Com uma cara dessas, a máscara de plástico deixou o personagem menos assustador.
Desde que anunciaram que Robert Knepper faria uma participação na série, fiquei em polvorosa. Fã desde sua brilhante atuação em Prison Break, não pude conter a expectativa, essa maldita. Não vou falar mal do episódio, mas achei que aproveitaram pouco o vilão da vez. Queria mais tempo de Robert em cena, nos presenteando com sua cara de desdém. E queria muito, mas muito, ter visto uma batalha de gigantes: Spader e Knepper contracenando e dando uma aula de interpretação para o resto do elenco. Tenho tanto apego ao ator, que me entristeceu vê-lo morrer. Entendo que ele precisava sair de cena para valorizar a importância da conquista de Red com a francesa, mas ainda assim, entoei um sonoro “mas que desperdício” ao vê-lo cair no chão.
Ressler segue ganhando destaque, mas ainda não me convence. Não tinha problema algum com o ator em Homeland, mas não acho que ele está fazendo um bom trabalho em The Blacklist. Talvez as coisas melhores se shiparem o moço com Malik, que mal ganha falas, mas já tem minha empatia. Tudo que ela faz, eu gosto. Chances are… se ela fizer o boy, passo a gostar dele também. Quanto a Liz, pouco falo dela porque prefiro exaltar Reddington a repetir toda semana que ela está mais para figurante do que protagonista e que ela só domina uma expressão facial: sobrancelhas franzidas. Mas ei de reconhecer seu maior talento: ninguém sobrevive a acidentes de carro tão bem quanto essa agente. No mais, só espero que Liz coloque Alceu Valença na vitrola, encontre logo a “tesoura do desejo, desejo mesmo de mudar” e assuma suas madeixas curtas.
Por mais previsível que tenha sido que o começo do episódio é apenas um sonho, foi bom começar com bastante ação e ver a série listando a nossa própria blacklist de perguntas: Quem é Tom? De que lado ele está e para quem ele trabalha? Quem está espionando a casa de Liz? E pra ficar redondinho, The Courier encerra nosso encontro semanal retomando esse mesmo assunto e nos deixando ouriçados por mais longos e intermináveis dias. Se o 6o episódio não continuar do exato ponto onde paramos, eu não respondo por mim.
Quando vi o Mensageiro enterrar Seth Nelson, fiquei com medo de que o episódio girasse em torno disso, como no episódio final duplo da 5a temporada de CSI, escrito e dirigido por ninguém mais que Tarantino. Como brigar com Tarantino não é tarefa fácil, fiquei aliviada que esse requinte de crueldade foi apenas um detalhe, não o centro da história. Fica a dica pra quem não viu: baixe os episódios de CSI (5×23-24), não carece ter conhecimento prévio da série para aproveitar esse show que Tarantino fez parecer um filme.
Acho que James Spader recitaria Atirei o pau no gato-tô de um jeito que me daria calafrios. Como se não bastasse sua atuação cortante, o texto de Blacklist é primoroso e nos presenteia com momentos como: “Let me put your mind at ease, I’m never telling you everything.” Em tradução livre: “Fique tranquilo. Eu nunca irei lhe contar tudo.”. Ou quando Red profana Casablanca e recita “We’ll always have Paris“. E meu predileto:
Você matou três pessoas
Eu não sou perfeito
Apesar do meu mimimi de querer mais T-Bag, o personagem muito me agradou. A condição de não sentir dor foi nova pra mim (bem coisa de CSI, se me permitem a referência repetida), descobrimos que seu pai ganhou o prêmio de Pai do Ano e que ele arrasa no corte e costura. Por mais que só faça sentido em sua cabeça, o Mensageiro segue um código de conduta rígido, que garante uma taxa de sucesso de 100% em suas negociações. Isso, é claro, até seu nome ir parar na lista negra do onisciente, onipresente, sabe-tudo-salve-salve, Red. Se está na hora de riscar um nome, Reddington sabe a hora, minuto e local onde encontrar todos seus alvos. Seu timing e senso de moda nunca cansam de me surpreender.
Além do impecável timing, de Ressler se dar mal e das mãos pra cima para encontrar o FBI, os presentes de Red para Liz também já viraram tradição. O criminoso se aproveita do sentimento de gratidão do resgatado e usa de seus benefícios para dar as informações que Liz procura, ao invés de colher os frutos para si. Muito mais importante que eliminar seus inimigos, se vingar, buscar redenção, ou seja, lá qual for a motivação por trás de sua lista, é estabelecer uma relação com Liz. Que de todos os lugares que poderia ir, escolhe ir tomar uns bons drinks com Red. Começo a torcer para que ele tenha sido enganado e esses anos como criminoso tenham sido sua única forma de sobreviver e adquirir as informações necessárias para se tornar um bem valioso para o FBI. É impossível não amar Red e aguardo uma justificativa para amá-lo sem culpa.
E nessa brincadeira de enterra gente, desenterra caixa com passaportes, Tom roubou a cena. Não seria maravilhoso se houvesse, em vez de passaportes dele, documentos dela? E fosse ele que a confrontasse, como ela deseja tanto e finalmente vai fazer? Isso deixaria a agente ainda mais louca, a ponto de se descabelar, arrancar os cabelos e perder a peruca. Problema resolvido.















