The Tomorrow People e a arte de desenvolver personagens.

Se, a princípio, o título do terceiro episódio da primeira temporada de The Tomorrow People poderia nos levar a acreditar que ele se referia ao caso da semana, após uma apreciação mais detalhada do capítulo, podemos concluir que Girl, Interrupted tratou de traçar um paralelo entre Emily (o caso da semana) e Cara, ambas com traumas passados.

Como já havia dito na review anterior, seria interessante ver um pouco do backgorund dos personagens John e Cara, e que haveria tempo de sobra para a série trabalhar em cima disso. Foi exatamente esse o objetivo deste episódio: desenvolver uma profundidade na co-líder dos Seres do Amanhã.

E eu diria que gostei do resultado! Apesar daquela simples franja no cabelo de Cara não ter me convencido em nada de que cinco anos atrás ela era uma simples adolescente, foi interessante saber como ela adquiriu seus poderes, que era surda antes de adquiri-los e desenvolvê-los, justificando assim sua aversão à simples ideia de ter suas habilidades retiradas por uma seringa (ela provavelmente voltaria a ser surda).

De certa maneira, ela sempre foi uma outsider, deslocada da maioria das pessoas consideradas “normais”, outrora por ser deficiente auditiva e muda e, na atualidade, por suas habilidades mutantes. Foi uma dualidade muito bem trabalhada. Banida de casa pelo próprio pai, acredito que esse passado de Cara ainda volte a ser trabalhado futuramente na série.

Quanto a Emily, o caso da semana, achei sua atitude “ativo-agressiva” com Stephen bastante irritante! Por se tratar de uma personagem aleatória, utilizada apenas como contraponto e complemento ao drama de Cara (além de reafirmar a característica idealista do protagonista), a série (sabiamente) não se deu o trabalho de criar empatia com público que, em nenhum momento, chega a realmente se importar com a personagem e seu drama mimimi de “matei-minha-irmã”. Apenas um conselho: deal with and move on! Period!

A Stephen, foi novamente delegado o papel de herói altruísta e idealista. O personagem serve como uma bússola moral do programa, com sua visão inocente e idealista da vida. Não que isso seja um problema grave ou defeito da série, mas geralmente o protagonista de uma história tende a ser os olhos do telespectador/leitor/ouvinte, ao explorarem juntos um universo comumente desconhecido. Porém quando o espectador não compartilha da mesma visão de mundo (idealista) de Stephen, a credibilidade e empatia podem ir por água abaixo.

Não estou dizendo que se eu soubesse que uma garota iria se suicidar, iria deixar passar batido, como sugeriram Cara, John e Jedikiah. Apenas estou fazendo uma análise objetiva em termos de narrativa. Além disso, acho que seria positivo para a série se o personagem, com o tempo, adquirisse certas “cicatrizes” que possibilitassem a ele um amadurecimento e uma visão menos maniqueísta de mundo. Afinal ele ainda é novo e não há melhor professor do que a Vida e as experiências que ela proporciona, sejam elas boas ou ruins.

Algumas incongruências devem ser novamente apontadas. Duas foram por serem soluções fáceis e falhas. A primeira foi quando Stephen esbarrou com Jedikiah após implantar o flash drive na rede da ULTRA. A desculpa esfarrapada foi acatada com facilidade pelo tio, ainda que ele não a tenha comprado em nenhum momento, mandando investigar o corredor logo em seguida. Apenas achei que após criar uma tensão, o desfecho da cena foi anticlimático.

A segunda “falha” (por falta de palavra melhor) que achei foi quando Stephen salvou Cara de ter seus poderes retirados. Se por um lado, gostei da surpresa de ele ter parado o tempo para resolver o problema sem eu perceber que essa poderia ser a solução (embora mostrada de maneira bastante didática depois), por outro achei muito improvável que Jedikiah badass motherfucker deixaria Cara deixar o prédio sem ao menos fazer um teste de que seus poderes tinham realmente sido retirados. A ideia foi boa, já a execução, nem tanto. Além disso, não deve tardar ele descobrir a “traição” do sobrinho e, se não houver graves consequências para Stephen, será menos plausível ainda com o caráter e a atitude implacáveis demonstrados por Jedikiah a nós telespectadores.

Outra coisa difícil de engolir e entender é a incapacidade dos Seres do Amanhã de matar. O que os impede da matar?! Algum “freio” genético?! Pois na cena utilizada para demonstrar essa incapacidade, novamente várias perguntas pipocaram na minha mente. Se a agente não soubesse que as balas eram de festim, ela teria conseguido atirar mesmo assim ou seu cérebro não permitiria que ela puxasse o gatilho?! E se ela achasse que as balas eram de festim e alguém tivesse trocado de má fé, ela teria matado Stephen ou o Universo também não a deixaria puxar o gatilho?! Enfim, nesse quesito, minha mente extremamente objetiva e lógica ainda exige uma explicação mais didática, científica, convincente, plausível  e sem margem de erro e/ou interpretações. Alguém aí compartilha da minha dor?!

Outro absurdo (em sentido mais atenuante) foi quando a Asteróide (#SDDS #Fringe) exigiu que Stephen lhe contasse toda a verdade sobre desaparecer no ar. What a bitch !!!!! Vadia, ele já te contou tudo no piloto e você não acreditou (ainda que sob efeitos de remédios ou da falta deles) !!!!! Agora quando ele mente para protegê-la, ela resolve ter atitude ?! Bitch, please! De qualquer maneira, foi uma indignação subjetiva minha que tive que compartilhar. Achei o comportamento da personagem um pouco incoerente, apenas.

Enfim, ainda com as ressalvas por mim apontadas, que em nada prejudicam a experiência do entretenimento; Girl, Interrupted se mostrou um bom episódio, bem acima da média; onde Cara pode sair um pouco da bidimensionalidade para que o telespectador pudesse conhecer um pouco de seu passado e assim criar empatia/simpatia/identificação com ela. Com essa profundidade criada, pudemos ver que sua posição (e de John) de “humanos lá e mutantes aqui” é justificada, pois, com um pai daquele, quem precisa de padastro, não é mesmo?! Agora fico torcendo para que em breve haja um episódio com o passado de John!

Um hadouken para vocês e até a próxima semana com Kill Or Be Killed!

PS 1.: A CW, na verdade, tem quebrado preconceitos, apresentando uma programação de séries sólida, voltada para o entretenimento e nada mais do que isso. Nesse início de Fall Season, das séries que assisto do canal (Hart Of Dixie, The Originals [o spinoff que deu certo!], Supernatural, The Tomorrow People, Arrow, The Vampire Diaries e The Carrie Diaries [OMG! Quase todas, shame on me!]), todas vem apresentando episódios satisfatórios e acima da média. E pensar que The Vampire Diaries, que um dia já foi TOP, hoje figura entre as que mais oscilam e me deixam insatisfeito, no geral.

PS. 2: Os efeitos especiais (principalmente do teletransporte) continuam surpreendentemente bons! Com perdão do preconceito e estereótipo, nem parece CW, o mesmo canal que economiza com efeitos no desaparecimento de anjos em Supernatural!

PS. 3: Que os deuses das séries continuem abençoando o canal caçula do conglomerado de comunicação Warner, que continua nos presenteando com shirtless totalmente gratuitos !!!!! O que foi o desse episódio?! Totalmente fora de contexto e gratuito! Amém!

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