“Te Matar não vai trazer minha filha de volta. Nada vai trazer minha filha de volta”

E a história de Elisa entra como uma história das mais focais até o presente momento. Na realidade, poderíamos dizer que Elisa e Fátima são os pilares de suas histórias e tudo que acontece é por conta delas e mais ninguém. Não existem tramas secundárias, apenas duas mulheres que sofrem por conta de alguma injustiça.

Se nas semanas anteriores tínhamos o Teo para fazer conexão com Maurício, essa semana acabou essa ligação, e ao meu ponto de vista foi algo muito bem-vindo, já que não teve uma quebra na narrativa da história, e que nesta semana foi bem tensa e intensa.

Anteriormente a relação de Elisa e Vicente vinha crescendo a cada novo episódio, no qual se começou a pensar na possibilidade de uma possível amizade entre os dois, e eis que essa semana o roteiro deu um tapa na cara de todos que acompanham a história.

O episódio mostrando, e se sustentando, em que nenhum dos dois conhecia Isabela de fato foi que deu o norte para o desfecho do mesmo. As descobertas que Elisa e Vicente fizeram, com a ajuda de Fátima, foi o que fez aumentar ainda mais a tensão entre os dois personagens. E me critiquem, mas eu estava torcendo para que finalmente os dois acabassem tendo um romance. Mas não porque eu torcia pela união dos dois, mas por ser o mais controverso e o que dá uma gama maior de possibilidades para o que possa acontecer.

Observar que Vicente carregava a culpa por ter matado alguém que não lhe dava o devido valor, e Elisa todo o sofrimento por uma filha que ela mal conhecia, fez os dois repensarem suas ações, diante um do outro. Mas ao passo que ambos estavam confusos com o que eles sentiam sobre a Isabela, eles também estavam confusos quanto ao que sentiam sobre eles.

Elisa começou a ver Vicente com outros olhos, mas não deixou de ser uma mãe que sofre pela morte de sua filha. Em uma das suas falas, bem ao final, ela fala “Eu vivo que você faz ela existir pra mim” (ou algo assim), deixou claro que Elisa está vendo Vicente como um vínculo com a sua filha. Se antes eu achava que Isabela criança seria essa ponte, vejo que a complexidade do pensamento de Elisa era bem maior.

E o se formos olhar por esse lado, não se torna algo forçado, pois ela realmente ama, mas não ao Vicente homem, mas sim as lembranças que ele evoca. É como Freud sempre diz “O amor e o ódio são faces de uma mesa moeda”.

Do outro lado temos Heitor e Regina, que também tiveram seus destaques neste capítulo. Regina realmente viu, desde início, que Elisa era uma ameaça justamente por conta de Isabela que morreu, e agora observa que as chances de salvar seu casamento são cada vez mais remotas. Mas aí questiono se ela vai realmente entregar os pontos ou se vai fazer algo para trazer Vicente, ou não trazer, dependendo da situação.

Antes de falar de Heitor, gostaria de falar de Sara, que no princípio eu achava que ela seria uma aluna comum que sofreu com a perda de uma amiga, mas eis que a atriz está repetindo sua personagem da novela “Totalmente Demais”. Não lembro o nome da personagem na novela, mas os olhares, os trejeitos, tudo é muito parecido com a anterior. Mas Sara conseguiu cumprir seu papel, seduzir Heitor e fazer a relação dele com Elisa estremecer, o que já era algo previsto.

Heitor também foi ao ataque, contando para Vicente todos os planos de Elisa e assim acabar afastando os dois, mas no final das contas, isso foi o suficiente para desencadear a noite de amor de Elisa e Vicente.

Outro fato que gostaria de chamar atenção, foi a inserção de Fátima na história. Ela que acabou despertando alguma coisa, como a questão da caixa, ou então servindo como ombro amigo de Regina. E eu tenho que admitir, toda vez que Fátima aparece, mesmo que por alguns momentos, ela consegue se destacar em cena.

justica-14

“Até teu crime é bonito, Fátima”

Se eu tinha o nariz torcido para a história de Fátima, eu tenho que admitir que essa eu fiquei simplesmente feliz com tudo que vi. Toda a história que ela carrega, assim como todas as ligações que foram feitas neste episódio foram deverás divertidos.

O episódio começando pelo conflito entre Douglas e Fátima, mostrou que ambos os personagens carregam sentimentos um pelo outro. Enquanto Fátima guarda, de certa forma, rancor de Douglas, ele demonstra um claro sentimento de culpa e arrependimento por tudo que ele fez. Mas neste ponto eu gostaria de chamar atenção para uma coisa: Fátima comparou a sua perda, como algo bem maior, e mais forte, que a de Douglas. Se formos parar e colocar em uma balança, diríamos que Fátima sofreu bem mais. Mas se nos colocarmos na posição de Douglas e alguém matasse o seu cachorro, você não iria querer revidar? É muito complexo afirmar algo como “a minha dor é maior que a sua”. Não estou a dizer que a de Fátima é maior ou menor perante a de Douglas, mas foi uma coisa que me questionei, afinal uma perda sempre é dolorosa.

Eu realmente senti a dor de Douglas na cena que ele enterra seu cachorro, foi algo que trouxe lembranças antigas, e quem teve um animal de estimação sabe o quanto é terrível ter que enterrar os mesmos. Mas essa cena serviu para mostrar que Kellen foi a cabeça por trás da prisão de Fátima. Mas ao meu ver, ainda não foi o suficiente para que Mayara tentasse se vingar dela, já que ela não sabia que a ideia tinha partido de Kellen.

Por falar em Kellen, neste episódio tivemos um embate duplo com a cafetina. Mayara finalmente se revelou e disse que fez tudo isso para se vingar de Kellen, e que no final havia obtido o resultado esperado, já que a patroa agora se encontrava sozinha, sem Celso. Ok, tudo bem, mas só fui eu que achei algo meio fraco? Eu esperava um embate mais forte entre as duas, com muita revolta e ressentimento, mas acabou sendo revelado meio que abruptamente, sem ter um sentimento de “Nossa, ela fez isso, eita”. Simplesmente aconteceu e pronto.

Mas ai veio o segundo embate, que esse sim foi digno de aplausos. Depois de encontrar sua filha na cama de um hospital por conta do que Kellen fez com Mayara, Fátima partiu para cima com sangue nos olhos. E ali ela mostrou que ela não é só uma mãe, mas sim uma leoa que está disposta a tudo para proteger seus filhos. E eu admito que fiquei arrepiado com toda fúria que Adriana trouxe nesta cena, ali eu vi uma Fátima que está lutando para que sua família volte para o lar, e volte a ser uma família de verdade.

Mas nem só de conflitos o episódio foi construído, tivemos a união dos casais. Douglas fazendo o pedido de casamento para Irene foi uma das coisas mais cafonas e divertidas que já tinha visto. O personagem realmente consegue divertir com suas situações, e essa não poderia ser diferente. Mas Douglas se superou quando foi entregar o convite de casamento para Kellen. Ela não aceitando ser esquecida, e querendo a todo custo seduzir Douglas, que resistia a suas investidas, foi bem divertida, e mostrou que ele quer a todo custo seguir em frente, mesmo que ficando um pouco balançado.

Já Fátima e Firmino foram o casal fofinho da semana. Ela, uma mãe de família, ex-presidiária, se permitindo ser feliz novamente, e contando com o apoio de seu filho. E isso é legal, pois, mesmo depois de tudo que Fátima passou, ela começa a vislumbrar sua vida da forma como ela queria, com toda a sua família reunida e ser permitindo ser amada, e amar, novamente.

Outros dois pontos para destacar são a polícia cobrando de Fátima e de Osvaldo, o irmão de Firmino. E ambos os casos vemos a questão da impunidade, já que Fátima é apenas uma mulher que quer trabalhar, mas que é importunada pela polícia de forma indevida, e infelizmente isso é uma realidade de nosso país. E se formos denunciar pode ser ainda pior do que apenas aceitar calado.

Quanto a Osvaldo, ele já cometeu o crime de estupro outras vezes e nada aconteceu. E isso é outra coisa que também acontece muito, já que muitas vezes o abusador não é “pego no flagra”, ou então até mesmo as mulheres preferirem não denunciar por medo ou por vergonha, e isso é algo que deve ser desmistificado. Nós somos donos de nossos corpos, e só devem nos tocar aqueles que nós deixamos e não aqueles que querem. Devemos respeitar o espaço e o limite do outro.

Justiça começa a entrar em sua reta final, e tenho que admitir que as duas histórias iniciais me deixaram ansioso para saber como tudo vai se encerrar, já que o leque de possibilidades para o encerramento das duas histórias é muito grande, mas espero que se encerrem de forma digna.

PS1: Grandes portais de notícias, por favor tomem cuidado com as notícias que vão divulgar, pois o próprio título da matéria já traz um spoiler que ninguém queria saber. Isso acaba estragando a experiência de muitos, e gera uma repulsa a quem divulgou.

PS2: Impressão minha ou a história de segunda não fez nenhuma conexão com a história de sexta?

PS3: Espero um final trágico para história de Elisa.

PS4: Espero um final feliz para a história de Fátima.

PS5: Diogo ainda não pode voltar, então essa semana será comigo novamente.

Artigo anteriorThe Last Ship 3×13: Don’t Look Back [Season Finale]
Próximo artigoMoana: Um Mar de Aventuras | Assista ao trailer da nova animação da Disney