
“Space: the final frontier. These are the voyages of the starship Enterprise. Its five-year mission: to explore strange new worlds, to seek out new life and new civilizations, to boldly go where no man has gone before.”
Quando me propus a escrever esse Baú nem eu mesma acreditava que seria possível sair um texto a altura desta série e de tudo o que ela significa. Pensei em várias formas de abordagem e depois de bastante pesquisa cheguei à conclusão que não existe forma certa de fazer um texto sobre Star Trek. O texto que segue abaixo é a minha perspectiva dessa grandiosa série.
Passei a vida ouvindo falar sobre “Jornada nas Estrelas”, era algo aqui e ali, mas nunca soube do que se tratava realmente, já conhecia Spock e seu cumprimento vulcano, já tinha ouvido falar do idioma kinglon que havia saído da série, e como toda pessoa leiga já conhecia bastantes elementos da série. Acho que esse é um dos fatores incríveis de Star Trek, você conhece a série antes mesmo de assistir. Acho improvável alguém que nunca tenha ouvido falar de Spock ou da Enterprise. Mas o meu interesse aumentou quando comecei a assistir The Big Bang Theory, a série dos nerds em seus quatro anos de existência já vez diversas citações e menções a série. E a cada nova citação eu ficava mais curiosa ainda. Como fã do gênero eu precisava assistir. A minha alegria veio quando por acaso num domingo encontrei a série completa, todas as versões, ali me esperando. Hoje estou aqui como fã para falar um pouquinho desse fenômeno.
A década era a 60, época de mudanças nos padrões de comportamento, época de segregação racial, da guerra fria, o homem era Gene Roddenberry, a ambição era grande. Um universo ficcional num futuro e uma tripulação que aludia à situação política e cultural da época. Histórias que representavam em grande parte desafios, conflitos e as relações do ser humano em transformação. A série tratou de temas sérios num país conservador, numa época difícil, ela atravessou barreiras. Direitos humanos, guerra, paz, imperialismo, sexismo, racismo, feminismo, autoritarismo e o uso de tecnologia. Naquela época juntar um russo a uma nave americana parecia coisa de maluco, ainda mais com uma tripulante mulher e negra. Hoje é difícil imaginar que Star Trek não estreou no ápice do sucesso, Gene enfrentou dificuldades por introduzir um universo tão diverso e de ideias tão visionárias num país dividido entre a segregação racial e a guerra fria. Star Trek nunca esteve no ápice durante sua produção e passou por sérios apuros, por ser adiantada em seu tempo a série só se tornou um fenômeno após o seu cancelamento, para reconhecer a riqueza daquele universo levou tempo.
A frente do seu tempo não apenas nas tramas filosóficas e sociais, mas também muito a frente na área tecnológica. A física presente na série é impressionante. Algumas tecnologias que só mais tarde foram inventadas foram idealizadas na mente de Roddenberry. Entre portas automáticas, phasers, as vídeo-conferência, os comunicadores de mão e o mais notável o Tricoder e o tele transporte. Objetos que naquela época eram inimagináveis ou apenas sonhos distantes nós vimos nascer. Para os que não sabem o tele transporte a nível subatômico já é possível e muitos físicos acreditam que num futuro próximo o tele transporte de objetos maiores será possível. Sendo esse um ponto notável de Star Trek que segundo Isaac Asimov ideia era fugir da pura fantasia e utilizar coisas mais plausíveis em nosso mundo futuro.
Um dos pontos fortes e que transformam Star: The Original Series em única é o trio formado por Kirk, Spock e Mc Coy. É lendária, a amizade entre eles e a forma como enfrentavam qualquer batalha. Buscando elementos da navegação marinha Roddenberry criou mais que tripulantes, ele criou personagens com características únicas. No centro do comando da USS Enterprise estava o capitão James T. Kirk vivido por William Shatner, seu braço direito o oficial de ciências e único extraterrestre a bordo, Mrs Spock, vulcano eternizado pelo genial Leonard Nimoy e McCoy, chefe da ala médica da nave e amigo do capitão, o médico ranzinza vivido por DeForrest Kelley era o contrapeso do trio. Temos ainda como personagens principais, a oficial de comunicação tenente Uhura, vivida pela atriz Nichelle Nichols, que só continuou na série por conselho de Martin Luther King, negra ela teve sua participação aumentada gradualmente, a aceitação da personagem na época de segregação racial foi um marco, além de ter protagonizado o primeiro beijo inter-racial na TV americana. O engenheiro chefe Scotty (James Doohan), e os dois navegadores, o russo Pavel Chekov (Walter Koenig) e o japonês, Sr Sulu (George Takei). Star Trek: TOS não seria o que é sem esses personagens, cada característica, cada frase. Que trekkie nunca soltou um “fascinante”, ou um “aye aye sir”. Que Trekkie não já tentou ou até aprendeu Klingon? O clássico, que Trekkie nunca lutou contra os dedos tentando até conseguir fazer o cumprimento vulcano? Não consigo imaginar a série sem nenhum deles. Imagino se Gene tivesse seguido o estúpido “conselho” de tirar Spock porque ele parecia demoníaco demais. Star Trek sem Spock é igual cinema sem pipoca, banho sem sabão.
O fenômeno Star Trek foi ganhando forma a partir das diversas reprises que sucederam o cancelamento da série. Ao contrário do que acontece com a maioria das séries o cancelamento foi o ponto de partida para a série virar um ícone Cult, que renderia no total seis séries e 11 filmes. Através das décadas Star Trek foi angariando mais fãs e sobrevivendo a enxurrada de novas séries de ficção cientifica. Nada parecido com Star Trek foi criado, nada tão a frente do seu tempo e inteligente. Tão irreal e real ao mesmo tempo. A série é única e hoje como fã não sei bem as palavras que usar para falar da série. Se você procura uma série inteligente, única, inovadora, e se você se considera um serie maníaco é sua obrigação assistir Star Trek, seja a primeira versão, ou de preferência todas. Ela nunca vai deixar de ser atual, não pelo menos enquanto o ser humano foi humano e cheio de conflitos. É ficção cientifica da boa, de qualidade, está cansado desse gênero que só prima pela ação, pois bem. Depois disso tudo, está esperando o que para assistir Star Trek: The Original Series.
Nota: Star Trek contabiliza seis séries: Star Trek: The Original Series (1966-1969), Star Trek: The Animated Series (1973-1974), Star Trek: The Next Generation (1987-1994), Star Trek: Deep Space Nine (1993-1999), Star Trek: Voyager (1995-2001) e Star Trek: Enterprise (2001-2005).
Nota 2: Acompanhe o site para ver ainda o Baú das Séries das demais versões de Star Trek e não deixe de conferir a coluna “Você Sabia” edição Star Trek: The Original Series.












