O que falta em Fear the Walking Dead é achar uma maneira de prender o telespectador.
Essa semana Fear the Walking Dead trouxe-nos um episódio um pouco mais sólido que o da semana passada, mas a série continua pecando na maneira que aborda o telespectador. Fear, a meu ver, tem tudo para ser um grande show, sem viver à sombra de Walking Dead. Como eu já disse algumas vezes FTWD tem focado muito mais nos dramas pessoais de cada sobrevivente do apocalipse (que era, aliás, uma das premissas da série), mostrando totalmente o contrário de TWD, que sempre teve muito mais violência e zumbis. Mas, como já foi possível ver, mesmo cumprindo a sua promessa Fear não está prendendo o telespectador com a sua trama e isso é bem alarmante. Quantos de vocês assistem FTWD e não ficam com sono em algum momento? É difícil, até eu acabo me cansando um pouco com determinados episódios (se bem que eu durmo com facilidade, então não devo ser considerado como padrão). Não falo especificamente desse episódio, que até foi mais movimentado que o normal. Digo de maneira geral.
Fear ainda encontra-se bagunçado, sem rumo certo. Como disse ali em cima Fear tem todas as cartas na manga: novos relacionamentos que podem fortalecer o futuro da série, personagens que vêm crescendo (especialmente Nick e Alicia) e despertando o interesse do público, um mistério (envolvendo a mordida de Alejandro, nunca visto antes em TWD) e a temática da religião que também nunca foi o foco de sua série de origem. Falta apenas destrinchar melhor todos esses tópicos, dando valor, por exemplo, a história de Alejandro (sem que ele morra do nada nos próximos episódios) e, é claro, encontrar uma maneira de modificar um pouco a abordagem dessas histórias com o intuito de não cansar o telespectador e prendê-lo em suas cenas. Apenas por abordar o mistério em torno de Alejandro a série já ganha pontos no quesito originalidade que consequentemente chama a atenção de quem gosta da temática do apocalipse, por exemplo.
Filosofias à parte… Pablo & Jessica se iniciou da maneira que todos nós estávamos esperando: revelando como Strand e Madison escaparam da horda (vale lembrar, bêbados). Nesse ponto o episódio foi extremamente positivo, pois não é algo que as séries costumam fazer. Muitos shows, seja envolvendo o apocalipse zumbi ou não, entregam a cena final sem destrinchar como os personagens chegaram naquele momento, que soluções eles tiveram para sobreviver, como enfrentaram o impossível, etc. Ver que Madison finalmente deu o braço a torcer com relação a Nick foi impagável. A personagem percebeu que em situações de perigo, principalmente aquela em especial, não havia alternativa a não ser camuflar-se com tripas de zumbis. Essa foi sem dúvidas uma das cenas mais importantes desse episódio, pois mostrou que Madison não está apenas evoluindo ao entender a dinâmica do novo mundo, mas que ela conseguiu valorizar algo que o seu filho fez. Madison superprotegeu Nick a vida toda, provavelmente nunca visualizando as qualidades ou a sagacidade que o filho possuía. Seria essa mudança um planejamento para um futuro reencontro mais amigável entre mãe e filho?
A outra cena importante do episódio também envolve um relacionamento entre mãe e filho, só que dessa vez com Alicia. O desenrolar desses episódios nos mostrou que Madison realmente percebeu os erros que ela cometeu no passado, seja superprotegendo Nick ou ignorando Alicia. Pablo & Jessica não foi apenas sobre a aceitação da morte de entes queridos (Pablo como irmão de Luciana e Jessica a esposa de Oscar), mas também sobre a constatação dos nossos próprios erros, além de construir e fortalecer laços previamente prejudicados. Madison confiou na ideia de Alicia e foi até o fim acreditando em sua filha, algo que provavelmente ela não fazia antes do apocalipse. Graças a união das duas o hotel agora está livre de zumbis, podendo até ser uma grande comunidade com segurança agora que Madison e Strand conseguiram (aparentemente, pelo menos) unir os dois grupos rivais.
Mas será que o hotel é verdadeiramente um local seguro para se morar no apocalipse? Ele é enorme, podendo ser habitado por vários sobreviventes, ele possui quartos luxuosos, esconderijos e até o momento bastante comida. Sem contar que não existem mais zumbis ao redor (apesar de eu achar que uma hora ou outra o mar trará a horda de volta), mas é aí que nasce o verdadeiro problema, algo que TWD enfrenta constantemente: outros sobreviventes. A defesa do hotel é nula, podendo ser atacado facilmente por terra e pior ainda, pelo mar, principalmente se o grupo de Jack ou quem quer que tenha roubado Abigail resolver entrar no local. Uma coisa é certa: o grupo ainda enfrentará vários empecilhos até o season finale. Aliás, o ataque externo não é o único problema, tendo em vista a questão não resolvida entre Elena e o grupo de Oscar, que com toda a certeza afetará Madison e os outros. Tão logo Madison, Strand e Alicia irão perceber que os zumbis em torno do hotel era o menor dos seus problemas.
E Nick? Bem, Nick continua evoluindo como pessoa. A Colônia só tem feito bem para ele: Nick mostrou sua coragem, sua sagacidade com as drogas para se defender dos traficantes, relações com outros humanos que ele nunca conseguiu ter normalmente, uma casa conquistada com seu próprio esforço e, principalmente, um relacionamento amoroso verdadeiro pela primeira vez. Sua relação com Luciana, despertada após a revelação da morte de seu irmão Pablo, é pura, algo que talvez Nick nunca tenha experimentado. Luciana é uma guerreira corajosa que pode muito bem tirar Nick das drogas e despertar o verdadeiro protagonista que desde o piloto prometeram que ele seria. Mas estaria a Colônia protegida? O inimigo mais óbvio do novo grupo são os traficantes, que tão logo perceberão o que Nick fez, mas e Alejandro? O líder da Colônia ainda é um mistério, tornando-se cada vez mais estranho com toda a sua história de que a fé o salvou da doença. Será que está mentindo como eu disse antes? Ou o produto que o menino roubou (da história contada para Nick) possuía alguma espécie de “antídoto” para a infestação e Alejandro foi afetado? É uma grande viagem, eu sei, mas é interessante pensar em todas essas possibilidades. Mas a grande incógnita até o momento é: onde estará Ofelia? Sei que ela é inútil, mas a curiosidade do seu paradeiro só aumenta, principalmente se isso significar que Salazar está vivo… Enfim, é isso, até a próxima, walkers!
Placar da Semana
O episódio dessa semana não teve o Chris, nem o Travis, então foi muito difícil avaliar quem merecia o troféu caminhante sem eles. Sendo assim optei por construir o placar de maneira diferente dessa vez, numa relação crescente, ou seja, do personagem com menor relevância para o maior.
Caminhante: O troféu caminhante vai para o Nick. Ele utilizou novamente a sua própria experiência com as drogas para ganhar mais tempo para a Colônia, deixando claro seu valor para o novo grupo e, é claro, que ele conviveu com Walter White antes do apocalipse zumbi. É óbvio que o Nick participou de Breaking Bad, meu povo! Querem prova mais concreta do que essa?
Balofo: Troféu balofo vai para o Strand. Ele lutou pela sobrevivência, junto de Madison, mas seu ato de maior relevância nessa semana foi a compaixão que ele teve com Oscar. Strand mostrou que ele tem um bom coração, apesar de toda a sua prepotência. Sua conversa com Oscar foi emocionante, mas o ápice se revelou quando ele decidiu acabar com o sofrimento do novo personagem ao matar sua esposa, que já estava transformada em zumbi. Agora resta-nos torcer para que Strand não se separe do grupo de Madison… Confesso que você fará falta, Strand!
Corredor: Troféu “not bad” vai para a Alicia. Nem preciso mais falar dela, não é mesmo? Alicia é a única personagem de FTWD que vem crescendo sem parar desde o retorno do hiatus. Apesar de não ser quem de fato pôs o plano em prática até a ponte, ela foi a responsável pela brilhante ideia de atrair os zumbis para o mar, onde a correnteza os afastaria do hotel. O único ponto que me incomodou na Alicia no episódio dessa semana foi com relação ao seu celular… Como diabos é possível ela ainda ter bateria?! Eu carrego meu telefone no mínimo três vezes ao dia, enquanto ela, vivendo no apocalipse há aproximadamente dois anos (sem luz), ainda tem carga para botar uma música para atrair os zumbis. Como assim, filha?! Ou faltou um pouquinho de cuidado com essa cena (erro de realidade do âmbito que eles vivem) ou ela tem um Pikachu particular para recarregar seu Iphone. Só pode!
Abominação: Troféu “badass” vai para a Madison. Temos que confessar que a matriarca da família Clark foi bem “badass” nessa semana. Madison seguiu os passos do filho para escapar do bar, matou vários zumbis, agiu como uma verdadeira líder ao tentar unir dois grupos e ainda levou a grande horda para o mar. Foi a primeira vez, depois de muito tempo vivendo no apocalipse, que ela teve decisões tão sábias e corajosas. É exatamente por esse motivo que ela, apesar de não ter tido a ideia da ponte e da correnteza, levou o grande prêmio do placar dessa semana. Meus parabéns, Madison!
















