Qual foi a sua sensação ao assistir o primeiro episódio de Vikings? No início desta série, vimos Ragnar conseguir a sua “bússola solar”, presenciamos a iniciação de Bjorn e partimos com ele em sua primeira expedição para a Inglaterra. Desde o primeiro momento é impossível não se apaixonar por aquele personagem! A ousadia de Ragnar Lothbrok é apaixonante e a série já acerta em cheio ao nos apresentar o viking mais famoso de todos os tempos.
Ao longo das temporadas seguintes, nós fomos navegando com Ragnar, apoiando os seus movimentos (fora com o Earl Haraldson), discordando de outros (trocar Lagertha pro Aslaug?), ficando confuso com algumas ações (quase morte em Paris) e nos deleitando em muitas delas (Águia Sangrenta!). Desde o fim da temporada passada, contudo, Ragnar claramente não é mais o mesmo. Talvez pelo peso de suas ações – a diferença de idade é flagrante – Ragnar se tornou uma pessoa confusa, em busca de uma verdade para o universo. Ele tentou encontrar o Deus de Aethelstan, e agora ficou claro que era isso que ele buscava em seu exílio auto-imposto. A sua conclusão: as religiões não passam de ideias criadas pelo homem para explicar aquilo que ele não consegue entender.

Voltando ao episódio, fiz essa recapitulação toda apenas para ressaltar o quanto o personagem foi relevante e o quanto a sua jornada foi importante não apenas para levar os nórdicos à Grã-Bretanha, mas também interna, para que ele conseguisse entender melhor o mundo que habita. Nesse sentido, esse último episódio foi uma belíssima homenagem para Ragnar. O que já era um desenho bem óbvio, foi confirmado aqui: Ragnar resolveu se sacrificar não gratuitamente, mas para conseguir acender em seu povo a chama necessária para voltar a Wessex. A ideia de levar Ivar não foi sem sentido, foi para que ele já vá conhecendo melhor o seu adversário. Ragnar é uma pessoa que consegue extrair o melhor dos outros, e foi o que ele fez com Ivar, eternamente culpado por ser aleijado. Se pararmos para pensar, Floki também era excluído, e apenas Ragnar acreditou nele, lá no início da série.

Da mesma forma, é possível perceber que Ragnar tem um apreço interessante por Alfredo, a quem ele entrega o terço de Aethelstan. Seria prever demais, entender que ele percebe nessa criança a aura que o transformaria em um grande governante no futuro? Provavelmente. Talvez ele só tenha respeito pela criança pelo fato de ser filho do grande homem santo que Ragnar conheceu em sua vida.
Engraçado como ao longo de todo o episódio, os guerreiros tratam Ragnar com máxima cautela. Um velho, aprisionado, algumas vezes com duas coleiras no pescoço, necessitava de vigília constante ao longo da noite e lanças apontadas quase o tempo todo. Era Ragnar ou William Wallace que eles estavam guardando? Hahaha! O respeito que ele ganhou ao longo da vida estava presente nesses momentos. No fato de o Rei Ecbert ter feito questão de ir presenciar a morte do, talvez, maior guerreiro que ele já viu. E mesmo na necessidade que o Rei Aelle tem que ele peça absolvição, como que querendo uma prova de que Ragnar é um humano como eles.
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E a verdade é que Ragnar é sim humano como eles, e morre da mesma forma. A série finalmente cumpriu a “profecia” da história, e Ragnar Lothbrok morreu, atirado em um poço de cobras pelo Rei Aelle, da Nortúmbria. A história nunca esqueceu esse personagem, e pode ter certeza que os seus filhos não esquecerão. Eu que não queria morar na Inglaterra, nesse momento!
















