Finalmente testemunhando a gênese de um HERÓI!

Teen Wolf encerra sua encurtada quarta temporada com um episódio atipicamente de maior duração que o habitual.

Smoke And Mirrors termina de maneira eficiente a quarta temporada da série, com cenas cheias de tensão, ação, suspense, numa edição ágil e bem sacada que quase não deixa o telespectador respirar.

Talvez o maior mérito dessa season finale da série dos licantropos adolescentes tenha sido revelar Scott como um verdadeiro heroi, poderoso, cheio de convicções e senso de moral. O personagem, que durante os primeiros três anos servia mais como elo entre os diferentes núcleos e tramas, finalmente alcançou aqui, na quarta temporada, o status que seu título de protagonista demandava.

Realmente Jeff Davis parece estar construindo cuidadosa e minuciosamente esse personagem desde a primeira temporada, para alcançar seu auge nesse ano e poder desenvolvê-lo a longo prazo. Felizmente, meus amigos, parece que o investimento de tempo na série gerou recompensas para os telespectadores. Foi simplesmente vibrante poder ver Scott dar uma surra em Peter, talvez o maior recalcado do mundo das séries, e colocá-lo em seu devido lugar. Preferia-o morto, por ora, pois acho que já reciclaram o personagem demais na série.

Scott demonstrou porque é chamado de verdadeiro Alfa e que pode ser um líder inspirador. Embora vivamos em um mundo cada vez mais cínico e descrente, acredito que um personagem idealista e heroico seja necessário para não perdermos de vez nossa fé na humanidade. Mesmo que esse personagem seja uma criatura sobrenatural numa série de ficção e fantasia.

Apreciei a volta de Stiles aos holofotes com força total. Principalmente por alternar com equilíbrio, nessa finale, entre as funções de alívio cômico e cérebro da investigação/operação/missão. O personagem continua sendo meu preferido na série e aguardo ansiosamente pelo seu desenvolvimento na próxima temporada.

Kira também teve bastante destaque em Smoke And Mirrors, tendo sua própria batalha para lutar e vencer: aprender a se autorregenerar. A personagem continua fascinante, aos meus olhos pelo menos, e conseguiu substituir Allison à altura como interesse romântico de Scott, além de ser integrante de seu pack.

Já Lydia continua escandalizando com seus gritos e personalidade nebulosa. Mas sigo gostando da personagem, apesar de seu desenvolvimento durante o quarto ano ter ficado bem aquém do prometido, a meu ver. Ainda assim, ela esteve genial e hilária na cena com o bastão de baseball contra o berserker.

Liam, o bebê lobinho da turma, se mostrou uma boa adição ao elenco regular da série. O personagem tem conflitos interessantes para o telespectador acompanhar e tem muito caminho pela frente para ser desenvolvido durante a quinta temporada. Só espero que seus dilemas sejam menos previsíveis e lineares do que foram nessa quarta temporada.

E o roteiro deu uma volta no telespectador ao garantir que a morte de Derek ocorresse, embora tenha sido metafórica. Ele simplesmente “digievoluiu”, evitando que fãs histéricas quebrassem a sede da MTV americana. Estava preparado para me despedir do personagem, já imaginando que Tyler Hoechlin tivesse cansado dessa vida e estivesse cumprindo aviso prévio, assim como Allison na terceira temporada. Mas já que ele ficou, que passe mais tempo sem camisa, por favor! Só não entendi aquele olhar misterioso dele para Scott no final. Não ficou claro o que um quis dizer para o outro (gratidão, talvez?). Será que a interpretação, pelo público, foi prejudicada pela péssima expressão facial de Tyler Posey nessa cena específica?

Braeden provou que é “mulher-macho-sim-senhor” e foi útil durante as cenas de ação dessa finale. Só não sei se ela conseguirá se manter relevante (e como namorada de Derek) na próxima temporada. A maior contribuição de Malia foi sempre relembrar ao telespectador e Peter Hale o código de conduta de Scott: “nós não matamos”. Por si só, isso garantiu sua presença tolerável. Mas a personagem vem me ganhando aos poucos (meu processo de aceitação de Allison foi parecido). Gosto do namoro dela com Stiles e a relação com o Xerife Stilinski. Acho o máximo que ela simplesmente more junto com o namorado adolescente e dividam o mesmo quarto. Que loucura, não?!

Outras aparições no episódio se revelaram gratas surpresas, como Chris Argent, sempre salvando o dia com suas armas e Parrish que, estranha e aparentemente, fora o gancho mais significativo desse final de temporada, com o mistério acerca de que tipo de criatura sobrenatural ele realmente é. Prevejo um romance entre o policial e Lydia no futuro, agora que Stiles está ocupado sendo feliz. Araya Cavalera também retornou do limbo com seu grupo de caçadores, para mostrar que os roteiristas não foram levianos de esquecê-la.

E o que falar de nossos ditos vilões, especialmente desses dois últimos episódios. Já amei odiar os dois: Kate e Peter. Mas, em minha opinião, eles já foram reciclados o suficiente e tiveram seu tempo de tela. Meu temor é que eles retornem, já que ambos continuam vivos. Mas tenho que dar o braço a torcer, pois se desejei tanto a morte dos dois (principalmente nessa finale), é porque eles fizeram um bom trabalho interpretando seus desprezíveis personagens. Mas como vibrei quando Kate começou a fugir, começando a demonstrar vulnerabilidade. Foi sensacional!

Teen Wolf encerrou sua reduzida quarta temporada (12, 12, 24, 12, 20 – coerência para que né MTV?!) de maneira vibrante, como há muito não fazia em seus episódios intermediários. O capítulo tratou de amarrar todas as pontas soltas da trama, entregando uma resolução para a maioria delas. Estranhamente não houve ganchos já delineando novas tramas para o próximo ano, como sempre costumava ter antes. Ainda que esse ano tenha sido mediano em comparação aos anteriores, a série continua sendo uma deliciosa opção de entretenimento, em todos os sentidos!

Despeço-me aqui de mais essa cobertura completa de temporada para um merecido descanso. Mas ano que vem estarei de volta, pois sem esses lobinhos não consigo mais viver!

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