The Flash e seu pequeno crossover com Glee.
Demorou um pouco, mas Grant Gustin finalmente deu um aperitivo de sua voz, a mesma que o levou a ser conhecido em outra série, de outra emissora e nem remotamente conectada com o universo dos quadrinhos, Glee. E rodeados por tantas informações em um episódio carregadíssimo de tramas e sub tramas, foi o Karaokê e uma certa cena final que realmente elevaram a qualidade de ‘Crazy for You’. Um episódio que muito atiçou ao redor da vilã, mas que repetiu uma das grandes falhas da série, criar barulho onde não existe muito show.
Já virou a assinatura da série, infelizmente. Sempre estamos nos deparando com vilões cada vez mais interessantes, com efeitos bem realizados, para depois, no final, não existir um real confronto, ou algo que realmente cumpra as expectativas levantadas. Peak-A-Boo é apenas mais uma que Flash derrota da forma mais anticlimática possível, quebrando umas luzes e se jogando na frente do carro em movimento. E o que comentar a respeito da fuga do namorado, que ninguém vê?
Existe na série uma força bem grande em desenvolver o episódio com várias tramas paralelas e sempre fica a impressão de que faltou um pouco mais de tempo. O momento agora é o de desenvolver a trajetória de Barry como herói, mas mostrá-lo salvando desconhecidos, ou parando bandidos no começo do episódio e não desenvolver verdadeiramente o embate e o vilão do episódio é errado, extremamente. São contratados bons atores, temos ótimas falas, cenas de ação que exploram bem o cenário, mas quando você espera uma atitude do herói, ele quebra as lâmpadas e ganha. Sei exatamente que a série não irá conseguir transportar sempre vilões carismáticos e conhecidos do público, como foi o caso do Capitão Frio e do Flash Reverso, mas jogar personagens menores e insistir em não justificar a presença deles não é a forma mais inteligente de suprir a falta de grandes nomes.
Já entrando na participação de Cisco, fiquei extremamente feliz que ele tenha ganhado um destaque maior, longe apenas das piadas e das cenas interagindo com Barry através do comunicador. Um pouco de culpa, uma cena quase ganhando do Pied no tapa, tudo se torna extremamente satisfatório. Mesmo assim, ainda acho que podemos ter mais do que apenas uma cena ou outra, quero logo é um para o senhor Ramon chamar de seu.
De novo, esse episódio foi bem abarrotado de tramas paralelas, teve karaokê, teve Pied Piper e Cisco, Firestorm, Peak-A-Boo, pai do Barry, Iris e Linda. Várias coisas aconteceram ao mesmo tempo, umas mais importantes do que outras, e algumas totalmente desnecessárias. Como dispensável eu pontuo as interações entre Barry e Iris, que de novo, insistem em nos forçar a aguentar uma dinâmica que só se justifica pela obrigatoriedade imposta pelos redatores.
Vejam a diferença. Barry e Caitlin no karaokê conseguem passar bem mais química, sentimento e amizade verdadeira do que Barry e Iris que se conhecem a tanto tempo. Então, para que enfiar várias dinâmicas diferentes se apenas uma se torna essencial para o episódio? Prefiro Barry e Caitlin tomando uma todo santo episódio, rindo, com a cientista bêbada oferecendo uma espiada compensatória do que Iris querendo ajuda, mas dispensando o amigo quando ele a oferece. Mas a culpa não é apenas da Iris, Barry também força a barra. Não entende que mesmo ele amando a garota ela está com outro e que existem limites para a amizade dos dois. Muitos querem culpar exclusivamente Iris, mas se notarmos bem, Barry cooperou e muito para que nós desenvolvêssemos uma certa aversão pela moça.

E agora me imaginem escrevendo esse parágrafo com a maior cara de tristeza, praticamente raspando o cabelo ao som de Lara Fabian. Mas drama pessoal de lado, sinto que a nova repórter, Linda Park, surgiu apenas para que Iris West pudesse perceber os verdadeiros sentimentos que ela nutre por Barry. E isso não poderia ser pior para série, talvez uma epidemia de carrapato estrela nos moradores de Central City fosse mais bem aceita do que a criação de uma personagem que tem tudo para ser legal, interessante e apaixonante, para depois acabarem impondo o efeito Alicia de Smallville. Alguém se recorda? Eu ainda não me esqueci.
A verdade é que Linda Park pode significar algo importante para a mitologia da série e a possível criação da família Flash. Nos quadrinhos ela não tem um relacionamento com Barry, mas sim com Wally West. Os dois chegam a se casar e a ter filhos juntos, mas como isso foi nos quadrinhos, talvez com a chegada de um novo interesse amoroso ligado diretamente ao nome Flah, possamos estar encarando a CW nos pregando uma verdadeira peça. Poderia Barry terminar com Linda e não Iris, como nós esperamos?
De alguma maneira deverá existir algo que mude a dinâmica dos casais. Na época em que o Twitter permite um contato direto com roteiristas, produtores e criadores, fica bem complicado de ignorar o desejo de quem acompanha a série em prol do cânone. A verdade é que, se existe química entre os personagens, fica aceitável compreender um relacionamento, mas quando essa é inexistente, o que justifica forçar algo que não poderá ser bom para a própria existência da produção? É só recordar daquele período em que os fãs de Smallville clamavam por Chloe ser, na verdade, Lois Lane, já que ela não existia nos quadrinhos e possuía características tão similares a repórter de Metrópolis.
Resumindo, como episódio ‘Crazy for you’ teve seus excessos, mas dificilmente o vejo como ruim. Poderiam ter retirado um pouco de gordura, mas sabem como é, uns gostam com, outros preferem sem. Eu faço parte do grupo que aprova com moderação, mas prefere evitar exageros. Agora, se vocês querem um pouco de gordura boa, que só ajuda, então Grodd deverá cobrir a cota necessária. E é isso o que eu mais gosto, não apenas do gorilão arremessando e atacando uns desaviados funcionários, mas a revelação de que em The Flash, nenhum easter egg existe apenas para cumprir tabela e que mesmo que a ideia anterior tenha sido essa, os fãs pedem, Geoff Johns atende. E que ele continue assim.
Easter Eggs e outras informações
– Peek-A-Boo nos quadrinhos tem outra história. Lá ela atende pelo nome de Lashwn Baez e rouba um rim para seu pai, que está em estado grave. Ela comenta futuramente que sempre teve na mente a ideia de ser uma heroína, até o Flash a rotular como bandida.
– As algemas utilizadas pelo Cisco no Pied Piper se parecem muito com aquelas que o personagem utilizou em Countdown.
– Uma pequena frase do Cisco pode significar seu futuro, de acordo com o que ele se torna nos quadrinhos. Ao dizer que Pied não é o único que entende de vibrações ele constrói uma conexão direta com seu alter ego na nona arte, Vibro.
– Tivemos mais Grodd, mas não muito do Grodd.















