O arco de Trunks do Futuro e Goku Black finalmente chegou ao fim… Ou não?
Valeu a pena?
Absolutamente. O quarto grande arco de Dragon Ball Super foi definitivamente o melhor dessa nova série. Apresentou, talvez, o vilão mais complexo de toda a franquia até então, trouxe Trunks como o protagonista – algo inesperado, considerando o trabalho feito em Super até então -, expandiu a mitologia e fez brutamontes chorarem semana após semana, desejando desesperadamente pelo episódio da semana seguinte.

Inconsistências temporais
Falar de viagens no tempo nunca é uma tarefa fácil. Às vezes algumas coisas acabam passando despercebidas ou talvez algum conceito não se encaixe perfeitamente em sua cabeça. Dito isto, é preciso avaliar cuidadosamente esse arco, pois ao mesmo tempo em que ele talvez tenha sido um dos melhores de toda a saga, ele com certeza foi o mais confuso.
Desde que Trunks chegou ao presente pela primeira vez, lá na Saga Cell, muito tem se debatido sobre quantas Linhas Temporais (ou Mundos) foram criados a partir desta interferência, algo que deve ser analisado separadamente. Então Dragon Ball Super trouxe o conceito do Anel do Tempo e todas as suas variações criadas a partir de viagens temporais, porém, ao invés de nos dar algumas explicações, nos entregaram ainda mais dúvidas. Em exatamente quais ocasiões os anéis foram criados, já que várias viagens temporais foram feitas? Se não é Trunks, quem é a pessoa desconhecida responsável pela criação de um dos anéis?
Outra dúvida que ficou muito tempo no ar foi de onde diabos surgiu o Zamasu que se tornou Black. Minha interpretação acerca desse fato permanecia confusa, porém, devido ao (apressado) episódio final dessa história, o que ficou entendido foi que Beerus foi o responsável pela criação dessa outra Linha Temporal, pois se trata de uma divindade matando outra, algo inédito até então e que o próprio anime havia enfatizado antes, diferentemente das outras Linhas Temporais criadas após viagens temporais de mortais. Isso não foi esclarecido totalmente, então só nos resta especular o que houve de fato.
Inconsistências de ritmo
Infelizmente, o que para alguns é considerado ritmo frenético, eu considero inconsistência de ritmo. A construção do vilão e o mistério acerca de sua verdadeira identidade foram muito bem trabalhados, porém, muitas vezes a série sofreu com as escolhas narrativas tomadas. Goku, Vegeta e Trunks tiveram que ir e voltar do futuro tantas vezes que o conceito de viagens temporais foi enfraquecido. É algo tão difícil de entender devido aos conceitos científicos por trás disso e que foi banalizado pelo roteiro de Super.
Por exemplo, houve vários episódios entre a chegada de Trunks e a primeira ida ao futuro com a justificativa de se fabricar o combustível da máquina do tempo. Entretanto, ao passo que foram necessárias mais viagens de ida e volta ao passado, essa necessidade de combustível foi ignorada. Vejam como exemplo a ida de Goku e Trunks ao futuro para buscarem o Zeno que estava ali pairando no vácuo. Era realmente necessária a ida deles com a máquina do tempo?
Ter um vilão tão poderoso quanto Black trouxe um grave problema para Toriyama: Como derrotá-lo? Algo similar aconteceu na Saga Boo e se repetiu. Um vilão que se fortalece a cada luta contra os heróis e que se torna cada vez mais difícil de derrotar trouxe novamente problemas narrativos. Quebras de ritmo em momentos climáticos, como todos voltando ao passado para Goku aprender o Mafuba, o que no final não adiantou de nada e que foi executado por Trunks. Essa última volta ao passado poderia muito bem ter sido evitada simplesmente colocando os heróis com a intenção de usar o Mafuba já na segunda ida ao futuro.
Sobre as constantes superações de Trunks, eu não tenho o que reclamar. Sim, é verdade que elas são um pouco forçadas e temos que engolir certos momentos em que ele lutou de igual para com os vilões, uma vez que Black era notoriamente mais forte que Goku e Vegeta, porém, em nenhum momento ele mostrou superioridade ao passo de dominar os inimigos. Eram sempre momentos pontuais de desespero ou de raiva que, em momentos de emoção e de clímax, é ser muito chato para reclamar disso. As recompensas compensam as possíveis contradições.
Acertos >>> Erros
Tendo em vista que essa é uma análise de todo o arco, iniciado no episódio 47 e finalizado no episódio 67, tivemos 21 episódios repletos de momentos marcantes e importantes. Através de personagens carismáticos e lutas impressionantemente bem coreografadas, os pontos positivos desse arco superam de longe os negativos. Por exemplo, como esquecer a imponente cena de Beerus destruindo Zamasu?

E o surgimento do Super Saiyajin Rosé? Lembrando que esta forma é apenas a forma SSJ1 utilizada por um Kaioshin dentro do corpo de um Saiyajin. Extremamente improvável que vejamos outro personagem alcançar essa forma.

Zamasu também foi um grande acerto. Especialmente em sua forma Goku Black, ele se mostrou um vilão intrigante, cheio de camadas e certamente será lembrado juntamente do trio intocável Freeza, Cell e Boo como os grandes arqui-inimigos de Goku e Cia. Desde o seu questionamento sobre os mortais até sua insanidade, Zamasu foi marcado por sua contradição em aniquilar os mortais utilizando o corpo de um. Acompanhar sua transformação de um ser de aparência amigável, com voz serena e de ar gentil para um monstro deformado, com voz desafinada e completamente fora de si foi uma das melhores experiências que Dragon Ball já me proporcionou. Zamasu/Goku Black se destaca de longe como um dos melhores personagens de Dragon Ball em toda sua história, considerando vilões e heróis.

Ignorando-se todo o rebuliço sobre a cor de seu cabelo (olhando em retrospecto, essa questão se torna ainda mais esquecível), tivemos o retorno de um dos personagens mais queridos dos fãs: Trunks do futuro. Ele foi o fio condutor que nos moveu por toda a história. Trunks não apenas retornou como um fanservice, mas ele também evoluiu como personagem.
Desconsiderando o crescimento que Trunks teve antes de aparecer em tela, em que ele treinou com o Kaioshin, derrotou Dabura e Babidi e passou um ano lutando e fugindo de Black, ele apresentou um poder de superação inestimável ao longo da saga toda. Trunks aprendeu diversas técnicas, como Galick Gun, Final Flash, Mafuba e sobrou até tempo para usar uma Genki Dama involuntária. O próximo passo seria aprender a criar uma.
Sendo considerada uma das maiores polêmicas, vamos falar sobre a nova transformação de Trunks. Ele surgiu em Super com o nível de SSJ2 já alcançado. Durante a saga, ele alcançou um nível inédito na franquia e que não foi explicado. Trata-se de um SSJ1 ou SSJ2 com uma aura de SSJ Blue? Trata-se de uma transição entre o SSJ2 e o SSJ3? Infelizmente, qualquer interpretação que eu tente fazer será nada mais do que achismo.

A relação de Trunks com Mai não foi muito aprofundada, mas nos deu motivos suficientes para crer e torcer por aquele relacionamento. A perda de sua mãe, Bulma, também foi um baque sentido por todos, visto que ela é uma das personagens mais antigas e queridas de Dragon Ball. Há também o fato de que a maternidade é um sentimento bastante abrangente e que toca grande parte das pessoas, o que facilita bastante a empatia para com Trunks.
“Estou pronto!”
Impossível não mencionar o tão especulado retorno de Vegetto. Embora eu nunca tenha me empolgado tanto com o personagem, é preciso enaltecer sua importância no momento de seu retorno, em que ele representava a última ponta de esperança de vitória. De quebra ainda tivemos uma melhor explicação sobre a fusão Potara e o motivo que levou Vegetto a se desfazer lá na Saga Boo. Há quem tenha achado que ele teve muito pouco tempo de tela e há quem tenha ficado satisfeito. Independentemente disso, se você é fã, você quer service (Borgo, 2016), então toma!

Sobre o último episódio
Tenho severas críticas ao último episódio da saga. A começar pelos minutos iniciais, em que Zamasu conseguiu superar a necessidade de um corpo físico. O final do episódio anterior havia sido espetacular, com todo o discurso motivador de Trunks e o modo como ele abriu Zamasu ao meio de baixo para cima, mas que foi jogado fora em uma nova superação de Zamasu sobre os heróis. Já tinha dado. Foi errado e anticlimático. Chamar Zeno demonstra que Toriyama se embolou com o que tinha ao seu dispor e utilizou o recurso Deus ex machina novamente (já havíamos presenciado o mesmo na saga do Renascimento de Freeza). Isso trouxe tantos problemas que eu até tenho medo de comentar sobre eles.

Retirar de Trunks o mérito de salvar seu mundo enfraquece sua jornada, ainda mais com o final agridoce de Zeno destruindo o universo todo. Trunks não conseguiu salvar seu mundo de Black. Inclusive, de certo modo, o vilão saiu vitorioso dessa situação toda. Um mundo totalmente tomado pelo vazio não é uma vitória do bem sobre o mal.
Sem um Mundo (ou Linha Temporal) para chamar de seu, Trunks e Mai viverão onde outras versões deles já existem. Eles existirão harmoniosamente? Eles permanecerão escondidos ou interagirão com suas contrapartes? Whis disse que irá viajar para esse mundo e sugerir para Beerus matar Zamasu, porém, até onde esse plano vai funcionar? Por que não deixaram Trunks e Mai viverem ali naquele mundo em que estavam mesmo? Um novo Anel do Tempo será criado e o sentimento deixado no ar é de que algo ruim surgirá dessa decisão questionável. Não saberemos o que aconteceu com Trunks imediatamente, mas o gostinho que fica é de que o veremos novamente.
> O futuro da Marvel depois de Doutor Estranho!
De qualquer modo, todo o ritmo empregado após a morte definitiva de Zamasu até o fim do episódio foi de extrema rapidez. Sinto que poderiam ter feito um episódio dedicado exclusivamente para o fechamento de pontas soltas e explicações. Definitivamente a última forma de Zamasu é uma barriga desnecessária em sua trama e atrapalhou a fluidez do episódio final e a conclusão da saga.

Expectativas para o futuro
Apenas alguns títulos e sinopses de episódios vazados temos de informações para especularmos. Teremos alguns episódios de transição, algo comum desde o Dragon Ball clássico, com um predominante tom de humor. Porém, temos indícios de que a nova trama após esses episódios se baseará em Hitto e uma suposta ordem de assassinato anônima para Goku. Após a excelente saga que tivemos, essa premissa não me empolga muito, mas daremos tempo ao tempo. Quero ser surpreendido, então manterei minhas expectativas baixas mesmo. Dragon Ball Super não dá sinais de cansaço e muita coisa ainda está para acontecer. Temos doze universos e dois Zenos para brincarmos o quanto quisermos.














