Difícil desassociar The Exorcist, a série, da sua contraparte cinematográfica, já que a história é uma continuação direta, o que pesa bastante contra a série, já que ela carregou nas costas o peso que o filme tem dentro da cultura pop. Assistindo a season finale, bateu uma sensação de que algo ali não funcionou de fato, que elementos foram simplesmente jogados e a trama deu uma acelerada no ritmo das coisas, mas que ficou um tanto estranha.

“Você nunca será uma de nós”

O episódio “162” serviu como um “esquenta” para a finale que estava por vir, e foi aí que a trama começou a correr de forma exagerada, e começaram as explicações mais sem nexo dentro da série até o momento.

Primeiro queria pontuar a questão de Casey, que sofreu com Pazuzu dentro dela, mas quase não tivemos tempo de ver quais as consequências dessa possessão na vida da garota, tivemos apenas um pequeno vislumbre em alguns momentos. O fato de Casey ter consciência de tudo que aconteceu durante sua possessão poderia abrir um leque de debates, mas simplesmente foi mostrado de leve e passou, sem um maior desenvolvimento.

Outra coisa que soou muito forçada, a união de Pazuzu com a liga do mal. Quer dizer que Pazuzu é do alto escalão? Ele que era o cabeça da liga? Em que momento eu perdi toda essa explicação? Pareceu só que tinham que interligar a história da família Rance com o atentado ao papa. Tanto é que no episódio seguinte dizem “a Angela não vai estar presente por conta de problemas familiares” e assim se encerra a participação da família no plot da liga do mal. Ou seja, foi apenas para dar a desculpa de que existia uma ligação entre eles, mas que de fato nunca existiu.

Outra coisa inútil foi todo o plot de Jéssica e Tomas. Por mais que tivesse todo o background, no qual ele conversa com o demônio sobre suas mentiras e desejos de vida, Jessica foi algo completamente irrelevante para a história. Até a questão do marido traído foi tratado de forma um tanto vaga, só serviu para mostrar que na igreja, o jogo de poder e manipulação é muito mais forte do que se pode imaginar.

Mas podemos dizer que Marcus e Angela foram os grandes pontos positivos do episódio. Marcus sempre brilha com seu jeito “delicado” de conseguir o que quer. O que me chamou a atenção foi que um padre, que é bem inteligente, demorou tanto tempo para descobrir tudo.

Já Angela deixou aquele jeito meio mosca morta do início, e assumiu o lado demoníaco com gosto. E podemos dizer que Geena conseguiu transmitir toda imponência que Pazuzu exigia. A cena dela com Madre Bernadette e com Simon foi simplesmente lindas, fora o tapa na cara que Maria levou do nosso demônio favorito.

Já a season finale veio como um trem desgovernado e correu para fechar todas as pontas de uma vez. Para começar, podemos falar do exorcismo de Angela, que era uma coisa previsível, mas faltou um pouco mais de emoção. O fato de mostrar que não foi de fato uma integração e todo o jogo que Pazuzu fez com os demais membros da família foi bem tenso, mas poderia ter rendido mais. Ficou algo um tanto burocrático. Mas admito que a cena final do exorcismo, com todos se juntando contra o Pazuzu, inclusive com Angela dando uma surra no demônio, foi linda.

Na parte de Tomas, a série praticamente simplesmente o fez virar um exorcista do nada. Quem precisa de anos de ensinamentos e práticas para quem tem esperança e amor? Se for seguir pela lógica apresentada, qualquer um pode ser um exorcista.

Na parte do Papa, tivemos finalmente o ataque ao papa, que foi anunciado durante vários episódios, para no final ser algo só “ok”. A cena do galpão entre Simon e Marcus foi bem mais interessante do que a parada em si. Agora não entendo como Marcus conseguiu salvar o dia, pois nada ali estava conspirando a favor dele, muito pelo contrário. Mas ok, vamos voar.

Aos 45 minutos do segundo tempo Maria consegue o seu tão querido demônio e revela que o plano da liga do mal não era de fato o papa, mas que tinha algo ainda maior, deixando um gancho para a segunda temporada. Mas vamos pensar, como seria uma segunda temporada sem a Angela/Regan? Pois não creio que irão repossuir alguém da família de novo.

Se por ventura existir uma segunda temporada, vai ser um tanto quanto destoante da sua obra original, explorando novos caminhos, como vem sendo feito. Isso pode ser bom, pois a série poderia ampliar ainda mais a mitologia de “The Exorcist”, mas pode ser ruim já que pode desagradar os fãs mais antigos, já que a ideia é ter um caso por temporada, segundo seus showrunners. É aguardar para ver o que irá acontecer.

PS: Se tiver segunda temporada, por favor façam um casal Marcus e Tomas.

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