
Uma experiência muito frustrante para qualquer série maníaco é criar expectativa por uma série, ficar empolgado com a estreia e se decepcionar com o episódio piloto. É comum comentários do tipo, “é muito cedo para julgar, pois a série acabou de começar”. Minha opinião é um pouco diferente. Acredito sim, que uma série pode melhorar após seu primeiro episódio, mas na grande maioria das vezes, o episódio piloto é uma boa amostra do que está por vir.
Spoilers Abaixo:
Camelot é mais uma aposta do canal Starz que visa mostrar a juventude do Rei Arthur e todos os mitos por uma perspectiva diferente. Em Camelot, a feiticeira Morgan envenena seu pai, o Rei Uther para assumir o trono ao lado do maior inimigo do reino, Lot. Para evitar que isso aconteça, Merlin vai atrás do filho bastardo do Rei Uther, o jovem Arthur, que até então não imaginava ser o verdadeiro herdeiro do trono.
Gosto muito da lenda do Rei Artur. Acredito que muitos de nós lemos ou assistimos alguma adaptação da famosa saga do jovem que recebeu da Dama do Lago a poderosa espada forjada em Avalon, Excalibur. Quando criança, A Espada Era a Lei foi o meu desenho favorito da Disney. Nessa versão, Excalibur estava em uma pedra e apenas “o verdadeiro Rei” poderia tirá-la dessa pedra. Merlin, Morgana, Cavaleiros da Távola Redonda… Acho muito difícil alguém não estar familiarizado com algum desses elementos. Sem falar que o gênero medieval foi muito popularizado graças aos RPGs e autores como J. R. R. Tolkien e Bernard Cornwell (devo ter lido todos os livros desses dois autores).
O primeiro episódio de Camelot sofre de um grande problema que muito dificilmente será resolvido com o tempo: o péssimo roteiro. É difícil entender a falta de cuidado ou de empenho por diálogos críveis, que nos transportem para uma época rica em mitologias e conflitos. Não sei se foi proposital a ideia de um texto simples, de linguajar atual para que a audiência possa se identificar como facilidade ou se é mera incompetência dos roteiristas. A fórmula ideal seria a de Spartacus (também uma série do Starz), que usa terminologias de época, misturando alguma coisa mais atual para contextualizar. Os mesmos diálogos de Camelot poderiam ser usados ipses literis em uma novela aonde um poderoso empresário morre assassinado pela filha gananciosa e mais tarde aparece o herdeiro bastardo perdido.
Não vou ficar elogiando muito a fotografia, ambientação e figurino, pois esses elementos técnicos são o mínimo que uma série com essa proposta deve fazer de forma impecável. No entanto, vale mencionar o bom trabalho do elenco. Fiquei surpreso comigo mesmo por gostar de Joseph Fiennes na pele de Merlin depois de toda a antipatia que criei pelo ator por suas constantes expressões de prisão de ventre em FlashForward. Em Camelot ele está muito bem, e Merlin é um personagem misterioso, que deu a atender pelo menos duas vezes que é mais velho do que aparenta ser, e não nego que essas insinuações despertaram minha curiosidade. Porém, quem rouba a cena, é a bela Eva Green. A feiticeira Morgan é impiedosa, vingativa, gananciosa e sedutora. Ela está ótima e é um raro bom elemento nesse piloto. Por outro lado, nem tudo são flores nesse departamento, pois o “astro” de Camelot, o Rei Arthur é interpretado pelo insosso Campbell Bower. O rapaz está deslocado em meio ao competente elenco que o cerca. Suas expressões são sem vida e no momento que a cena exige uma amostra de liderança e eloquência a coisa fica ainda mais vergonhosa. Campbell Bower parece que foi cuspido da série teen mais porca da CW.
Camelot começa dia 1 de Abril nos EUA e tem 10 episódios encomendado. O piloto exibido na última sexta-feira, dia 25/02 foi apenas um “gostinho” antes da estreia oficial. Pretendo assistir mais um ou dois episódios para pelo menos ver Excalibur e Guinevere, mas desde já peço para que moderem suas expectativas para evitarem a decepção que tive.
PS – Achei interessante a menção a César, Cleópatra e Marco Antônio no começo do episódio, pois Marco Antônio foi o personagem de James Purefoy (o Rei Lot) na série Rome da HBO.










