Supergirl tira um momento para refletir antes de começar a lidar com a Invasão da DC CW em Medusa.
Episódios temáticos geralmente não fazem meu estilo. Dificilmente consigo me conectar com episódios natalinos, de dia das bruxas ou ação de graças. Meu grande problema é que a grande maioria das produções opta por desenvolver seu roteiro ao redor de uma data com fortes conexões sentimentais pré-estabelecidas – você praticamente já sabe o resultado. Diferente do esperado, Supergirl decidiu fazer de seu último episódio do ano um capítulo que abre com um típico almoço em família, mas aproveitando o aspecto mais forte presente em seu roteiro, a expõe um lado bem mais sombrio para sua dinâmica. E mesmo que a primeira parte do evento crossover das quatro séries da DC CW não tenha realmente começado com Supergirl, o que Medusa fez por seus personagens com certeza representa um grande avanço.
O poder verdadeiro de Supergirl enquanto série é o sentimentalismo que o texto transporta para o telespectador. Sim, estamos falando de um mundo com alienígenas, pessoas superpoderosas e com a capacidade de correr mais rápido do que uma locomotiva, mas no final o que realmente importa é o lado humano, mesmo que sua protagonista não o seja. Em seu oitavo episódio a série da Supergirl optou por deixar de lado a ação desenfreada de seu antecessor, The Darkest Place, e investiu no desenvolvimento pessoal de seus personagens, algo que sempre dá muito certo para o time da Kara.
Medusa é muito mais sobre os pais do que sobre os filhos. É uma conexão que aproxima Lena de Kara, Alex de Eliza e Jon de sua herança. Tanto a heroína quanto a empresária precisam lidar com aquilo que seus pais fizeram em prol de um “bem maior”. Durante a primeira temporada descobrimos que a mãe de Kara, Alura, escondeu dos habitantes de Krypton a degradação ambiental que o planeta estava sofrendo, além de aprisionar a própria irmã gêmea que estava tentando conscientizar a população a respeito dos riscos que todos corriam, um que levou a destruição do planeta inteiro. Tudo bem, Astra e Non traçaram um caminho muito mais caótico, mas que período da história com grandes mudanças, incluindo as boas, não está manchado de sangue? Enfim, com a descoberta de que o pai criou um vírus xenofóbico para matar qualquer alienígena em seu planeta no caso de uma invasão, incluindo possíveis imigrantes ilegais (por que não?), Kara foi confrontada novamente pelos pecados de sua família, em um tema que está em constante desenvolvimento desde o retorno da série para sua segunda temporada.
É interessante notar como a série está optando por desenvolver os pais da grande heroína de National City. É um paralelo interessante com o da família Luthor e o de várias pessoas que já chegaram a semear o mal em prol do chamado “bem maior”. Como eu disse ali em cima, vários processos de mudança durante os mais diversos períodos históricos da humanidade, incluindo os benéficos, foram maculados por casualidades. Entretanto Zor-El, o pai de Kara, nem ao menos se preocupou com a criação de uma cura para o devastador vírus desenvolvido para a “proteção” de seu planeta. É uma maneira bem cruel de conceber a família de Kara e também demonstra que mesmo as piores atitudes podem vir de pessoas boas. E essa aproximação com Lena é algo que enriquece a dinâmica entre as mulheres de Supergirl, uma série que preza pelo mais amplo espectro de empoderamento feminino, sempre muito diverso.

Outra história que está recebendo toda a atenção devida é a da Alex. Usualmente séries não dedicam tanto tempo em tela para o assunto de coadjuvantes. A fórmula para quem não é protagonista tipicamente prefere dedicar um episódio especifico para a temática de secundários e futuramente apenas reconhecer a existência de determinado conflito. É isso que está acontecendo em The Flash, com Cisco e Caitlin. Diferente do esperado, porém, Supergirl está levando a história de Alex para um patamar de protagonismo. Pela terceira semana seguida estamos acompanhando o resultado de um assunto que poderia ter terminado com um episódio apenas. É uma compreensão magnifica do roteiro de que a aceitação pessoal e o caminho de descoberta da própria identidade é, na falta de uma palavra melhor, um processo, lento e gradual.
A história da Alex não está simplesmente sendo jogada. O telespectador está recebendo a chance de acompanhar uma história como a de muitas pessoas reais que em uma determinada fase da vida são confrontadas pela própria identidade. E Supergirl não poderia ter escolhido uma maneira melhor para trabalhar o seu primeiro casal oficial da segunda temporada. É animador perceber que o crescimento de Alex está sendo feito de forma lenta. Não é algo instantâneo porque a própria vida não segue um padrão pré-determinado. Algumas pessoas saem do armário com extrema facilidade e outras não. Ajuda o fato de ter uma mãe como Eliza, que recebeu como filha uma garota de outro planeta, um tipo de aceitação que a impediria de rejeitar Alex, mas muito mais do que casualidade, existe um fator humano muito honesto dentro da série, um que não deixa o beijo entre Alex e Maggie como algo forçado. É bonito, aquece o coração e mostra o valor da produção.
Mas nem mesmo um episódio cheio de virtudes como Medusa está blindado do vírus que continua fazendo parte da série. Tudo bem, neste episódio não tivemos James em seu arco como Guardião, algo que já garante vários pontos positivos, mas alguns aspectos de tramas passadas continuam aparentando um padrão apressado e mal embasado. J’onn é o grande perdedor neste episódio. Sua possível transformação em um marciano branco, além de sua interação com M’gann, demonstrava um potencial desenvolvimento do arco de ambos os personagens. Só que tudo terminou de maneira tão imediata, que questiono a decisão de ter acontecido. Sem contar, por exemplo, com o desaparecimento da vida pessoal da Kara fora do uniforme de Supergirl. Momentos como o almoço, com a Alex roubando a cerveja do Winn, ou a Kara pensando que o Mon-El estava dando em cima da sua mãe, são tão divertidos quanto as cenas de explosões e perseguição. Esses momentos não deveriam ser raridade e espero que não se transformem. O aspecto humano de Supergirl é a grande força da série e enquanto as outras produções da casa praticamente se esquecem que seus protagonistas são pessoas comuns, a série da alienígena de Krypton ainda permanece como a mais humana do grupo.
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Easter eggs e outras informações em Medusa
– Oficialmente o episódio crossover entre Supergirl, Flash, Arrow e Legends of Tomorrow começou aqui, em Medusa, mas para quem já assistiu Flash, sabe que não é bem verdade.
– Cisco não gostou muito de ser chamado de amigo do Barry. O personagem está brigado com o Flash por causa de uma “pequena” alteração causada na linha do tempo. Coisa boba.
– É sempre ótimo ver a amizade entre Kara e Barry. A maneira que eles se abraçam representa a força do crossover Worlds Finest durante a primeira temporada de Supergirl.
– Na nona arte existe uma espécie de “arma biológica” criada por um dos ancestrais do Superman, chamada The Eradicator e que explica o motivo pelo qual os kryptonianos não fugiram de seu planeta antes da destruição. O erradicador foi um item utilizado para manter a pureza da raça de Krypton e ao mesmo tempo impedia que seus habitantes sobrevivessem fora do planeta natal.
– Em Supergirl #8, a última filha de Krypton terminou se transformando na medusa, com direito a cobras no lugar do cabelo e tudo. A garota de aço foi responsável por transformar os membros da Liga da Justiça em pedra, em um dos momentos mais divertidos da Era de Bronze dos quadrinhos.
– Este é o último episódio do ano de Supergirl. A série volta em 2017 com Supergirl Lives, episódio dirigido por Kevin Smith.















