The Flash embarca no passado do seu vilão.

Dezoito episódios. Esse foi o tempo que levamos para descobrir, finalmente, quem é o vilão da segunda temporada de Flash. Sua identidade nós já sabíamos, o terrível Zoom. Sua motivação? O que o transformou em um homem cujo único objetivo é aterrorizar? Este veio apenas com Versus Zoom. Este é um dos pontos que eu mais critiquei durante o decorrer da segunda temporada da série do Corredor Escarlate, sua ineficiência em desenvolver o antagonista da trama. Este problema, contudo, é parte também das outras séries conduzidas pela mesma equipe, Arrow, Legends of Tomorrow e Supergirl. Existe uma falha crônica dentro das produções da DC CW que os impede de trabalhar bons vilões, ou de dar destaque para aqueles que merecem. O padrão já está instaurado também em The Flash, e com apenas mais cinco episódios até o final da temporada, e com o próximo não conectado a Zoom, parece que terminaremos mais um ano sem realmente conhecer todo o potencial de um vilão chave da DC Comics.

Zoom apareceu pouco, isso é fato. Sua participação foi extremamente limitada, assim como suas ações. Todo o momento desenvolvido pela série foi o de como o herói lidaria com seu nêmeses, como Barry conseguiria melhorar para impedir o avanço de Hunter Zolomon e pouco, ou quase nada, da verdadeira presença daquele que começou como a figura mais sombria e ameaçadora já criada pela série. Toda a pressão colocada em cima da produção para dedicar tempo a Legends of Tomorrow minou muito da força criativa e com certeza impactou na evolução da temática proposta para a agora veterana equipe do laboratório S.T.A.R.

Um episódio como Versus Zoom vem carregado de grandes expectativas. Expectativas que vão além do nome do capítulo. Assim como o Flash Reverso, eu esperei por muito muito para ver o embate entre vilão e herói, mas além de apenas ter uma cena de corrida, socos rápidos e loucura desenfreada, o que realmente fez falta foi a dimensão da verdadeira personalidade daquele homem manipulador e enlouquecido. Por isso, mesmo que algumas inconsistências tenham me desviado da imersão completa durante o episódio, consegui aproveitar bem tudo o que entregue.

Quando paro para pensar em tudo o que o episódio propôs, fica um pouco complicado fechar os olhos para alguns deslizes. Assim que Harrison fez a menção quanto a figura do mais famoso assassino em série da sua Terra, eu torci o nariz. Imaginando que uma série de documentários tenha sido liberado a respeito de Hunter Zolomon, aceitar que ninguém veiculou uma imagem a respeito do antes e depois do homem é pedir um voto de confiança muito grande. Assim como a hombridade do vilão em não revelar para Wally a identidade do Flash. Ou o fato de que entregar a velocidade do Barry condenou não apenas a Terra 1, mas a 2 e todas outras realidades existentes. Isso sem esquecer de pontuar que a brecha aberta pelo Cisco permaneceu lá, no hospital que era a “casa” do Zoom e que, novamente, ninguém conectou ao Hunter Zolomon que desapareceu daquele mesmo lugar quando acelerador de partículas explodiu. E para coroar tudo, como é possível que Barry não tenha mencionado sua viagem para a Terra da Supergirl, ou a sua recém descoberta habilidade de atravessar para outras realidades?

Mas tirando o problema com a falta de atenção, ou as explicações forçadas, todo o paralelo entre Hunter e Barry foi muito bom. Ter uma montagem demonstrando quão similares herói e vilão são é um toque especial para a construção da personalidade de ambos os personagens. Quando crianças aqueles dois meninos testemunharam a morte da mãe, mas apenas um deles realmente viu o assassino. Contudo, tivesse sido Barry o enviado para o orfanato, criado pelo sistema e não por um pai e uma irmã como Joe e Iris, teria ele se transformado em um Zoom? É natureza versus criação e por mais que o roteiro não tenha explorado tanto este aspecto, a mera menção já valeu e muito a pena.

Claro que dentro do escopo explorado pelo episódio também precisamos encarar o fato de que, finalmente, ou infelizmente (depende de quem acompanha), Iris está reconhecendo Barry como seu romance predestinado. Gostei de ter visto que toda a lenta amarra proposta pela série neste segundo ano teve um resultado. Também fiquei mais satisfeito ainda por ter Iris empunhando uma arma e se oferecendo para ajudar. Gosto muito da personagem, mas sempre vi a série afundando sua participação ao não conseguir entregar para ela alguma história realmente boa. Após os eventos da Terra 2 as minhas esperanças cresceram novamente. Pelo que já foi apresentado não teremos como fugir do relacionamento entre Barry e Iris, então apenas torço para que não silenciem a personagem e que a desenvolvam cada vez mais, a aproximando daquela versão tão simpática e poderosa. Como já falei antes, não existe nenhum problema em ter romances em séries de super-heróis, mas tudo depende, principalmente, de como o roteiro cresce e faz crescer cada um deles individualmente.

Versus Zoom é forte por finalmente mostrar mais do vilão, mas ao mesmo tempo destaca tudo o que foi negado para nós telespectadores, por tantos episódios, o clímax. Espero sinceramente que a série comece a explorar mais o antagonista e não deixe tudo tão “jogado”. Ainda que este detalhe continue me incomodando, permaneço extremamente satisfeito com a segunda temporada, especialmente pelo tratamento que seus personagens tem recebido semanalmente. Existiram várias interações divertidas, como por exemplo a de Harry e Joe, dois homens mais velhos e mesmo assim tão leves, apesar de toda a carga emocional que carregam. Por mais momentos como o do décimo oitavo episódio, por vilões mais bem aproveitados, por mais diversão. É apenas o meu desejo para aquela que considero a segunda melhor adaptação de uma história em quadrinhos para a televisão.

Easter eggs e outras informações

– Estive um pouco ausente do campo de teorias, mas a maneira com que o antagonista pontuou a escuridão que está por vir me fez pensar a respeito do futuro da série e do que poderá ser proposto para a próxima temporada. Existe um “personagem” dentro da mitologia da DC Comics conhecido como “a grande escuridão”. Criado em 1986 na revista Swamp Thing V.2 #49, a personificação da maldade, também chamada de ‘A Besta’, é uma energia que embebe criaturas em trevas. O mais interessante é que já existiu uma menção a essa escuridão em outra série do mesmo universo de Flash e Arrow, a já cancelada Constantine. Durante a Crise nas Infinitas Terras um culto conhecido como Brujeria procurou despertar a escuridão que engoliria toda a Terra. Como o culto já foi explorado por John Constantine em sua série, a tal escuridão que dominou Zoom poderia ser uma menção a essa força antiga. O que acham?

– Na nona arte a responsável pela transformação de Hunter Zolomon em Zoom não foi sua mãe, mas sim sua esposa, Ashley Zolomon. Após o fim de seu casamento Zolomon começou sua busca pela viagem no tempo, algo que o deixou completamente louco.

– Mais uma menção a Keystone City, lar do Wally Flash West, que assumiu o manto de corredor após a morte do Barry.

– Pelo visto foi neste episódio que o Barry viajou para a Terra da Supergirl. Infelizmente nenhuma menção foi feita além do “por quanto tempo eu fiquei fora”. Será que este efeito foi responsável por fazê-lo esquecer da viagem?

– Muito papo sobre Star Wars e Anakin Skywalker. Se você não conhece, vá fazer sua tarefa.

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