The Flash continua preparando o caminho para Legends of Tomorrow, mas dessa vez sem tanta força.

A CW está super engajada (super – trocadilho) na construção dos caminhos para Lendas do Amanhã, sua mais nova e confirmada aposta no ramo das chamadas “séries de heróis”. Tanto em Arrow, quanto em The Flash, estamos tomando conhecimento de fatos que serão importantes para a derivada, que não receberá a quantidade de episódios suficiente para ter todo o seu background explicado internamente. O grande problema de The Fury of Firestorm foi ter o melhor só no final. Todo o resto beirou o medíocre em um episódio fraco emocionalmente e em termos de história.

Atualmente a segunda temporada de The Flash pode ser considerada como uma montanha-russa de qualidade. Entre altos e baixos, estamos acompanhando a história de Barry ser desenvolvida, além do espaço dedicado para preparar Lendas do Amanhã. Contudo, o que coloca este quarto episódio como o ponto mais baixo nesta aventura foi a sua falta de emoção e envolvimento. Ouso dizer que, se não fossem os minutos finais, este teria sido um total desperdício de dinheiro e tempo.

Foi superestranho assistir este episódio depois de ter acompanhado o maravilhoso 4,722 Hours, de Agents of S.H.I.E.L.D., um episódio centralizado em outro planeta, com uma personagem apenas (na maior parte do tempo) e cheio de personalidade, charme e emoção. Senti-me, na falta de uma frase melhor, forçado a acompanhar nhém-nhém-nhém, da Maísa, depois de um concerto de Chopin. Tamanha foi a discrepância entre um roteiro tão emocional e estruturado, para uma sequência que prezou pelo aspecto sentimental, mas não conseguiu convencer em praticamente momento nenhum.

A necessidade de criar um novo Nuclear veio da confirmação de que Robbie Amell estaria na minissérie de Arquivo-X. O ator até chegou a divulgar uma foto sua com Franz Drameh, o novo Nuclear, mas os detalhes de seu retorno ainda são um mistério. A verdade é que o posto estava vazio e precisando urgente de alguém para assumir a posição da outra metade de Martin Stein. O problema é que eu não consegui, em nenhum momento, me importar com a saúde do Stein, com a bengala feita da cadeira de rodas do Wells, ou o clima heroico colocado na jornada do herói instantânea que foi apresentada.

Caitlin, que estava carente de um pouco de destaque dentro da série, conseguiu aparecer um pouco mais neste quarto episódio. Sua busca por alguém para substituir seu falecido marido era a oportunidade certeira para que a série explorasse um lado mais brando e menos conformado da senhorita Snow, mas no lugar o que mostraram foi uma mulher ansiosa por provar que o melhor homem para tomar o posto que antes pertenceu a Robbie, era um cientista refinado e inteligente, mas no final um louco. Você consegue ler a bola fora? Eu não consegui ver nada além.

Franz supera Robbie no quesito atuação, mas sua introdução no mundo do Flash foi, no mínimo, morna. Um novo personagem novo não precisa apenas surgir, mas também a sua motivação para uma decisão delimitadora de lutar pelo bem maior. Um joelho ferido pela explosão do reator, a conexão com a matéria negra e uma recusa inicial não demonstram a maneira mais envolvente de trabalhar a substituição de um amigo, marido e complemento de super-herói. Faltou um pouco mais de tempero ali dentro, faltou um pouco mais de comprometimento.

O único lado que realmente impôs mais personalidade foi o da Iris e sua mãe. A confirmação de que a mulher está morrendo, além da existência de um filho, foram detalhes importantíssimos para o avanço da mitologia do Flash (discuto mais na sessão de easter eggs, com spoilers). Além de impulsionar a história, também conferiram a Iris um pouco daquele intensivo trabalho de melhora da personagem e retirada de sua função de apenas um par romântico. Para acreditar que estamos lidando com uma mulher forte, decidida e inteligente, é necessário que a série prove que ela assim o é. Viver de menções, elogios e floreios não supre aquilo que queremos ver. Deixar subtendido que uma personagem é inteligente, é uma coisa, mostrar o que ela realmente é capaz de fazer e ser, outra totalmente diferente. Por isso, ver mais da construção da personalidade da Iris longe do holofote de um namorado, ou drama amoroso, a colocam cada vez mais próxima de ser alguém digna de preocupação, por parte do público.

Joe comentou aquilo que eu sempre tive vontade de dizer para o Barry a respeito de seus relacionamentos. Iris não vingou. Linda não subiu a serra. Isso não significa que Patty precisa reprisar o papel de algoz. Nem todo amor é definitivo, nem toda pessoa é a alma gêmea, ou surge com um desfile ao fundo, com fogos de artifício e som de trombetas. Aliás, o som de trombetas nem sempre anuncia o inicio de um show, mas também pode ser um sinal do apocalipse. E Patty é tão agradável, inteligente e bem humorada, que fica praticamente impossível não torcer a favor.

Tudo o que o episódio não conseguiu passar em seus quarenta minutos, o final conseguiu em três. O surgimento do Rei Tubarão foi, em partes iguais, chocante e engraçado. Harrison Wells mais uma vez coberto por mistério e antecipação elevou a carga emocional e desestruturou Barry mais do que a possível morte do Martin Stein. Então, agradeço profundamente pelo momento, responsável por salvar um episódio inteiro do marasmo e profundo tédio em que nada importante acontecia, ou nada alardeado como importante tinha o peso necessário para transformar o nascimento da nova matriz Firestorm em algo épico. Que o trabalho com Hawkgirl seja infinitamente melhor. E que Flash perceba que não basta impor um ritmo, é preciso trabalhar em cima dele.

Easter Eggs e outras informações

– A Fúria do Nuclear, nome do episódio, também é o nome da segunda série fixa do herói nos quadrinhos.

– Cisco faz referência a uma aventura “Rogue Air”. Este é o nome do episódio em que o Flash recebe ajuda do Firestorm e do Oliver Queen na primeira temporada.

– Jefferson Jackson, o Jax, foi noticiado como personagem novo, criado exclusivamente para a série. Parece que os produtores de The Flash se esqueceram de que em Firestorm #1 (Vol. 2) existe um Jefferson Jackson, criado por Gerry Conway e Pat Broderick.

– Na nona arte o vilão deste episódio, Hewitt, criou a heroína Firehawk. Após sequestrar a filha de um senador, o vilão tentou recriar o acidente que gerou o nascimento do Nuclear, criando Firehawk no lugar. Futuramente ele testou o processo em si mesmo, ganhando poderes como resultado.

– Rei Tubarão é um vilão saído de Superboy vol. 4 número #9, de 1994. Nascido no Hawaii, o personagem é filho do Rei de todos os tubarões, ou o Deus Tubarão. Alguns acreditam que ele é uma mutação genética.

– Mais uma menção a Universidade de Hudson, local onde o projeto F.I.R.E.S.T.O.R.M. foi desenvolvido por Martin Stein e Jason Rusch (outra versão do Nuclear nos quadrinhos).

– Eikmeier, nome da empresa em que Hewitt trabalhava, é uma homenagem ao roteirista Brooke Eikmeier, de The Flash e Boston Legal.

– Neste episódio descobrimos que Iris tem um irmão. Ou seja, um menino com o sobrenome West correndo por aí. Poderia ele ser Wally West?

– Wally West foi o primeiro Kid Flash e o terceiro Flash da DC Comics. Sua primeira aparição foi em The Flash #110, de 1959. Sobrinho da Iris West, namorada e futuramente esposa do Barry. Durante uma visita ao laboratório do “tio”, ele acaba sendo atingido pelo mesmo acidente que deu poderes ao Barry e se tornando o Kid Flash. Após a Crise nas Infinitas Terras, Barry morre e Wally assume o manto de Corredor Escarlate.

– Pittsburgh é, além do lar de Nuclear em alguns arcos dos quadrinhos, a casa do ancestral de Rip Hunter, o viajante do tempo que irá iniciar Lendas do Amanhã.

– Emily Rice é a reitora da universidade de Vandermeer, em Pittsburgh, e possivelmente a amiga mencionada por Martin Stein.

Artigo anteriorThe Big Bang Theory 9×06: The Helium Insufficiency
Próximo artigoLookinglass | Nova série sobre o Frankenstein moderno sofre corte de episódios antes de sua estreia