a alcateia comandada por Scott.

Já no que concerne a resolução de Lydia para a existência da mãe de Stiles nesse universo alternativo, considerei-a elegante e eficiente para a trama. Como foi plantado no episódio anterior na visita à cidade fantasma, o desaparecimento de alguém pode levar a uma manifestação, inconsciente às vezes, de um ente querido falecido para suprir a lacuna. Foi o que aconteceu com Stiles (novamente ausente, infelizmente) e sua mãe. O difícil mesmo agora será convencer o xerife disso, já que apesar de conhecer a vida sobrenatural existente em Beacon Hills, ele parece ter recuperado todo o seu ceticismo inicial de temporadas atrás.

Teen Wolf sempre trabalhou com a fórmula de dois (grupos de) vilões por temporada (ou metade de uma), seja compartilhando um objetivo em comum e/ou opostos. Aqui na sexta temporada a coisa não é diferente, com a introdução dos Cavaleiros Fantasmas para logo em seguida o professor esquisito, novato e super suspeito mostrar a que veio. Theo já conhecia o rapaz desde a época dos Dread Doctors, pelo que a interação entre os dois deu a entender. O cara é tão mau, feito um pica pau, que o Ghost Rider, até então imbatível para Scott e companhia, não passou de uma refeição pro grande vilão dessa (primeira metade da?) temporada.

Aparentemente ele absorve os poderes das criaturas que consome, o que ficou explicito pela mudança da cor de seus olhos. Se em sua primeira aparição com os olhos vermelhos eu achava que ele queria destronar Scott como o alfa de Beacon Hills, agora já não tenho mais certeza quanto aos seus objetivos. Uma pena que sua primeira vítima tenha sido o coitado moita e fofo do Corey. Pobre garoto, virando material de cliffhanger!

Heartless cumpriu seu papel de entreter a audiência, de forma leve, sem compromisso e com muita diversão. Além disso, evoluiu com a trama, instigando o telespectador a aguardar pelo próximo episódio. Agora só nos resta esperar para descobrir quando os interesses do Sr. Douglas irão confrontar-se diretamente com o time liderado por Scott.

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