Em vez de dar imunidade à Red, o FBI devia contratá-lo por motivo de: ele é mais inteligente que todo o Bureau junto.

Red pode estar preso, mas não perde o estilo. The Freelancer começa bem, com uma edição dinâmica que deu um ritmo ótimo e me empolgou logo de cara. A julgar por esse episódio, a cada semana um vilão da lista negra batizará o título do episódio e eu torço por mais participações especiais como Isabella Rossellini. Outros nomes já anunciados que animam essa torcida são T-Bag, digo, Robert Knepper (Prison Break, Cult), Tom Noonan (Damages, Hell on Wheels) e Clifton Collins Jr (The Event). Quem entrou muito bem, e pra ficar, foi Parminder Nagra (E.R., Alcatraz, Psych) como a agente da CIA Malik, uma adição que me deixa muito feliz num elenco em que, por enquanto, só Red brilha.

O interrogatório do início do episódio trata da questão mais intrigante levantada pela série até agora, qual a relação entre Red e Liz? Há quem ache óbvio que ele é o pai dela, mas eu continuo me negando a acreditar que uma série faria tanto mistério – e acredito que ao longo de ainda muitos episódios – para nos dar uma reposta que, convenhamos, não poderia ser chamada de plot twist, muito menos de surpresa, e já tenho a impressão de que The Blacklist preza por isso. O episódio dessa semana e a personagem de Rossellini foram uma amostra desse cuidado e o desejo de surpreender. Pra mim, essa suspeita é uma técnica para nos desviar de uma revelação maior e melhor. Ou assim eu espero.

Red, o onisciente, segue como mestre das marionetes. Dessa vez, o conhecimento de mínimos detalhes me incomodou menos, já que ele estava por trás de tudo e armou para capturar Floriana Campo, uma traficante de crianças para exploração sexual que eliminava sua concorrência sob o disfarce de humanitária. O que me incomoda é como ele está tão atualizado estando preso e sob a vigilância do FBI. Mas, né? O homem consegue fugir de hospitais e restaurantes sem derramar uma gota de suor, então essa vigilância não deve ser levada muito em conta. Desapeguei de alguns erros e mega coincidências, ou ia ficar difícil curtir a série. Isabella Rosselini fez um ótimo trabalho e confesso ser um tanto quanto suspeita pra julgar por ser fã da atriz, mas os poucos segundos que ela tem a sós com Red foram uns dos meus prediletos em The Freelancer. Ela tem o dom de tornar tudo mais classudo e se separar da ralé.

Uma vez o elenco estabelecido, e o padrão de um nome da blacklist por episódio, fica fácil adivinhar que as participações especiais serão sempre os vilões (alô, CSI). Talvez por ser o segundo episódio, talvez por pura lerdeza da minha parte ou talvez cega pelo paga-pauzismo por Rossellini, eu não me toquei que ela seria a grande vilã do episódio e essa foi uma grata surpresa. O fato de Red escolher tirar justamente ela de cena, uma mulher que é erroneamente admirada por Liz e pior, que traficou/escravizou seu segurança, alguém que Red claramente tem uma relação íntima e de carinho, humanizam o criminoso e James Spader torna-se impossível de não gostar. O que mais me seduz no personagem é a canastrice que Spader empresta a Red. Ele é arrogante no limite para ser admirado, nunca chegando a ser irritante.

Em uma conversa com Elizabeth, Reddington diz: “If you had any idea how far I’ve traveled to see you AGAIN, Lizzy“, em tradução livre: “Se você soubesse o quanto eu viajei para ver você DE NOVO, Lizzy” o que aparentemente passa despercebido pela agente do FBI que está mais preocupada em corrigir seu nome após ouvir essa declaração. Ouro diálogo entre os dois que me intrigou foi quando ele pede que Liz faça uma “leitura” sobre seu perfil e em meio a seu discurso, ela diz que ele precisa dela. Achei uma escolha curiosa de palavra, precisar ao invés de querer, já que ainda não está claro para ela o motivo de ter sido escolhida por Red. Ao longo dessa conversa, ele a cutuca a respeito de Tom, sua infância, o incêndio, não responde suas perguntas e para encerrar, solta um “e se eu lhe dissesse que todas as coisas nas quais você acredita são uma mentira?”. Ápice do episódio e auge da coceirinha da curiosidade. Conta mais, Red. Conta mais.

Quanto a Tom, Liz mostra que entre denunciar ou confrontar seu marido, ela escolhe fazer a egípcia. É claro que ela vai investigar o marido e usar seus privilégios como agente do FBI para descobrir a verdade, mas isso fica para semana que vem. Estou mais contente e envolvida com a série, menos preocupada com as muitas perguntas por que o que eu quero mais do que as respostas, é ver Red. A dicção, o sorriso sem dente, o escárnio com o FBI, a risada no volume certo para incomodar, suas piadas sobre canetas, pescoços e hotéis, suas tiradas como “O FBI trabalha pra mim agora”, sua comemoração da manchete adivinhada ipsis litterisssss com amigos asiáticos engraçadões, tudo, por mais absurdo, me convence e me seduz. Não acho que Megan Boone está a altura de Spader, mas estou animada para ver essa nova equipe que foi montada para Red, especialmente com seu guarda-costas e a agente Malik. A dinâmica entre eles promete ser no mínimo, interessante.

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