Uma aula sobre como fazer um excelente crossover.
Desde que The Flash estreou muito se comentou a respeito do episódio que conectaria o Corredor Escarlate com o Arqueiro Verde. No ano passado o excelente Flash Vs. Arrow colocou herói contra herói, em uma clara alusão as histórias em quadrinhos clássicas. Contudo, enquanto as duas séries progrediam, a quantidade de visitas e conexões entre uma série e a outra foram ficando cada vez mais comuns. O problema em sempre ter alguém de Arrow aparecendo em Flash, ou alguém de Flash aparecendo em Arrow, é o desgaste que o recurso sofre no processo. Nada disso pode ser dito a respeito de Legends of Today, que de tão fiel a aura das comic books, mais parecia uma gigantesca edição comemorativa da Liga da Justiça. Também é através desta sequência de dois episódios que poderemos nos despedir de vez (?) da trama de Lendas do Amanhã e finalmente poder voltar ao assustador Zoom e a até então quase desprezada Terra 2.
Verdade seja dita, o melhor deste crossover foi em The Flash (desculpa se você ainda não assistiu ao de Arrow). A quantidade de momentos de cair a boca compensaram totalmente o tempo desprendido para a criação do episódio. Foi como se tudo fluísse naturalmente, sem trancos, sem quebras de ritmo, mesmo quando a série voltava para Central City. A todo momento algo novo e importante acontecia e a experiência foi eletrizante. Até mesmo a luta entre Flash e o Arqueiro contra Carter foi bem conduzida, um aspecto de ambas as séries que geralmente não é tão bom como deveria.
O que mais gostei neste episódio foi a forma com que absolutamente todos os personagens de The Flash conseguiram seu momento ao sol. Mesmo sem ir para Star City, Harry e Caitlin tiveram a oportunidade de brilhar. A cena em que a Patty atira no Harry me chocou verdadeiramente e também ajudou a modificar o status da personagem dentro da série, que neste mesmo episódio começou dividindo alguns momentos de ternura com o Barry. E é isso o que importa, não deixar a peteca cair em momento algum, mesmo quando o foco é desviado para uma dupla que não precisava estar ali, assim como o Jay. Este trabalho é difícil, ninguém dirá que é simples conseguir pegar um núcleo tão grande e não deixar ninguém de fora. Também demonstra que em The Flash todo mundo tem alguma coisa interessante para acrescentar (menos a Iris). Gostaria de dizer o mesmo de Arrow.

A trama ao redor de Vandal Savage é excelente e casa perfeitamente com a proposta de Lendas do Amanhã e a existência do Gavião Negro e da Mulher Gavião. Este é o ano de vilões ameaçadores, para todas as produções da DCCW. Zoom em Central City, Damien em Star City e Vandal para Lendas do Amanhã formam a tríade maligna perfeita para os nossos super-heróis. Não posso de forma alguma reclamar do que vi e isso me encoraja ainda mais a acompanhar Lendas do Amanhã em Janeiro – Vale dizer que iremos nos ver lá de qualquer jeito, já que as reviews serão minhas. Aqui neste oitavo episódio o que vale é entender que a cooperação entre os dois times é totalmente plausível, já que Oliver é o único na agenda do Barry que já lidou com ameaças sobrenaturais. Se bem que eu gostaria de ter visto o Constantine dando as caras, mas acho que é melhor guardar este trunfo para Lendas, não é mesmo?
Um dos pontos mais altos deste capítulo foi a interação entre os dois times, em mais uma cena extremamente competente. É ótimo poder ver algo mais simples, como a comemoração ao ataque da Kendra, por menos sentido que isso faça. Até mesmo quando Savage interrompe a festa, nada foi perdido. A convergência de fatores foi brilhantemente executada. Existiu tensão, adrenalina e risco. Nós sabemos que dificilmente alguns personagens morrerão, mas o medo pode existir, contanto que o roteiro e a construção da cena coopere para tal. De forma exemplar The Flash cumpriu a cota de emoção e ação para a primeira parte deste evento que toda com certeza figura entre os melhores do ano para as séries derivadas das histórias em quadrinhos.
O que melhor funciona em The Flash é sua vibração otimista. Algo que pode ser confirmado neste episódio é como a série consegue trazer uma energia diferente para o time Arrow. Ver o John vomitando depois de uma carona forçada, ou a Thea se indagando se já tinha conhecido o Flash, além das cenas mais alegres do Oliver, ajudam a mostrar a discrepância entre o tom de uma série e da outra. Sim, Arrow já está ficando cada vez mais heroica e leve, mas ainda carregada de dramas pesados, como irmãos que voltam dos mortos, sede de sangue e filhos escondidos. Em Flash tudo parece ser mais simples, mesmo com o conceito de realidades alternativas e a presença de um corredor maníaco com cara de zumbi ameaçando o Corredor Escarlate e o humilhando publicamente. Até Darhk, o vilão da temporada de Arrow, ganhou um pouco mais de canastrice, algo que eu nunca irei reclamar em um antagonista.
Para evento crossover Legends of Today funciona perfeitamente. Tudo encaixou com um cuidado e leveza que somente o roteiro de The Flash pode proporcionar. Também é válido dizer que a partir de agora ambas as séries poderão voltar a caminhar com os próprios pés, sem a necessidade de expor vários personagens que servirão apenas para Lendas do Amanhã. De forma geral o crossover está valendo muito a pena, especialmente quando ele é trabalhado assim, com cuidado. Espero que a lição tenha sido aprendida. E roteiristas, nada de ficar puxando personagens da outra série só para não nos esquecermos de que eles vivem no mesmo mundo, não é necessário. E olha, que belo dia para ser amante de séries de heróis.
Crossover de Reviews – Com Douglas Viana de Arrow
Acredito que não há muito que dizer em um parágrafo, que o Diego já não tenha dito – caras, eu queria ter o conhecimento de quadrinhos desse reviewer aí – mas já que a presença do Oliver no episódio é que me garante essa pontinha aqui, eu preciso dizer que não entendi a postura do personagem, foi como se em algumas partes ele voltasse a ser o cara da temporada anterior. Sem problemas, logo ele abaixou a bola e até admitiu um erro ao ser confrontado por Barry, com o fato de caras como eles poderem ficar com as garotas de vez enquanto. Então, me despeço aguardando a segunda parte e mais uma vez agradeço ao Diego pelo espaço e deixo o convite para ele aparecer na review de Arrow também. Falou…Valeu.
Easter eggs e outras informações
– O navio em que Vandal Savage chega é chamado S. S. Tithonus. Esta pode ser uma referência a mitologia grega, em que Tithonus é o amante de Eos, titã do amanhecer, também conhecido na mitologia romana como Aurora. Nos quadrinhos existe o livro de Tithonus, tido como mantenedor dos segredos da imortalidade.
– A série fez menção ao personagem Highlander, um guerreiro imortal e que também possui uma arma mágica.
– Neste episódio conseguimos acompanhar Harrison Wells criando uma fórmula capaz de emular os poderes da super velocidade. Nos quadrinhos a Jesse Quick utiliza a fórmula matemática da velocidade para conseguir seus poderes. Já a chamada velocidade 9 (na série foi criada a 6) consegue dar poderes, uma forma de forçar a força da aceleração a juntar-se a um hospedeiro. Vale mencionar que na nona arte a velocidade 9 foi criada por Vandal Savage.
– Constantine apareceu em Arrow para adquirir o orbe de Hórus. Neste episódio Vandal conseguiu o cajado. No piloto da finada Constantine o olho de Hórus fez uma “participação”.
– O que o crossover começa, ele termina. Durante o evento do ano anterior descobrimos que a ex-namorada e mãe do filho do Oliver tinha mudado para Central City. Neste eles se encontraram. E no próximo?
– Nos quadrinhos o Flash faz parte do time responsável por fundar a Liga da Justiça. Nada mais justo do que ser ele o motivador da união entre os heróis de Central City e Star City.
– Durante o crossover também é feita a pergunta: Como seria o Oliver na Terra 2? Infelizmente lá ele morreu e o Arqueiro Verde é seu pai. Bye Felicity!















