Você acredita em amor para super-heróis?

Em séries adaptadas de histórias em quadrinhos, o ponto mais questionado, criticado e por vezes, elogiado, é o envolvimento amoroso dos protagonistas com outras personagens. Muitos gostam de impor a regra de caso amoroso apenas para as séries da CW, mas mesmo em The Walking Dead (AMC), Gotham (FOX) e Agents of S.H.I.E.L.D. (ABC), existem personagens predestinados pelo roteiro adaptado a se tornarem pares românticos de nossos protagonistas. Nem sempre dá certo. Ou você se esqueceu da Lori? Da Barbara? Ou do Lincoln? Romance é algo que faz parte da vida da grande maioria das pessoas, quer seja inteiramente, ou apenas o desejo, lá está a tal paixão. Contudo, este sempre foi um divisor de opiniões, muitos gostam e torcem a favor, tantos outros preferem que ele não exista. E de quem é a culpa pelo fracasso, ou sucesso dessa cruzada amorosa?

Como vimos no excelente The Darkness and the Light, existe sim espaço para desenvolver ternura e relacionamento amoroso. Na verdade, não existe problema algum em ver mais da vida pessoal dos nossos heróis. Em Agents of S.H.I.E.L.D. tudo é muito técnico, muito profissional, confesso que às vezes eu aceitaria um pouco mais da vida privada das personagens, como é mostrado em The Flash. O que delimita, porém, se a série agradará a todos, é a parcimônia. Um encontro às escuras, cheio de potencial, pouco drama e muita diversão supre a necessidade de ver mais do Barry fora do uniforme. Contudo, o que a grande maioria reclama é a falta de direcionamento do roteiro em construir uma personalidade forte e interessante para o par amoroso, quer seja ele, ou ela.

Iris, Patty Spivot e Barry não formam um triângulo, especialmente nesta temporada em que a Iris assumiu, até o momento, o papel de irmã e amiga do Barry. O potencial de Iris é gigantesco, seu comportamento mais maduro e pé no chão tem me conquistado cada vez mais. Fico muito feliz de poder acompanhar com satisfação uma personagem que até pouco tempo atrás me estressava profundamente com sua constante reclamação do mundo, da vida, de todos. O melhor de tudo é ver que na cena em que o Barry confessa ter um encontro, não existe drama, não existem pausas, não existe uma montagem da cena nos levando a entender que algum sentimento complexo está para ser desenvolvido. É tudo bem simples, coisa de amigo.

Saindo da esfera amorosa, e indo para a mais nova adição da série, ou melhor, mais nova versão de uma adição antiga – Se é que isso faz sentido. Harrison Wells já era um personagem intrigante enquanto versão Eobard Thawne, agora que temos a oportunidade de conhecer o verdadeiro Wells, eu aplaudo mais ainda o desempenho de Tom Cavanagh. O novo ‘Harry’ não é uma pessoa má, mas como todos perceberam, é um babaca de mão cheia. Será necessário que a equipe de The Flash trabalhe com um esmero muito grande na construção de falas e comportamento do personagem, para que ele não tenha similaridades com o Harrison ‘Eobard’ Wells que já conhecemos. Por isso, o bom trabalho de Cavanagh deverá ser o ponto de maior peso na hora do desenvolvimento deste personagem complexo. Mesmo não se portando como uma cara legal, a série já fez questão de humanizar o personagem ao mostrar sua filha como prisioneira do Zoom. Isso nos dá uma ideia de que o personagem irá, em determinado momento, trair a confiança da equipe Flash, mas por um bom motivo, o que deve garantir um perdão lá para frente.

Contudo, a melhor parte do surgimento do nosso Harry Wells foi sua interação com Jay Garrick, tanto na Terra 2, quanto no presente. Eu já estava acostumado a ter o Wells como um aliado, um mentor para o Corredor Escarlate. Por isso, vê-lo como um homem mesquinho, desenvolvendo uma tecnologia que mais prejudica do que ajuda meta-humanos e humanos, foi a forma mais eficaz de destacar que aquele não é o cara que conhecíamos, ou pensávamos conhecer. Jay, amigo do Aquaman, desconfia do Wells mais do que a nossa equipe, bom, talvez não mais do que o Joe. Do relacionamento dos dois no presente o que tiramos de proveitoso é que logo chegará o momento em que Jay recuperará sua velocidade, que eu imagino ser o único jeito de pararem Zoom. Se acrescentarem mais um velocista então, estarei no paraíso.

Cisco finalmente teve seus poderes revelados. Demorou, parecia que ia demorar mais, mas o dia da revelação chegou. Graças, novamente, ao babaca do Harry. Como eu falei anteriormente, estes poderes passivos garantem a Crisco o crescimento necessário para que o personagem saia de apenas um apoio cômico, para alguém com mais dimensão. O ruim de tudo isso? Colocarem o cara para impulsionar a Kendra Saunders, que todos nós sabemos, não irá durar muito tempo na série. Contudo, como o desenvolvimento deste arco para Lendas do Amanhã foi bem sutil, não cabe aqui especular sobre algo que ainda não aconteceu.

Sendo assim, este quinto episódio de The Flash provou-se imensamente melhor do que o anterior, com a sofrível Fúria do Núcelar. Todos os personagens tiveram algum tipo de relacionamento íntimo revelado. Jay e Caitlin começaram a aprofundar mais o relacionamento, mas não imagino que teremos muito deste namorico sendo desenvolvido na série, a saída do nosso Flash da Terra 2 deixou essa impressão. Porém, com a ótima interação entre Patty e Barry, entre Jay e Harry, entre o Harry e todo mundo, fiquei convencido de que The Flash tem capacidade de mostrar bons momentos, mesmo quando se desvincula do lado 100% HQ. E só para não deixar passar batido, a vilã do episódio sendo a Linda foi divertido, foi bem bacana, mas o legal mesmo foi ter uma luta com mais de trinta segundos e com inicio, meio e fim.

Easter eggs e outras informações

– Esta foi a segunda aparição da Mulher-Gavião em The Flash, a primeira foi nos minutos finais da season finale passada. Ela ainda é Kendra Saunders e provavelmente não tem conhecimento de sua herança histórica como heroína, fato que comentarei apenas em seu episódio de destaque.

– Doutora Luz é uma personagem saída diretamente dos quadrinhos. Lá já existiram outras versões, como Doutor Luz e Doutora. Já vestiram o manto de Doutor(a) Luz – Arthur Light, inimigo da Liga da Justiça – Kimiyo Hoshi, uma astrônoma e integrante da Liga da Justiça, sua primeira aparição foi em Crises das Infinitas Terras #4 1985 – Jacob Finlay, predecessor de Arthur Light.

– Outra personagem da nona arte que deu as caras em The Darkness and the Light foi Jesse Quick. Na série ela é a filha do ‘Harry’ Wells. Porém, nos quadrinhos ela é filha de Johnny Quick e Liberty Belle. Seu pai a ensina a fórmula que o permitia retirar poderes da força da aceleração, a 3×2(9yz)4ª.  Jesse estudou na universidade de Gotham e tem conexão direta com a Sociedade de Justiça da América.

– Jay Garrick diz que um de seus melhores amigos é de Atlântida, que na Terra-2 não está submersa. Atlântida é o lar do Aquaman, Arthur Curry. Esta não é a primeira vez que ele é mencionado na série, mas é a primeira vez que a menção chega até o corte final do episódio. Na primeira temporada em uma conversa entre o Barry e o Joe, é feita a referência a um homem que respira embaixo d’água e fala com peixes, a cena está disponível nos extras do Blu-ray/DVD.

– Atlântida fora d’água me fez lembrar do arco Sub Diego, com uma diferença, lá não é Atlântida que sobe, mas San Diego que submerge, graças a um terremoto.

– Speed Mirage já havia sido utilizada anteriormente, pelo Reverso, a última no episódio em que ele revela sua identidade para o Cisco.

– Oficialmente já podemos chamar o Cisco Ramon de Vibe/Vibro. Agora só falta a Caitlin, que oportunamente disse de que ninguém ali se transformaria em vilão como consequência do que o Wells fez. Bom, se o Cisco se tornou Vibe, nada impede a Caitlin de se tornar Nevasca. Ou só sua versão da Terra 2.

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