Que fase!

Spoilers Abaixo:

90210 vive uma etapa esquisita de sua terceira temporada. Após uma primeira metade cheia de esforço por parte dos roteiristas, a série começou a cair de produção após encerrar o arco melhor trabalhado da temporada. O curioso é que situação semelhante aconteceu na temporada anterior, quando a trama perdeu seu fôlego, fazendo com que o roteiro passasse a mostrar para o espectador histórias arrastadas e com pouca continuidade, apostando muito nos romances entre seus personagens. Dentro desse cenário, fica difícil imaginar que 90210 terá ótimos episódios daqui pra frente. Mesmo assim, Revenge of the Nerd consegue divertir até certo ponto, mesmo não funcionando bem como um todo.

Obstinada por recuperar a grande quantia de dinheiro perdida por ela no episódio passado, Naomi tenta de todas as formas encontrar uma forma de provar a fraude de Guru Sona, mas não consegue sucesso. Sem querer, acaba ganhando a ajuda de Max, um nerd que é dupla da garota na escola. O rapaz descobre a existência de uma rara espécie de coruja no terreno que será utilizado para a construção do Centro Espiritual da Guru. Enquanto isso, Ade chora a perda do namorado enquanto grava o piloto de seu novo reality show. Silver obviamente não se sente à vontade com isso, o que piora quando Ade resolve importunar Navid e Dixon em seu novo negócio de produzir videoclipes. Alheia a tudo isso, Annie revolta-se com Emily por ter tido seu papel roubado pela prima, o que faz com que a garota passe a desejar ainda mais coisas, como Liam.

A trama que dá título ao episódio é a de Naomi com seu novo amigo Max. A personagem se tornou no final da temporada passada a mais profunda e carismática da série, deixando de lado a personalidade construída para ela na temporada de estreia de 90210. Após o roteiro se livrar de um pesado arco para a garota, não seria surpresa se ela passasse por um momento mais calmo. É exatamente isso que tem acontecido nos últimos episódios. Mesmo considerando a fraude por parte de Guru Sona, é estranho imaginar Naomi envolvida em tramas tão mais leves. Aqui, a dinâmica com Max funciona bem e consegue divertir o espectador, mas o roteiro jamais consegue convencer que esse se tornará um arco bem desenvolvido. Primeiramente porque me lembra demais situação parecida que ocorreu em Pretty Little Liars recentemente. Além disso, Max é um personagem extremamente mal-acabado em termos de desenvolvimento de personalidade, tendo sido atirado na tela sem uma introdução apropriada.

Se Max é um embaraço para 90210, Emily não faz por menos. É impressionante como a série continua a insistir em desenvolvê-la como uma vilã de novela. Assistindo a Revenge of the Nerd não consegui não me lembrar de A Usurpadora, tamanha a artificialidade das cenas envolvendo Annie e a prima. Não vejo potencial algum nesse plot e a cada episódio que se passa ele se torna mais forçado e infantil. A motivação utilizada por Emily para destruir a vida da prima é fraca e soa como uma desesperada tentativa dos roteiristas de construir um vilão para a série após a saída de Cannon e o desaparecimento de Oscar. Vê-la agindo dessa forma me faz sentir saudades de quando era Naomi que infernizava a vida de Annie. Naquela época a série era morníssima, mas essa dinâmica funcionava, ao contrário de Emily.

Enquanto 90210 se enrola com seus personagens, Teddy continua sendo um exemplo para a série. Tudo que o roteiro fez desde o momento que o rapaz dormiu com Ian no começo da temporada até aqui foi perfeito, no que diz respeito à evolução da personalidade dele. A série aborda o tema de forma muito mais coerente do que na temporada passada, mostrando para o espectador a realidade e fazendo seu personagem passar por toda uma transição, que, embora em alguns momentos seja demasiada lenta, envolve o público com a história. O desfecho de sua história com Ian não foi o ideal, e a introdução de um novo personagem para se relacionar com ele mostra que os roteiristas não esperavam que o Kyle Riabko fosse sair tão cedo, mas mesmo assim a história pode render bons frutos, principalente se o roteiro tiver coragem de mergulhar em algo mais profundo do que um romance comum.

O desenvolvimento de Teddy como homossexual não é nada perto do drama que Ade sempre consegue construir para si. O rumo que a personagem está tomando pode não ser o ideal para a série, mas ao menos consegue render momentos divertidos. A tentativa da garota de emplacar seu reality show deu uma oportunidade aos roteiristas de incluirem alguns gags com a intenção de criar humor, o que surtiu efeito. Destaco os poucos segundos de tela de Ivy, segurando o cãozinho de Ade, em um momento em que nenhum dos dois parecia confortável com a situação. Aliás, gosto da forma como os roteiristas utilizaram do cachorro para compensar a inexpressividade da Gillian Zinser na cena. Uma maneira inteligente de passar para o espectador o desconforto da personagem sem depender da atuação da atriz. Apesar disso, não gosto da maneira como Ade tem sido tratada pelo roteiro de 90210. A garota tem sido construída como uma caricatura de uma artista em decadência, e, apesar de admirar a tentativa dos roteiristas em satirizar esse tipo de pessoa, não gosto da forma como isso é feito.

Não é possível falar de Ade sem citar Navid e Dixon, além da participação especial do cantor Nelly. Provavelmente a nova investida dos garotos em produção de videoclipes seja só um artifício encontrado pelos roteiristas para encaixar a perticipação especial do rapper, mas gostei da forma como o roteiro aproveitou a crise familiar de Navid para embarcá-lo em uma nova jornada profissional. Seria um grande acerto se essa história se desenvolvesse em um arco mais longo, fazendo com que os dois amigos tornem-se sócios e conduzam uma produtora. 90210 nunca tentou investir em um arco desse tipo, e seus personagens parecem girar em círculos no que diz respeito à evolução da vida deles. Enquanto suas personalidades mudam constantemente, suas vidas parecem estar paradas sempre no mesmo lugar. Esse é um erro muito comum em séries do gênero, que parecem ter medo de sair do círculo que se encontram.

Além das tramas envolvendo os personagens, há um ponto que gostaria de abordar. 90210 tem sérias dificuldades em ser regular durante uma temporada inteira. E nesse momento os roteiristas parecem estar perdidos em meio a uma imensa quantidade de subtramas, sem que uma receba o foco principal. Além disso, os arcos parecem estar voltando a ser desfeitos muito rapidamente, exatamente da mesma forma que a última temporada. Não dá para entender como uma série pode ter fases tão distintas em um mesmo ano. Os responsáveis pela série precisam criar uma trama principal, fazendo com que as subtramas funcionem como suporte para essa, sem necessariamente estarem ligadas a ela.

Em um episódio que consegue divertir mesmo contando com muitos pontos negativos, 90210 mostra que mais uma vez não consegue manter o nível de qualidade na segunda metade de sua temporada. Que a série retornou mal de seu hiato de fim de ano, não há dúvidas. Resta saber se conseguirá se recuperar.

Obs: Peço desculpas pela demora na review. Fui invadido por uma terrível falta de inspiração provocada pelo final de minhas férias. No próximo episódio retornarei à normalidade.

@GabrielOliveira

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