Invasão de meta-humanos e desfechos chocantes para o penúltimo episódio de The Flash.
Criar um super-herói não é um processo fácil. Arrow está aí tentando moldar o seu por quatro anos, com um resultado considerado por muitos como aquém do esperado. The Flash teve dois anos para trabalhar o Corredor Escarlate, e após uma viagem para dentro da Força da Aceleração, o caminho já está praticamente cimentado para Barry Allen. Tudo o que faltava apareceu no penúltimo episódio da temporada, com a morte do pai e a percepção de que o herói pode até ser invencível, mas aqueles que ele ama dificilmente estarão blindados. E é por isso que a identidade secreta é essencial, mesmo que na produção em questão este tema já tenha se transformado praticamente em piada. Contudo o foco aqui é na transformação, no embate contra o vilão em algo pessoal, a última barreira a ser cruzada antes do confronto final.
E transformar a trama em um assunto pessoal era exatamente o que a série precisava para adicionar uma camada de importância maior para Zoom. Hunter Zolomon foi inserido como um antagonista ameaçador, coberto de medo, uma voz gutural, além de propenso a muita representação teatral. Contudo apenas o teatro não é o suficiente para impor medo, e lentamente Zoom terminou apenas como uma ameaça vazia e sem atitude. Para limitar a ação do vilão o roteiro optou por fazê-lo trabalhar através de outros. E a cada cena introduzindo um novo meta-humano, o foco foi desviado. E assim a qualidade da temporada recebeu um enorme impacto negativo. Ao evitar lidar com o grandioso assunto proposto, em detrimento de coisas menores e menos interessantes, o que era para ser memorável terminou como quase esquecível. Com exceção da viagem para a Força da Aceleração e Invincible, quase nada apresentado após o hiato foi importante para o fim da temporada.
Claro que a série não é a respeito do Zoom, e sim da transformação de Barry em Flash, mas para existir um herói é mandatório que exista uma imagem antagonista, que pode ou não ser representada por um vilão. Flash optou por criar a sua em cima do imponente e assustador Zoom, além de ter divido o mistério da identidade secreta. Tanto um quanto outro falharam miseravelmente ao tentar convergir a importância de cada tema proposto para o peso da temporada. A revelação do Zoom veio de maneira fria e anticlimática, suas aparições foram limitadas e sua ação terminou bipolar, para dizer pouco.
E é perceptível que mesmo após a morte da personagem em Arrow, poucas pessoas realmente compreenderam o peso de Laurel Lance para o coletivo do Arrowverse. Apesar de extremamente poderosa e com uma “desculpa” para criar algo novo e válido, só conseguiram desenvolver uma motivação fútil para uma personagem sem nenhum tipo de aprofundamento. Destruir prédios a esmo, funcionar como possível antagonista, o resultado foi bem fraco, apesar de belo visualmente. Novamente a série nos proibiu de ter algo a mais. E convenhamos, a participação foi ótima, mas poderia ter sido marcante.

Existe um grande problema na morte de Henry Allen e o nome disso é: a banalização da morte, um dos maiores defeitos na continuidade de histórias em quadrinho, diga-se de passagem. Não existe peso dentro da saída de alguns nomes, pelo menos não como deveria. E quando a morte não é algo a ser temido, é apresentada a gênese da falta de impacto emocional. Quando Laurel foi riscada de Arrow, alguns dias antes fotos da atriz como Black Siren surgiram na rede, além da confirmação dos produtores de que em um universo com viagem no tempo e realidades alternativas, a morte não é um final verdadeiro. É compreensível que em uma adaptação tão fiel da nona arte isso também seja uma regra, mas infelizmente dentro de uma produção televisiva que sobrevive de picos emocionais, é um deslize. Claro que o grande holofote da morte não foi a saída de um personagem que só agora começou a ficar interessante, o que transforma a perda em algo mais doloroso, mas sim a possibilidade de motivar o herói a concluir sua missão.
O tornar pessoal é sempre aquilo que compete para o time um combustível mais poderoso. Agora que não tem mais nenhum dos pais biológicos, ambos assassinados por vilões que queriam afetá-lo pessoalmente, Barry poderá cruzar a última linha e enfrentar o seu último teste.
E então esbarramos no que The Flash tem feito semanalmente neste segundo ano, com muito mais força após o hiato. A série tem realizado promessas que não está conseguindo entregar com a força imaginada pelo telespectador. O episódio anterior entregou a possibilidade de uma verdadeira guerra entre meta-humanos e o time Flash, mas o que vimos foi apenas mais um aparato tecnológico responsável por “cortar” o tempo pela metade e literalmente fazer o trabalho do herói. Também não aproveitei em nada todo o arco do Wally, que até fez algo útil, mas sem demonstrar qualquer tipo de respaldo do roteiro. The Flash manteve muito do que se propôs a trabalhar em seu segundo ano de vida, contudo a série ainda precisa aprender melhor a transformar sua visão em realidade. Enquanto estivermos esbarrando neste problema, o potencial verdadeiro não será totalmente desenhado. Apenas mais um capítulo até a luta final, e eu simplesmente tenho medo de que tudo termine de maneira morna.
Easter eggs e outras informações
– Novamente The Flash fez questão de trabalhar o conceito de ‘escuridão’. Iris utilizou a frase ‘noite mais densa’, uma alusão óbvia ao evento da DC Comics em que heróis e vilões mortos voltaram a vida.
– Black Siren é o codinome de Donna Nance. Criada para o universo animado da DC, a personagem é uma reimaginação da Canário Negro e que age como heroína da Sociedade da Justiça, nos anos 60.
– Foi bem legal ver o Henry interagindo com a Tina McGee, especialmente se você já acompanhou a série do Flash dos anos 90. Lá Amanda Pays interpretou Christina McGee, companheira de trabalho do Flash, papel de John Wesley Shipp (Henry Allen).
– Sabe quem não fez nenhum barulho a respeito da participação neste episódio de Flash? A atriz Katie Cassidy. No Twitter oficial da antiga Canário Negro foi possível ver, no dia da exibição, apenas um retweet com a imagem da personagem. Só isso.
– Cisco e Caitlin como Vibe e Nevasca foi engraçado, mas um pouco esquisito.
– Próximo episódio, The Race of His Life, será o último da temporada. Pelo nome aposto que o embate terminará em uma… corrida (?).
– A visão do Cisco pode representar a chegada da ‘Crise nas Infinitas Terras’, ou algo parecido, mas de menor porte. A série já fez menção ao evento em algumas referências, mas a imagem da Terra-2 sendo destruída poderá significar o início do grande problema do multiverso. Também ajudaria na inclusão da Supergirl dentro da mesma realidade habitada por Flash, Arrow e as Lendas do Amanhã.















