Um dos episódios mais divertidos e assustadores de The Flash.
Quando The Flash estreou a era Nolan já não era assim tão cultuada como em 2005-2012, com o início e fim da trilogia do Cavaleiro das Trevas. Arrow já começava a perder o tom sombrio e a Marvel era a grande responsável, ao provar que era sim possível trabalhar um mundo mais fantasioso, sem afastar o público. Nascia The Flash, com o trabalho do excelente Geoff Johns, o cara que foi responsável por trazer dos mortos o Barry Allen e cuidar da sequência mais bem escrita do Corredor Escarlate nos quadrinhos, nos Novos 52. O mundo mais colorido atraiu os olhares de quem estava carente de algo um pouco mais leve e divertido. Porém, muitos se perguntaram até que lugar a série estaria disposta a ir, dado o tom ameno e menos cru. Em seu sexto episódio, de seu segundo ano, The Flash mostrou que sabe ser medonha.
Quem não surtou quando Zoom, com toda sua crueldade, decidiu arrastar o Flash, inconsciente, por toda a cidade? Eu fiquei assustado, um sentimento que a série nunca antes tinha provocado em mim, a não ser durante a primeira temporada com a barra sendo forçada para o romance entre Barry e Iris. Pior ainda, fazendo paradas estratégicas para desmerecer sua imagem como herói. Foi um dos momentos mais sombrios dentro da série, que sempre prezou por um mundo colorido, alegre e cheio de esperança. Com Zoom eu senti todos os sentimentos bons sendo sugados, tragados pela negatividade do raio azul. E com toda a certeza, foi o que a série quis passar durante a montagem da cena.
The Flash sempre conseguiu ser muito fiel as histórias em quadrinhos, especialmente do período chamada de era de ouro, em que tudo era mais jovial, menos pesado e em determinados momentos, bobo. Só que a série mostrou que também consegue extrapolar para o outro lado, quando necessário. É preciso que Zoom se distancie o máximo possível do Reverso, que agiu como um mentor durante quase toda a primeira temporada, longe de ter um ar ameaçador. Com o Reverso existia um risco muito grande, mas não oferecido diretamente ao Barry, mas a seus amigos. Zoom quer a cabeça do velocista, destruí-lo de todas as formas e não trabalhar para que ele se torne alguém melhor. E esta é a beleza deste antagonista, algo necessário para toda série e que representa bem a cartilha clássica do vilão.
E vale notar que esta foi a primeira aparição e interação entre Zoom e a equipe Flash. Não dá para saber se ele conseguirá carregar a carga emocional e o risco necessário até o final da temporada, afinal, ainda estamos no sexto episódio – Nem mesmo a marca de metade do ano atingimos. Por isso, fica a preocupação central: O que farão enquanto Zoom não estiver disponível? Sei que pelo menos até o mid-season finale nós teremos história para contar, com o retorno do Grodd, o crossover entre Arrow e Flash e mais um pouco de Lendas do Amanhã. A preocupação vem com o depois, depois que Lendas tiver estreado e concluído sua breve temporada, o que teremos? O reverso segurou um ano inteiro sozinho, mas já basta de vilões com identidade secreta dominando a série sozinhos, e sei que assim como eu, ninguém quer uma onda de vilões da Terra 2 existindo apenas para ocupar espaço de trama com fillers. Não é?

Mas mesmo adotando seu lado mais escuro e perigoso, The Flash não deixa de lado aquilo que a transformou em um fenômeno, a diversão. Achei a montagem com a Linda ‘Dr. Light’ no galpão, extremamente divertida. Existem aqueles períodos em que a série pode permitir-se um pouco de ar para respirar, sem a necessidade de adotar um tom sério e emergencial. Isso faz com que a irresponsabilidade do Barry suba para a superfície, o afastando da imagem de um herói completo, que as vezes pode ficar um pouco na cara. Mas trabalhar montagens como aquela também ajudam a deixar o final bem mais aterrorizador, já que balança a nossa estrutura emocional. E eu aplaudo a série por ter optado por esta abordagem.
Lembro que na temporada anterior, durante as reviews, eu vociferei várias vezes minha preocupação com a possível saída de Tom Cavanaugh. Para nossa sorte o ator permaneceu na série, assim como uma nova versão de Harrison Wells, o Harry. Muito da carga dramática deste episódio veio dele, da sua preocupação com a filha, sua vontade de capturar o Zoom e, de uma forma mais branda, suas interações com o Cisco. Não tem como discutir, ele é um ator completo, que oferece e muito para a série. Se na temporada anterior eu disse que tinha medo da produção sem o ator no futuro, nesta precisarei repetir novamente, não sei o que será de The Flash sem Cavanaugh. E seria divertido ter um Harrison Wells alternativo a cada temporada, mas isso é só um sonho meu.
Com um final que aumenta a carga dramática e dá a Grant Gustin a oportunidade de mostrar outro lado para o Barry, The Flash finalizou um dos melhores episódio que eu já assisti da série. O tom balanceado entre leve e pesado casou muito bem com a proposta do Zoom, além de aumentar o risco que nossos personagens se encontram agora. Também foi essencial saber um pouco mais do trauma passado por Barry e que não foi superado, algo que justifica suas atitudes mais irracionais. Um herói de verdade jamais arriscaria a vida de inocentes de uma forma tão infantil, mas o Barry ainda não é totalmente o símbolo que a cidade de Central City impôs para ele. De uma coisa eu sei, se a série continuar utilizando Zoom da forma como eles utilizaram em Enter Zoom, eu sei que tudo ficará cada vez melhor. E só para não deixar passar batido, depois de Barry e Patty, nunca mais quero ouvir falar de Barry e Iris.
Easter Eggs e outras informações
– Harrison chamou sua filha de Jesse Quick, personagem velocista saída dos quadrinhos. Já falei sobre ela na sessão de easter eggs da review passada, que você pode conferir clicando aqui.
– Como toda realidade alternativa, existem diferenças entre Terra 1 e Terra 2. Neste episódio descobrimos que quem sobreviveu ao naufrágio e se tornou o Arqueiro Verde foi Robert Queen, o patriarca da família Queen. Oliver morreu e este deve ter sido o motivador para que Robert assumisse a missão de riscar da lista, aqueles que falharam com Starling City.
– Sabe onde algo parecido já aconteceu? Em Flashpoint Paradox, a linha alternativa criada por Barry quando ele viaja no tempo e salva a vida de sua mãe. Só que quem morre é o Bruce Wayne e quem se torna o Batman é o seu pai, Thomas Wayne. Parece que até na Terra 2 o Arrow usa a mitologia do morcego como sua.
– Ah, durante a realidade Flashpoint o Barry fez com que o Thomas Wayne escrevesse uma nota para o Bruce, dizendo o quanto ele se orgulhava do filho. Seria legal se o Barry pudesse fazer o mesmo pelo Oliver.
– Assim como na Terra 1, o noticiário de destaque da Terra 2 é o News 52, aquele velho aceno para os Novos 52.
– A “Terminal Velocity”, utilizada no episódio, é também o nome de um arco de histórias do Flash nos quadrinhos.















